CORPO da vítima estava amarrado dentro do Rio, preso por cabo de aço Foto: Bombeiros Voluntários/Divulgação

Violência em alta. Corpo da quinta vítima de homicídio foi localizado nesta terça
Um homicídio a cada seis dias, ou seja, uma média de violência digna de cidade grande. Esta tem sido a realidade dos moradores de São Sebastião do Caí, que começaram o ano acuados pelo medo e com a criminalidade registrando índices incomuns para o Vale do Caí. O quinto homicídio em apenas 31 dias do mês de janeiro foi descoberto ontem pela manhã.
O número faz com que a cidade registre o janeiro mais sangrento dos últimos cinco anos. O corpo de um homem foi localizado pelos Bombeiros Voluntários do Caí depois que a Polícia Civil recebeu a denúncia anônima de que havia um ou dois cadáveres de pessoas no manancial.

 
Os primeiros relatos chegaram ainda no sábado, quando foi informado o desaparecimento de uma pessoa. De lá para cá, a Polícia começou a fazer as primeiras diligências tentando apurar a veracidade dos informes recebidos.

 
Ontem, em uma localidade conhecida como “Fucks”, no bairro Navegantes, a famosa “Coréia” no rio Caí, os bombeiros voluntários localizaram a vítima após algumas buscas. O corpo tinha sinais de disparos de arma de fogo no pescoço e na cabeça, mas como o cadáver estava inchado, apenas a necropsia apontará quantos tiros recebeu, bem como a causa da morte, esclarece a delegada Cleusa Spinato, titular da DP do Caí.

 
O corpo foi identificado pelos familiares como sendo de Leandro Celestino dos Santos, o “Bacaninha”, 45 anos, conhecido na cidade como usuário de crack. Ele tinha antecedentes policiais por ameaça, furto, apropriação indébita e posse de entorpecentes. Bacaninha foi identificado graças a cicatrizes anteriores na perna e na barriga. Ele foi encaminhado para o Posto Médico Legal de Novo Hamburgo.

 
A dificuldade de localização do cadáver se deu em função do autor do crime ter prendido a vítima com um cabo de aço, que ficou fixado em uma pedra. A delegada acredita que a intenção foi justamente impedir que o corpo viesse à superfície, lembrando que, nos quatro homicídios anteriores, um corpo estava jogado no rio Caí também, e outro estava enterrado em uma cova rasa.

 
Ainda que ninguém esteja preso até o momento por conta dos cinco homicídios, ela garante que todos os casos estão em investigação. A policial revela que, por trás de quatro dos cinco casos, está a disputa por “bocas de fumo” na região da Coreia. “Os homicídios estão em uma crescente desde 2013 devido aos entorpecentes”, complementa.
Apenas o homem encontrado morto no bairro San Martin, na semana passada, não teria ligação com as drogas. A Polícia investiga se a morte de Paulo Cesar de Oliveira, 49 anos, foi ou não um crime passional.

 
A delegada admite que o clima entre a comunidade no Caí é de medo e apreensão com a violência crescente, mas lembra que a delegacia, mesmo com a falta de efetivo, tem obtido resultados excelentes no que tange à resolução dos homicídios consumados e tentados. Cleusa lembra que, há cinco anos, ou seja, em 2012, foram quatro homicídios tentados e nenhum consumado, sendo que todos eles foram esclarecidos, saltando para cinco neste ano, número muito superior aos 12 meses do ano passado.

 
A Brigada Militar confirma que a onda de violência no Navegantes tem a ver com o tráfico de entorpecentes, mas não por conta da presença de facções de fora da região querendo dominar as “bocas” locais. As mortes seriam o resultado da ação de traficantes contra usuários que não pagaram pelas drogas, assim como pessoas que estariam vendendo entorpecentes e sonegando o dinheiro dos “patrões”.

 

Em Triunfo, homicídios desafiam a ação da Polícia

 

Violência em alta não é exclusividade de São Sebastião do Caí, já que outras cidades da região enfrentam situação semelhante. Em Triunfo, neste ano, nenhum homicídio foi registrado. Em compensação, a Polícia está debruçada em tentar resolver os nove casos ocorridos nos 12 meses de 2016. No final do ano, em um período de 40 dias, foram três mortes, todas elas não esclarecidas.

 
O caso mais chocante foi o do soldador Thiago Azevedo Dutra, 28 anos, executado com 26 tiros na localidade conhecida como Vila do Peninha. Ele foi atingido por disparos de pistola em várias partes do corpo. No Rio Jacuí, em novembro, o corpo de um homem, não identificado ainda, foi encontrado com disparos de arma de fogo.

 
A Polícia chegou a perseguir um suspeito em diligências, mas o homem fugiu pelo mato no interior, depois de abandonar o veículo. O automóvel e a casa do suspeito foram periciados. Já em Montenegro foram seis homicídios, todos em investigação. A Polícia não fornece mais detalhes sobre os casos.

 

Números de homicídios no Caí nos últimos anos

2016 – seis casos
Dois homicídios consumados – um esclarecido e outro em aberto
Quatro homicídios tentados – todos esclarecidos
1 latrocínio – esclarecido
2015 – dez casos
Cinco homicídios consumados – dois em aberto
Cinco homicídios tentados – um não elucidado
2014 – seis casos
Três homicídios consumados – todos esclarecidos
Três homicídios tentados – um não elucidado
2013 – 12 casos
Dois homicídios consumados – todos esclarecidos
Dez homicídios tentados – um em aberto
2012 – quatro casos
Quatro tentativas de homicídios – todos elucidados
Nenhum homicídio consumado
01
Um homicídio consumado – em aberto
Cinco homicídios tentados – todos elucidados

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