ANONIMATO. Jovens aderem à campanha mundial na rede social Twitter

Milhares de mulheres jovens e adolescentes se uniram para expor na internet relatos de violência, abuso sexual e relacionamentos abusivos que já viveram ou presenciaram. O movimento #Exposed é feito através do Twitter, e leva junto o nome da cidade em que moram. Em Montenegro a conta @ExposedMgo foi criada com o intuito de receber relatos e postá-los sem expor a vítima. Contas similares da região também foram criadas.

Esse movimento de exposição segue uma tendência que se fortalece entre as mulheres nos últimos anos: expor seus agressores e abusadores, geralmente homens, nas redes sociais, dando força umas às outras. Em Montenegro foram dezenas de denúncias de casos de estupros, abusos psicológicos e sexuais.

“M irmão da L me trancou no banheiro e me obrigou a pagar um boquete pra ele, ficou empurrando minha cabeça além de nas festas passar a mão na minha bunda. Ele ta namorando agora, coitado da namorada dele”, diz um dos relatos expostos.
E os casos de festa que acabam em violência não terminam. “Uns 3 anos atrás em uma festa, um pouco antes de me mudar para esteio, um garoto que me falaram ser J, me segurou pelo pescoço e ficou fofocando coisas perversas e o mesmo só me largou quando um amigo meu veio falar comigo… De lá nunca mais fui em festa alguma se ter ao menos 2 ou 3 pessoas para ficar junto a todos os momentos…”, diz outro.

Na conta, diversos relatos envolvendo o mesmo homem se repetiam. “Sobre L. Talvez não seja muito conhecido, vi que alguém já o expôs e mostrei para uma amiga que já havia namorado ele, a mesma conta que em poucos meses de namoro sofreu abuso psicológico por conta do ciúme possessivo e doentio, as vezes era até proibida de sair, tinha as redes sociais controladas e já chegou a levar tapa na cara e puxão de cabelo”.

“Obrigada @ExposedMgo porque aparentemente vocês me livraram de sair com um cara que estupra mina ??????”, agradece uma menina em seu Twitter. A conta de Montenegro foi criada nesse domingo, 31, e gerou muitas polêmicas. Já na segunda-feira, 1, ela foi derrubada. No outro dia, 2, já estava no ar novamente, porém nessa quinta-feira, 4, estava fora do ar de novo.

Relatos sobre as mesmas pessoas se repetiram. Foto: Reprodução Twitter


Denunciar formalmente é preciso!

Até o fechamento dessa edição nenhum Boletim de Ocorrência dos abusos mencionados na conta @ExposedMgo havia sido registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Montenegro. Segundo a responsável pela Deam, delegada Cleusa Spinato, a polícia está apurando a situação, porém, pede que as vítimas façam a denúncia formal para que a situação seja investigada e o agressor responsabilizado.

A delegada relata que a preocupação dos agentes de segurança com essas denúncias anônimas é pela segurança da sua veracidade. “Colocar em rede social é uma coisa que não tem controle. E se daqui a pouco alguém coloca o nome de uma pessoa que não tem nada haver, e aí? O estrago está feito, depois não tem mais concerto”, fala. Além disso, não tem como fazer o procedimento de investigação apenas com o que está na rede social.

No Twitter, algumas meninas declararam receio de denunciar e não terem crédito por não existirem provas concretas, porém, Cleusa alerta que o sistema é diferente. “A prova do delito sexual é feita de várias formas, porque o delito sexual ninguém vai fazer em um local cheio de testemunhas. É uma coisa da vítima com o agressor, então a palavra da vítima tem, sim, peso fundamental”. Em todos os casos que deixam vestígio, a delegada explica que são pedidos laudos, que garante o pagamento justo da pena pelo agressor. Também há avaliações psíquicas, necessárias e importantes para a avaliação.

A Delegacia Especializada do município possui inúmeros casos de violência sexual, que, de acordo com Cleusa, muitos já tiveram condenações e estão cumprindo a pena. “Mas as pessoas acham que não acontece nada, porque a gente não divulga. Se a gente colocar isso [na mídia], estamos expondo a vítima. Todos os processos ocorrem em total sigilo, para preservar a vítima.

A orientação é que a vítima procure a Delegacia e denuncie oficialmente. “A violência sexual acontece o tempo todo e isso tem haver também com uma questão cultural que é dessa violência contra a mulher, porque tem homem que não aceita não, tem homem que acha que a mulher tem obrigação, tem N situações. E como é que a gente vai mudar isso? Denunciando. A denúncia é fundamental”, completa.

A Deam de Montenegro fica localizada na Av. Júlio Renner, n° 2501. Além disso, há os atendimentos oficiais: ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência) e Disque 100, telefone para denúncia de casos de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Também é possível fazer o registro através da Delegacia Online pelo site www.delegaciaonline.rs.gov.br

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