As mulheres também mostram medo de se expor ao falar sobre o assunto. Foto:Internet

Uma pesquisa mostra que no Rio Grande do Sul, 43% das mulheres revelam preocupação em relação ao assunto

As mulheres estão com medo de perder o trabalho ao engravidar. A constatação é baseada em um estudo feito no ano passado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 247 mil mulheres, entre 25 e 35 anos de idade. A pesquisa mostrou que metade delas perdeu o emprego dois anos após a licença-maternidade.  O levantamento revelou também que a probabilidade de demissão após o período da licença, logo no segundo mês de retorno ao trabalho, é de 10%. Um levantamento mais recente, encomendado pelo site Trocando Fraldas, aponta que no Rio Grande do Sul, 43% das mulheres têm medo de perder o emprego por conta da maternidade.

Além do receio de perder a colocação, muitas mulheres sentem vergonha de relatar as situações vivenciadas. A reportagem do Jornal Ibiá conversou com várias mulheres que não quiseram dar seus depoimentos por medo da exposição pessoal.

Uma montenegrina, de 31 anos, que não quer ter seu nome divulgado, afirma já ter passado pelas situações descritas nas pesquisas. “Eu tive medo”, revela a jovem. O temor dela se concretizou ao retornar ao trabalho. “Na primeira empresa fui demitida quando o bebê fez seis meses”, conta.

Algum tempo depois, quando já estava estabelecida em uma outra empresa, a incerteza voltou a rodeá-la quando soube que, novamente, estava grávida. “Colocaram uma menina mais jovem para me substituir. Aí fiquei com mais medo, até que quando voltei a trabalhar decidi me demitir”, relata.

A mãe de do pequeno João, de 11 meses de idade, Letícia dos Santos, 26, ainda está se acostumando à rotina doméstica. Após três anos trabalhando como vendedora em uma loja, ela foi dispensada logo que acabou o período da Licença Maternidade. “Eles disseram que o movimento diminuiu e que não tinham como manter mais uma funcionária”, comenta Letícia sobre a justificativa recebida dos patrões.

Exemplos como esses justificam o desejo de 19% das entrevistadas de serem demitidas na hora de revelar a gestação, por conta de constrangimento de anunciar a gravidez no trabalho.

O estudo mostra ainda
* São Luís, Rio de Janeiro e Curitiba são as regiões em que o índice de medo de desemprego por gravidez é maior, com 46% e 48%, respectivamente
* O medo do desemprego após a maternidade é maior na faixa etária entre 18 e 24 anos, representando o percentual de 45%.
*43% das mulheres acreditam que o chefe não ‘aprovaria’ a gravidez
* Depois da volta da licença-maternidade, 28% das mulheres consideram difícil conseguir uma vaga para a criança na creche. As dificuldades são maiores nas regiões Centro-Oeste e Sul.
* Os estados Amapá, Acre e Amazonas, no quesito de mulheres com medo de perder o emprego, representam mais da metade do público feminino.

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