FOTO: Vanessa Santo

Você, por acaso, sabe quem foi Milton Almeida dos Santos? E Aizita Nascimento? Aí vai uma dica para facilitar: há uma semelhança entre as duas personalidades. Ainda não? Pois bem, ambos contribuíram de maneira significativa para a história do Brasil. Milton Almeida dos Santos foi nada mais, nada menos, do que um dos maiores geógrafos da contemporaneidade. Negro, nascido em 1926, ele se formou em Direito e conquistou, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, o Nobel de Geografia. Nenhum outro brasileiro conquistou o prêmio. Ainda para seu currículo, o reconhecimento de primeiro geógrafo do mundo Anglo-Saxão a realizar tal feito.

Aizita Nascimento, nascida em 1939, foi a primeira miss negra do Brasil. Em 1963 ela conquistou o Miss Renascença, no Rio de Janeiro. Mas não se surpreenda por não saber instantaneamente quem foram eles. O preconceito é manifestado de diversas formas na sociedade, uma delas é o silenciamento da cultura negra, suas contribuições culturais e intelectuais.

Vanessa Gabriele do Espirito Santo procura através da fotografia a valorização do negro. FOTO: arquivo pessoal

Levantando a bandeira
Há algumas pessoas que levantam a bandeira buscando igualdade de direitos e maneiras de dizimar o preconceito na sociedade. Uma delas é a fotógrafa Vanessa Gabriele do Espirito Santo, 19 anos. Através da criação do Movimento Black, ela encontrou uma forma de valorizar o negro através da fotografia. “Unir eles para que dialoguem e tenham uma aproximação. O principal motivo de ter criado o movimento foi porque eu sou loucamente apaixonada por cabelo Black, cachos. E através dele quero que os negros sintam-se motivados em aceitar sua identidade e se amar”, destaca.

A primeira fotografia a gente nunca esquece, quando ela é carregada de história, luta e orgulho, então, nem se fala. A segunda edição da foto coletiva sairá ainda este ano. Pretensão da idealizadora. “O preconceito é muito falado nas ruas, escolas e jornais. Porém faltam espaços efetivos de atitude. Acho que fazendo esse evento os ajudo a se aceitarem sem estar tocando em um assunto tão ruim. Mas, claro, sem deixar de lembrar suas raízes. Eles precisam estar juntos para ter força”, conclui.

Paulo César da Silva Nascimento destaca a importância da mulher negra.

Empoderamento
Artefatos culturais como os dreadlocks, turbantes e o cabelo Black Power, conforme explica Paulo César da Silva Nascimento, 24 anos, são importantes símbolos de resistência dos negros. Eles exercem a função de empoderamento e afirmação em uma sociedade que prioriza a “branquitude”. São símbolos históricos de luta.

“E o que hoje dá “cara” aos movimentos negros. Também ajuda a criar laços entre pessoas de um mesmo grupo, que se identificam uma com as outras. Atualmente, vejo uma união muito maior do que há cinco anos”, explica. Paulo ainda destaca a importância do protagonismo da mulher negra como porta voz da causa.

Natasha de Oliveira Ferreira. FOTO: arquivo pessoal

Natasha de Oliveira Ferreira, 20 anos, assessora parlamentar, diz que a importância é assumir personalidade própria e mostrar a representatividade. Ela é adepta do cabelo com trança de lã, mas explica que sua originalidade é Black. “E que a humanidade nos aceite do jeito que somos sem olhar estranho ou criticar. Que a gente possa se sentir igual a todos. Com a cultura negra chamamos mais a atenção, principalmente pelo estilo diferenciado”, afirma.

Turbantes, tranças e história
Emancipada pelo conhecimento, Jhozy explica que turbantes simbolizam a resistência cultural dos descendentes de africanos escravizados no Brasil. “Ele

Jhozy Azeredo conta um pouco da história dos turbantes. FOTO: Thais Araujo D’avila

surge para o movimento negro como um resgate de estética e da cultura de nossos ancestrais. Simboliza a resistência cultural, além de ter forte papel dentro das religiões de matriz Africana”, explica. Para proteger a cabeça, segundo esclarece, cada povo amarrava o artefato de um jeito para identificação de seu grupo.

Convicta, Jhozy afirma que muitas pessoas utilizam turbante sem saber a força que ele tem. “Mulheres negras sofrem preconceito por usarem. Já mulheres brancas usando é lindo e elegante. A mesma coisa com os dreads na cabeça do negro em comparação com a do branco”, desabafa.

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