Marcelo Júnior estava na carona da motocicleta quando foi atingido pelo disparo. Foto: reprodução
Marcelo Júnior dos
Santos Teixeira. Foto: Facebook

BM instaurou inquérito para apurar conduta de policiais durante cerco

Marcelo Júnior dos Santos Teixeira, de 18 anos, morreu após ser baleado nas costas por disparo de arma de fogo efetuado por um policial militar, na madrugada de domingo, dia 10, no bairro Santo Antônio. O jovem estava na carona de uma motocicleta – suspeita por envolvimento com o tráfico de drogas – e que teria empreendido fuga após tentativa de abordagem.

Familiares e amigos alegam que “Marcelinho”, como era chamado, não tinha nenhum envolvimento com drogas. Já a polícia afirma que 39 pedras de crack, 130 gramas de maconha e uma balança de precisão estavam sendo transportados no veículo em que estava a dupla. O ilícito estava em uma mochila que teria sido dispensada pelo caminho. Mesmo com o amigo baleado, o condutor da moto continuou fugindo da polícia, parando somente porque um pneu do veículo furou. Os jovens não têm antecedentes criminais e no momento da abordagem não estavam armados.

O tio da vítima, Ivanildo Gonçalves, 42, relata que o sobrinho e o amigo foram a um posto de combustíveis no Centro para comprar refrigerante. O condutor da moto – conhecido do sobrinho há cerca de oito anos – não tinha Habilitação. Ivanildo não acredita na versão relatada pelos PMs. Para ele, a única coisa que Marcelo transportava era uma garrafa de refrigerante.

“Pode ter sido errado o motoqueiro ter fugido. Mas ninguém tem direito de dar um tiro por trás. Foi uma tocaia que fizeram pra eles. Apagaram as luzes e ficaram esperando eles”, diz o tio. O Comando Regional de Policiamento Ostencivo do Vale do Caí (CRPO/VC) instaurou Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias e a conduta dos policiais envolvidos no caso.

PM afirma que investigava presença da motocicleta
Conforme a Brigada Militar, a motocicleta já teria fugido de abordagem policial outras duas vezes. Todavia, ela pertence a um terceiro indivíduo, que não teve o nome informado pela polícia. Naquela noite, as guarnições da Força Tática do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), viram o veículo e, novamente, tentaram abordar.

Mas, o condutor não obedeceu a ordem de parada, chegando a passar no sinal vermelho para conseguir escapar. Imagens de câmeras de segurança, conseguidas pelo CRPO, mostram que em trechos do deslocamento as viaturas aparecem com o giroflex ligado. Para o comandante regional, tenente-coronel Márcio Luz, é possível que ao chegar no Santo Antônio, os PM’s tenham desligado para facilitar o cerco. O objetivo seria evitar que o condutor escutasse a sirene e fugisse.

Ao longo da perseguição, outras viaturas foram se somando à busca. O desfecho do caso só ocorreu na rua Waldemar Pedro Stefem. Segundo a Brigada Militar, lá uma das viaturas se posicionou de frente para a motocicleta. Os policiais teriam descido do carro e sinalizado para que a moto parasse. Mas isso não ocorreu. Ao contrário, teria aumentado a velocidade e partido para cima dos agentes.

Essa postura ofensiva teria motivado para os disparos. O comandante interino do 5º BPM, major Hélio Schauren, justifica que os tiros foram em legítima defesa. “O carona fez um movimento com a mão, e isso fez com que a soldado entendesse que ele fosse atirar nela. Nisso, o piloto jogou a moto por cima dela e ela atirou”, explica.

A emoção tomou conta dos familiares e amigos do jovem durante o sepultamento, ocorrido nessa segunda, 11

Testemunha fala sobre o caso
O morador do Santo Antônio André Assis diz ter testemunhado o momento dos disparos, e contesta a declaração dos PM’s. “Eu estava atrás da viatura e fui para trás de um caminhão para não ser atingido pelas balas. Quando a viatura fechou a moto, eles estavam indo em velocidade normal. Aí quando foram fechados pela viatura, desviam e aceleram”, afirma.

Ainda segundo a testemunha, o policial militar teria desembarcado do carro e começou a atirar nos ocupantes da moto. “Foi a queima roupa. Não foi legítima defesa”, diz o vizinho da família de Marcelo. Assis declarou, ainda, que a indignação é pela morte, mas também pelo rapaz ter tido a “honra manchada”.

Condutor da moto ficou em silêncio
O condutor da motocicleta foi levado para a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). Informalmente, ele disse ao delegado plantonista, Marcos Eduardo Pepe, que fugiu da abordagem por medo. Mas na hora de prestar depoimento, o jovem optou em permanecer em silêncio. Ele responderá acusação por tentativa de homicídio por ter jogado o veículo na direção da policial, por direção perigosa e tráfico de drogas. Por determinação da Justiça, responderá em liberdade.

Manifestação do Comandante
Questionado sobre o possível afastamento da agente que efetuou os tiros, o comandante regional, tenente-coronel Márcio Luz, disse que todos os policiais militares envolvidos em ocorrência em que haja disparos, são atendidos pelo Serviço de Assistência Biopsicosocial da BM. Neste setor, são avaliados antes de retornarem às suas atividades. Este atendimento irá ocorrer nos próximos dias.

Em relação às manifestações populares, o Comando Regional declarou que entende a comoção que toma conta da comunidade. “O que temos a dizer é que poucas horas após o fato, ainda na madrugada de domingo, instaurei o Inquérito Policial Militar (IPM), designando como encarregado o major subcomandante do 5º BPM para proceder as investigações e diligências sobre o ocorrido, para que tenhamos uma resposta rápida sobre tudo que ocorreu. Durante a madrugada e parte da manhã do mesmo dia os Policiais foram ouvidos no IPM e já foram solicitados ao Instituto Geral de Perícias os Laudos Periciais da vítima e balístico, bem como realizado a juntada, aos autos do procedimento, de imagens do videomonitoramento e de câmeras de segurança e ainda estão sendo ouvidas testemunhas”, informa o coronel.

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