Negrinha conseguiu sobreviver, mas ainda está fraca e não consegue se alimentar

ENVENENAMENTOS. Dois animais foram mortos em menos de 24 horas e um terceiro ainda corre risco

O período de mortes de animais por suspeita de envenenamento foi reaberto em Montenegro. Desta vez, o bairro São Paulo é o alvo da ação criminosa. A Associação Comunitária do bairro emitiu um comunicado no Facebook pedindo para que os moradores cuidem de seus pets. Somente em uma residência, três cães sofreram as consequências do ato criminoso. Apesar do grande número de relatos feitos nas redes sociais, em geral, as mortes não são levadas ao conhecimento da Polícia, para que inicie uma investigação.

Dos três animais que “adoeceram”, Negrinha foi a única a escapar com vida, mas ainda inspira cuidados

A dona de casa Neiva Loreci Martins, de 67 anos, mora na esquina das ruas Otávio Dias Ferraz e Caracol. Entre domingo, 13, e essa segunda-feira, 14, ela e a filha, que reside no mesmo terreno, perderam dois de seus animais de estimação.

Neiva conta que acordou cedo no domingo e escutou um gemido. Na hora ela pensou se tratar de um filhote. Ao ver o que estava acontecendo, ele se deparou com a cadelinha Menina, de um ano, jogada no chão. “Ela gritava de dor. Enchi meus olhos de lágrimas de ver o bicho daquele jeito”, relata Neiva.

Durante todo o dia, a família deu misturas caseiras, na tentativa de desintoxicar o animal. No final da tarde Menina não resistiu. “Fizemos injeção, massagem. Mas ela morreu. Largou um líquido marrom pela boca, o veneno que ela tomou foi muito forte”, acredita a dona de casa.

Na manhã de segunda-feira, outra cadelinha começou a passar mal. Ao perceber o olhar triste e a falta de forças do animal, Neiva tratou de levar Negrinha ao veterinário. “Ela estava com muita febre, o veterinário disse que isso acontece por causa do veneno”. O bichinho foi tratado e voltou para casa, mas ainda inspira cuidados. Sem se alimentar, Negrinha está cada dia mais fraca. Mesmo assim não dá para reclamar da sorte.

Quando Neiva chegou em casa, com Negrinha, foi informada pelo genro que Luna, a cadelinha de sua filha, também estava mal. “Ela tomava muita água. Acho que ela consumiu veneno no meu pátio, por que as outras duas cadelinhas deles não tiveram nada”, comenta Neiva. Luna não se salvou. “Não sei por que as pessoas fazem uma maldade dessas com os animais”, desabafa.

Um produto estranho foi encontrado na esquina da casa de dona Neiva e será levado para a Polícia

Polícia precisa de registros para investigar
Embora nas redes sociais haja vários relatos de possíveis envenenamentos, esse tipo de informação não tem sido levado até a Polícia. O setor de Investigações da Polícia Civil, da 1ª DP de Montenegro, há meses, não recebe nenhuma ocorrência deste tipo.

O vereador Talis Ferreira, que no ano de 2017 promoveu uma reunião para discutir o tema, afirma que não há outro caminho para solucionar o problema a não ser através dos registros de ocorrência. Mesmo assim, muita gente reluta em procurar a polícia. “As pessoas preferem reclamar na rede social a fazer a ocorrência“, observa Talis.

“Não tendo ocorrência não tem o crime, mesmo a gente sabendo que tudo aconteceu, a polícia trabalha em cima de dados. Vai na delegacia ou faz a ocorrência online, mas tem que ter ocorrência”, orienta.

Neiva encontrou uma garrafa pet com um pó branco, na esquina da casa dela, na dúvida sobre que substância é aquela, o material foi recolhido, e será levado para a delegacia.

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