Júlia Hamann aprendeu a dirigir ainda na infância, sob o olhar do pai, e não se conforma com sua nova condição

Habilitada há 14 anos, Júlia Hamann foi impedida de renovar a Carteira de Habilitação devido a problema físico

A assistente de departamento pessoal do Hospital Unimed Vale do Caí, Júlia Hamann, 40 anos, teve sua rotina alterada ao tentar renovar sua carteira de habilitação. Após 14 anos dirigindo, no mês de fevereiro, ela foi impedida de revalidar o documento por causa de uma deficiência na mão esquerda. Agora ela luta na Justiça para recuperar a licença e voltar a conduzir veículos comuns. Contudo, para arcar com os custos do processo, ela precisa de ajuda e, para isso, criou uma “vakinha on line”.

A deficiência na mão acompanha Júlia desde o nascimento. Para ela, o problema afeta mais a parte estética do que a coordenação motora, portanto não é necessário fazer uso de carro adaptado. Júlia se apaixonou pelos veículos ainda muito nova. Incentivada pelo pai, com apenas 11 anos, aprendeu a dirigir moto. Na idade adulta, conquistou sua habilitação e logo realizou o sonho de ter sua própria motocicleta.

Em 14 anos, Júlia nunca se envolveu em acidentes ou cometeu infrações de trânsito

Depois da moto, batizada com o nome de Tina Turner, Júlia adquiriu seu primeiro carro, o fusca por ela chamado de Olaf. A condutora conta com orgulho que, em 14 anos circulando pelo Rio Grande do Sul e outros estados, como Santa Catarina, nunca se envolveu em acidentes tampouco cometeu infrações de trânsito. Porém esse argumento não foi aceito na hora de renovar o documento. A junta médica que avaliou o caso determinou que a moça não pode mais dirigir veículos comuns.

Júlia não se conforma com a decisão do laudo médico, tendo em vista os anos de experiência no trânsito e também por não ter condições financeiras para investir em um automóvel adaptado. “Eu fiz a minha habilitação em uma moto normal. Fui avaliada por um médico credenciado e por um examinador do Detran e passei. Além disso, fiz as aulas em um carro sem direção hidráulica e também passei”, conta.

Sem poder dirigir, Júlia depende dos amigos para levá-la até os locais onde precisa ir. “Eu sempre fui uma pessoa independente e não precisei envolver outras pessoas em minha rotina. A sensação é de completa incapacidade”, desabafa. Até ir para o trabalho ficou mais difícil para a funcionária do HU. Ela passou a acordar bem mais cedo e se locomover a pé.

Júlia criou “vakinha” on line para pagar advogado
Indignada com a situação, Júlia foi em busca de ajuda. Na Associação dos Motociclistas do RS, ela conseguiu apoio de um advogado. “Ele aceitou abraçar a causa e me defender. A gente vai lutar para tentar reverter essa decisão. Entramos com um processo e sabemos que vai ser demorado. Não sei como vou me virar até lá, mas é minha única esperança”, desabafa.

Além do emprego formal no HU, Júlia faz artesanato, mas isso não é suficiente para arcar com as despesas do processo. Pensando em como poderia conseguir recursos, surgiu a ideia de criar uma “vakinha” on line. “O valor da vakinha não é alto, mas pra mim é muito importante. Qualquer um pode participar, é bem simples e o site é de credibilidade”, avalia. Para colaborar com a campanha de Júlia, basta acessar o seguinte endereço eletrônico :www.vakinha.com.br/vaquinha/devolvam-a-cnh-da-julia?utm_campaign=facebook. As contribuições partem do valor mínimo de R$ 20,00 e o repasse pode ser feito via boleto ou cartão de crédito.

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