No café da manhã do aniversariante, não pode faltar leite e pão

100 anos. Devido à Covid-19, festa será postergada

O ano era 1920, e o planeta enfrentava uma pandemia (gripe espanhola) que infectou cerca de um quarto da população mundial na época – aproximadamente 500 milhões de pessoas. No dia 26 de agosto daquele ano, em Taquari, nascia Orlando Pereira dos Santos Filho. Um século depois e residindo em Montenegro, seu Orlando celebra 100 anos de vida, dessa vez durante outra pandemia, a do novo coronavírus.

Orlando comemora um século de vida com a companhia de Nelma e Sebastião

Entre dois acontecimentos históricos, uma trajetória de luta e determinação, mas também de paz e tranquilidade. Determinação para superar crises e guerras mundiais. Tranquilidade para alcançar uma longevidade que poucos conseguem. Devido às condições impostas pela Covid-19, a festa será postergada. No entanto, uma data especial como essa não pode passar em branco.

Mesmo que filhos, netos e bisnetos não possam se reunir para celebrar o centenário do seu Orlando, o aniversariante do dia está preparado para atender, do conforto de sua poltrona, dezenas de ligações nesta quarta-feira tão marcante para a família. “A comemoração vai ser toda por telefone. O importante, neste momento, é a saúde. Depois que passar essa pandemia, se Deus quiser, vamos celebrar”, salienta Nelma dos Santos Juvêncio, filha de Orlando.

É Nelma quem cuida do pai. Ela tem o suporte do marido Sebastião Juvêncio. Desde 2002, quando se mudou para Montenegro, Orlando mora com eles. “Ele conversa pouco, caminha bem, mas eu ajudo a segurá-lo porque tenho medo. Apesar disso, ele gosta mais de ficar sentado na sua poltrona, quietinho”, relata a filha.

Ela ainda observa que seu Orlando é uma pessoa calma, muito tranquila. “Se começa a ficar agitado, é porque tem algo errado”, frisa. De acordo com Nelma, a boa alimentação pode ter ajudado o pai a alcançar a idade centenária. Hoje em dia, Orlando não come mais nada industrializado, é tudo natural. Doce, só se for o chá. “Ele nunca gostou de doce, nem de iogurte, que é algo que praticamente todo mundo gosta. Não tem pressão alta, nem diabetes”, completa.

A poltrona é a fiel companheira do seu Orlando

Completando um século de vida nesta quarta-feira, Orlando tem sete filhos, 14 netos e 16 bisnetos. Se não estivéssemos enfrentando uma pandemia, todas as gerações da família se reuniriam nesta quarta-feira para festejar. Como isso não é possível, o aniversariante do dia não terá sua rotina tradicional alterada. Normalmente, ele acorda por volta das 10h e toma seu café da manhã – leite puro e pão. Ao meio-dia almoça e, após descansar em sua poltrona, toma um chá no meio da tarde.

A poltrona é sua fiel companheira. Orlando passa boa parte do dia nela. Um descanso merecido a quem tanto batalhou quando mais jovem. “Ele trabalhava na roça, como carpinteiro. Estava sempre ajudando”, ressalta Nelma. “O pai viveu em épocas difíceis. Até brincamos que ele é fruto de uma quarentena (por ter nascido durante a pandemia da gripe espanhola)”, brinca a filha.

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