Reforma do prédio já foi concluída, mas faltam adaptações no que tange à prevenção e combate a incêndios

reforma já foi concluída, mas a liberação do PPCI deve levar ainda alguns meses para sair

A volta da Biblioteca Pública Hélio Alves de Oliveira para seu endereço original, na Rua Capitão Cruz, não deverá ocorrer mais este ano. Em janeiro, o prefeito Kadu Müller chegou a prometer a conclusão das obras de reforma no primeiro semestre, mas, em julho, ainda não haviam sido terminadas. Desde então, a expectativa era reinaugurar as instalações em novembro, quando a instituição faz 70 anos, mas não será possível.

Embora as obras de engenharia estejam concluídas, quando a Administração Municipal elaborou o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios (PPCI), surgiram entraves. Alguns, motivados pela burocracia e por mudanças na legislação. Outras decorrentes de problemas internos no governo, que o prefeito Kadu Müller não detalhou. Ele explicou, porém, que um dos obstáculos à liberação para o uso é a inexistência das chamadas portas corta-fogo. “Precisamos fazer estes ajustes primeiro”, admite.

Jornais encadernados são procurados para pesquisas

Sem esconder a irritação, o chefe do Executivo diz que está triste com a situação. “A comunidade já esperou demais. Não gostaria de estar dando esta notícia”, lamenta. Kadu já sabe que as adequações não ficarão prontas até dezembro, o que empurra a reinauguração para 2020. Ele não quer fixar novos prazos para não gerar mais frustrações na comunidade.

Anunciada como uma das principais realizações do governo para 2019, a volta do acervo – que está no Parque Centenário – para o Centro, é um anseio antigo da população. Em dezembro de 2012, os livros foram levados para um prédio alugado na Rua Buarque de Macedo, já que o então prefeito Percival de Oliveira havia deixado um contrato assinado e recursos reservados para a execução da reforma. Ao assumir, em 2013, o novo prefeito, Paulo Azeredo, cancelou o serviço e mandou tudo para um prédio dentro do Parque Centenário, onde continua até hoje.

Durante quase seis anos, pouca coisa aconteceu de fato. A recuperação do prédio no Centro só começou, realmente, em novembro do ano passado, com previsão de término em março. O prazo não foi cumprido e a reforma só foi considerada pronta em setembro. A empreiteira Upper Engenharia foi a responsável pelos trabalhos e o investimento, em recursos próprios da Prefeitura, foi de R$ 279.225,00.

Número de usuários caiu após a mudança
A transferência da Bibilioteca Pública para o Parque Centenário, onde ocupa o prédio que era usado como restaurante, reduziu drasticamente o acesso aos livros. Antes da mudança, no prédio da Rua Capitão Cruz, a equipe realizava, em média, 100 atendimentos por dia. Hoje, esse número raramente passa de 20.

Ana Valdeti Martins

Para a diretora Ana Valdeti Martins, a queda no movimento se deve à falta de transporte para um local que fica distante de onde a maioria das pessoas mora e trabalha. “Para vir ao Parque, é preciso caminhar, tomar um ônibus ou usar um carro ou uma moto. Nem todos têm essa disposição”, observa.

Entre os usuários, atualmente, a maioria são crianças, que vão ao local levadas pelos pais para acessar a biblioteca infantil. O segundo grupo mais numeroso é o dos pesquisadores. A Biblioteca possui muitos jornais da cidade encadernados e eles constituem uma importante ferramenta de consulta sobre o passado. O empréstimo de livros, que sempre foi um dos grandes atrativos do espaço cultural, hoje é muito reduzido.

Esta situação preocupa o prefeito Kadu Müller. A Biblioteca Pública está há tanto tempo longe da maioria dos montenegrinos que muita gente perdeu o hábito de visitá-la. “Quando o acervo retornar para o seu endereço orginal, será preciso realizar algumas iniciativas para atrair novamente as pessoas até lá”, avalia. O acervo é composto por cerca de 50 mil títulos, das mais diferentes áreas e correntes literárias.

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