Criminosos não levaram o carro usado pela vítima para trabalhar

Crime. Apesar dos momentos de pavor, Cleomar da Silva Coimbra não ficou ferido. É o segundo caso de roubo a profissional apenas neste mês de julho

No final da tarde, o taxista Cleomar da Silva Coimbra, o “Xaropinho”, 47 anos, ainda tentava se recuperar da violência sofrida nesta segunda-feira, dia 30. Pouco depois do meio-dia, ele foi assaltado por um casal. Não ficou ferido, mas precisou ser atendido no Hospital Montenegro (HM) por ter problemas cardíacos. Foi o segundo crime com essas características ocorrido neste mês no município. O outro foi no dia 20.

“Xaropinho” já quer voltar hoje ao trabalho no ponto da rua Olavo Bilac

Segundo relato da vítima, a mulher aparenta ter 23 anos e o homem cerca de 28, ambos em torno de 1,70m de altura. Eles fizeram sinal para o motorista parar nas proximidades do Cemitério Municipal, no bairro Cinco de Maio e perguntaram quanto daria uma corrida até a localidade de Fortaleza. Ao ouvir como resposta algo entre R$ 70,00 e R$ 80,00, os dois entraram no VW Fox branco.

Quando os três se aproximaram da Vila do Peninha, a jovem apontou uma arma para a cabeça de Xaropinho e anunciou o assalto. “Quando mandaram entrar ali, eu ‘senti a maldade’. Andei uns 500 metros e anunciaram o assalto”, conta Xaropinho.

O casal passou a ser agressivo e a mulher ressaltou para o comparsa a intenção de matar a vítima. “Os dois ficaram agressivos e me ameaçaram. Cheguei a entregar chave do carro, disse que tinha família, mas não quiseram levar. Parece que não sabiam dirigir”, revela. Essa hipótese também foi levantada por Moacir da Silva, assaltado, provavelmente pelo mesmo casal, no dia 20 de julho.

Os indivíduos levaram cerca de R$ 800,00 em dinheiro, a aliança de casamento e o telefone funcional dele. Então, mandaram o motorista ligar o automóvel e seguir sem olhar para trás.

Xaropinho calcula que a ação – desde o anúncio do assalto – tenha levado cerca de 15 minutos e que, ao todo, ele tenha ficado com os dois por mais ou menos uma hora. “Não conseguia raciocinar direito na hora. A ‘ficha só caiu’ quando eles foram embora. A gente treme, chora, dá um desespero. Passa um monte de coisas na cabeça, tudo que poderia ter acontecido”, descreveu.

O casal, segundo ele, mostrou frieza durante todo o tempo, como se já estivesse acostumado com essa prática. A vítima também acredita que os dois não são da região. Além disso, o nervosismo era tanto que ele julga ser difícil reconhecer a dupla, principalmente a mulher.

Um dos medos, ele conta, era não ver mais a família: a companheira Maria Inês dos Santos Rodenas, 41 anos, com quem vive há dez; o filho, a enteada, e os quatro netos criados pelos dois com muita dedicação.

Maria Inês estava no trabalho quando recebeu o telefonema de um amigo do taxista contando sobre o fato. Também soube que o marido precisou de atendimento médico. “Me deu um desespero e uma moleza nas pernas. Cheguei ‘voando’ no hospital”, afirma. A Brigada Militar foi até o HM para fazer o registro da Ocorrência.

Apesar do momento de aflição, Xaropinho mostrou força de vontade e firmeza ao descrever o ataque. Ontem iria descansar e tentar superar o susto. Mas hoje, às 8h, projetava estar no ponto na esquina da rua Olavo Bilac com a Ramiro Barcelos, onde trabalha.

“Tem que trabalhar, não tem jeito. Poderia ter acontecido com qualquer um. O negócio é tocar a vida para frente. Vou mostrar para a comunidade de Montenegro que tenho força”, diz, determinado. Informações à Polícia Civil pelo 197.

Outro caso acabou em Portão
Às 22h30min do dia 20, Moacir da Silva, 35 anos, pegou um casal no Centro para levar ao bairro Estação. No trajeto, o homem sacou um revólver e anunciou o assalto. Foi quando Moacir passou a ser agredido com coronhadas e tapas. A mulher estava armada com uma faca.

Os dois criminosos mandaram o montenegrino seguir com o carro em direção a Novo Hamburgo. No pedágio de Portão, na ERS-240, Moacir conseguiu fugir correndo e gritando estar sendo vítima de um assalto. A mulher ainda tentou dar um golpe com a faca no taxista, mas a lâmina atingiu o pescoço dele apenas de raspão.

Os criminosos levaram cerca de R$ 240,00 em dinheiro, dois celulares – um de Moacir e outro da empresa proprietária do táxi – e a carteira do taxista com documentos e cartões bancários.

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