Escola tem projetos como o preparo do solo na perspectiva orgânica, feito pelo 4º Ano. Foto: Arquivo Pessoal

Quando uma escola com 173 alunos – do 1º ao 9º Ano do Fundamental – consegue organizar uma mostra com 13 projetos científicos, é porque algo está dando muito certo. A soma entre o conhecimento dos professores e a curiosidade dos alunos dá à Escola Estadual de Ensino Fundamental Adão Martini um ar de laboratório de experimentações. Por ser localizada na Vendinha, interior de Montenegro, ela é uma Escola de Campo, característica da qual não se afasta e que, inclusive, alicerça suas pesquisas.

Gabriel Paim, Ana Carolina L. Kuhn e a profe Jaqueline colheram temperos para o Sal Sete Ervas que será vendido sábado

Mas a diretora Jucilene Kuhn Rambor lembra que o endereço na BR-386 não deixava os alunos se sentirem do interior; sendo que em casa não tinham sequer um canteiro de temperos. “Priorizamos a ideia de mostrar para eles que podem se sustentar do campo e com alimento saudável”. Esse resgate resultou em canteiros ecológicos, reciclagem de lixo e reaproveitamento de materiais, compostagem, criação de peixes, fabricação de sal temperado, repelente de mosquito feito de flor, fertilizante orgânico, minijardins, plantio de temperos para a merenda escolar, e muito mais.

Cravo de Defunto usado na produção de repelente de mosquito, para a pele e o ambiente

Em cada cantinho possível existe um projeto dos jovens. Embaixo da escada o aluno do 8º Ano Eduardo Veiga da Silva, de 15 anos, aproveitava o recreio para fazer a manutenção do Projeto Aquaponia – canteiros na água paralelo a criação de peixes. A orientadora é a professora de Educação Física Mara Sueida, que rapidamente explica a simplicidade do ciclo produtivo: no primeiro tanque os peixes são alimentados e seus dejetos fortificam a água recolhida da chuva; que depois passa por um filtro de pedras e tijolos; entra no tanque de hortaliças e volta para os peixes levando material orgânico natural para alimentá-los.

Profe Mara explica o ciclo da Aquaponia onde criam Tilápia e hortaliças

Todo o sistema foi montado com reaproveitamento de material, como a velha bomba de máquina de lavar e o travesseiro trazido pela supervisora escolar Catiele Àvila é que virou filtro. Uma dedicação que cativa toda a comunidade escolar, que se engaja nas produções científicas. Os alevinos de Tilápia que serão colocados ainda nesta semana, por exemplo, serão doados através do senhor Valmir Garcia, avô da aluna Eduarda Garcia.

Projetos voltados ao campo e à sustentabilidade:
-Plantio e cultivo de temperos para a produção de sal temperado;
-Aquaponia, projeto na perspectiva sustentável para criação de peixes;
-Prateleira de Temperos para merenda escolar;
-Terrário, minhocário e produção de adubo orgânico;
-Preparo do solo para plantio dentro de uma perspectiva sustentável;
-Repelentes e inseticidas naturais;
-Minijardins;
-Benefícios do maracujá;

Trabalhos específicos das disciplinas:
-Regiões brasileiras e continentes;
-Mapas hidrográficos, ferroviários e de relevo;
-Exposição de Arte;
-Caixinhas Literárias e Poesias;
-Jogos Matemáticos para ampliar o conhecimento.

Fertilizante e dinheiro no bolso

No Minhocário dos alunos da profe Elza é produzido bio-fertilizante

No mesmo espaço reduzido sob a escada estão ainda o Terrário, para estudo das camadas do solo e dos seres que nele vivem; e o Minhocário. Este segundo, realizado pelo 5º Ano, sob orientação da professora multidisciplinar Elza Hertel, é uma composteira com cascas e miolos descartados na merenda, restos da horta e folhas e esterco de gado. A decantação produz chorume biofertilizante natural para o solo, que, se borrifado direto nas plantas, tem ainda ação de repelir pragas agressoras.

Inclusive, ele é aplicado no canteiro de temperos do 7º Ano, de onde os alunos da professora de Ciências Jaqueline Azevedo colhem os ingredientes para produção do Sal de Sete Ervas. Os adolescentes aprendem a tratar a terra, plantar, cultivar e colher. Depois, realizam a secagem das ervas e sua adesão ao sal. A iniciativa englobou ainda a experiência de uma cooperativa para vender o produto na comunidade. “Na segunda leva já conseguimos comprar as mudas com nosso recurso”, orgulha-se a docente.

Minijardins – projeto do 1º Ano – provam que é possível cultivar em qualquer espaço e com reaproveitamento

Este reencontro com a terra abriu um leque de opções. O projeto do 4º Ano avalia, especificamente, preparo e recuperação do solo a partir de uma perspectiva orgânica, sem químicos. Enquanto isso, os pequenos do 2º construíram a Prateleira de Temperos, que inclusive são usados na cozinha da escola. Outro viés do programa educacional da Adão Martini é o aproveitamento do espaço, e neste sentido o Projeto Minijardins do 1º Ano, feito em pneus, panelas e todo tipo de utensílio descartado, é o melhor exemplo.

Serviço
O que: Mostra de Trabalhos Científicos
Quando: Sábado – dia 9
Horários: entre 9 e 11 horas
Onde: Escola Estadual Adão Martini – BR-386/ Vendinha

Em busca da energia solar
Além dos oito projetos de sustentabilidade, a feira apresentará ainda cinco trabalhos específicos das disciplinas. O projeto Regiões Brasileira e Continentes vai expor maquetes quebra-cabeça e ofertar degustação de pratos típicos. Já o Caixinhas Literárias e Poesias permitirá sonhar através de maquetes que concretizam trechos das obras clássicas da literatura brasileira.

Supervisora Educacional Catiele Àvila acredita do potencial da comunidade escolar da Adão Martini
Turminha da Rafaele da Silva Rambor fez a Prateleira de Temperos

E essa pujança da Adão Martini pode gerar frutos concretos, além da formação intelectual destes jovens cidadãos. E a supervisora Catiele Àvila está otimista com o projeto de energia solar desenvolvido para o concurso nacional Desafio Escolas Sustentáveis. É um esquema técnico, mas que teve parceria dos alunos, que desta forma já aprimorar ainda mais seu conhecimento.

A iniciativa do site Educatu.org.br premiará os melhores por micro-região com o valor de R$ 30 mil para ser aplicado na implementação dos projetos sustentáveis. Estes terão direito a concorrer na segunda etapa ao prêmio único de R$ 105 mil, direcionado à construção de uma quadra esportiva abastecida com energia solar. “Eles têm muito potencial”, exaltou Catiele, referindo-se aos professores e seus alunos.

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