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Prevenir-se contra uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) é – ou deveria – parte da rotina sexual de todos em qualquer época do ano, para a garantia da sua saúde e dos parceiros. No Carnaval, porém, essa preocupação se intensifica porque, ao curtir a festa popular, casais são feitos e desfeitos muito rapidamente. Muitas vezes o crush pode esconder sífilis, herpes genital, gonorréia, HPV ou HIV, entre outras doenças e deixar uma péssima lembrança da folia.

O cenário brasileiro – de aumento do HIV entre jovens, da sífilis e a contínua transmissão das hepatites – mostra que o comportamento de risco vem impedindo o país de avançar no combate às infecções sexualmente transmissíveis. Para incentivar o uso da camisinha e informar principalmente os jovens sobre os riscos e consequências de contrair uma IST, o Ministério da Saúde lançou a campanha “usar camisinha é uma ‘responsa’ de todos”.
A ideia é ampliar o acesso às informações sobre este tema, inclusive das consequências trazidas pelas ISTs, para que os jovens possam se proteger contra doenças. A camisinha, distribuída gratuitamente nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), é a forma mais simples e eficaz de se proteger não só do HIV/Aids, mas também da sífilis, da gonorreia, de hepatites virais e até do zika vírus, além de evitar uma gravidez não planejada.

Pesquisas demonstram que o uso do preservativo vem caindo com o passar do tempo, principalmente entre o público jovem, que não presenciou a epidemia de Aids registrada na década de 80. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) todos os dias ocorrem 1 milhão de novas infecções sexualmente transmissíveis. No ato de lançamento da campanha, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, lembrou que o uso dos preservativos é constante, ou seja, o ano inteiro. “Antes era só uma campanha anual. Agora tem que ser lembrada periodicamente a cada 3 ou 4 meses, para não deixar cair no esquecimento”, pontuou.

As infecções transmitidas por relação sexual são causadas por dezenas de vírus e bactérias durante o contato sexual, sem o uso de camisinha, com uma pessoa que esteja infectada. Por isso, a importância de reforçar constantemente a necessidade de proteção, incentivando o uso de camisinha, principalmente durante o Carnaval. As ISTs aumentam em até 18 vezes a chance de infecção pelo HIV/Aids. Isso porque as infecções sexualmente transmissíveis geralmente causam lesões nos órgãos genitais, o que aumenta a vulnerabilidade para a pessoa adquirir o HIV, por meio do contato com secreções e sangue.

Doenças sexualmente transmissíveis
Sífilis
Infecção causada pela bactéria Treponema pallidum, causa feridas nos órgãos genitais, às vezes com manchas no corpo, febre e ínguas. Apesar de remontar à Idade Média, ainda hoje pode ser considerada uma epidemia pela falta de proteção adequada. De acordo com dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2019, foram notificados 158.051 casos de sífilis adquirida em todo o país em 2018, com aumento de 28,3% em relação ao ano anterior.

Hepatites virais
Causadas por vírus que leva à inflamação do fígado, nem sempre apresentam sintomas. Entre as hepatites, o tipo C da doença é a mais prevalente e também a mais letal, com 26.167 casos notificados em 2018, segundo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2019. Foram ainda registrados, em 2018, 13.922 casos de hepatite B e 2.149 de hepatite A. As hepatites podem ser transmitidas por sangue contaminado, sexo desprotegido e compartilhamento de objetos cortantes.

HIV/Aids
A Aids é a doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV – sigla em inglês). Ele afeta e destrói o sistema imunológico, que é o responsável por defender o organismo contra doenças. Dados do último boletim epidemiológico do HIV/Aids mostram que o HIV cresce mais entre os jovens brasileiros. A maioria dos casos de infecção pelo HIV no país é registrada na faixa de 20 a 34 anos (52,7%). Atualmente, a estimativa é de que 900 mil pessoas vivem com HIV no país. Dessas, 135 mil ainda não sabem que têm a doença.

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