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Vila Esperança. 38 famílias ganharam escrituras públicas após regularização fundiária das áreas que ocupavam

O clima de ansiedade era quase palpável na sede da Associação Comunitária do Bairro Senai/Vila Esperança na noite da última segunda-feira, 20. E por um justo motivo. Pessoas que haviam esperado por 10, 20 ou até mais de 30 anos pela regularização de seus lares viam-se a minutos de realizar seu sonho. Era a entrega das primeiras escrituras públicas, num processo que prosseguirá e deverá beneficiar 150 famílias.

Após a fala das autoridades presentes, um a um dos agora proprietários foram sendo chamados. Um abraço do prefeito Carlos Eduardo Müller, o Kadu, uma assinatura e os documentos em mãos. Atos simples, que, para alguns, levaram quase a vida toda. Como para a dona Enilda Ferreira, de 61 anos. Há 31 ela mora na rua Gravataí. Ao pegar o tão esperado documento, extravasou um pouco do sentimento há tanto guardado no peito. “Finalmente eu vou ser dona da minha casa”, disse para todos que estavam na sala.

Enilda Ferreira e Maria Laurinha da Silva estão felizes pela conquista

Enilda conta que chegou ali como muitas famílias e foi ficando. Teve oito filhos, mas hoje mora com apenas dois. Quando, enfim, pode pegar a escritura, toda a ansiedade transformou-se em felicidade. “É uma felicidade, enfim, é meu”, comemorou.

Conforme os nomes foram sendo chamados, outras histórias surgiam. Maria Laurinha da Silva, de 53 anos, mora há seis na rua Guaíba. Ela conta que veio de Triunfo junto do pai após comprar a residência, mesmo sabendo que ela não era regularizada. Vieram em busca de uma vida melhor. “Aqui tinha posto de saúde perto. A gente esperava que um dia regularizasse”, conta. Agora ela espera que a vida melhore. “Foi muito difícil. Mas agora, enfim, parece estar tudo regularizado. Esperamos que tudo melhore, volte a ter o posto de saúde e a gente viva melhor”, diz Maria. Ela sabe que junto da regularização vem a cobrança de imposto. E não se importa. Quer é viver com mais dignidade. “Tudo vai melhorar”, complementa.

Margarete Pedroso levou a filha, Ketlyn, para a importante solenidade

É o que também espera Margarete Pedroso, de 41 anos. Com a filha mais nova no colo, Ketlyn, de três anos, ela aguardava seu nome ser chamado. Há 20 anos moradora da rua Taquari, recorda que o processo se alongou por muito tempo, passando por várias administrações. “Não importa que agora a gente vá pagar imposto. Sendo da gente, tudo bem”, festeja. Ela vive com o marido, as duas filhas e um neto.

João Marcelino da Rosa destacou a importância das famílias agora regularizarem também as residências, quando passarão a recolher o IPTU

Além do prefeito, compareceram ao evento o secretário municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania, João Marcelino da Rosa; e o presidente da Câmara de Vereadores de Montenegro, Neri de Mello Pena, entre outras autoridades. Todos destacaram o importante momento às famílias. “A sensação hoje é de dever cumprido. Eu sei da ansiedade de vocês, assim como daqueles que ainda esperam. O objetivo é que todos tenham o seu certificado de propriedade”, disse Kadu.

Já o presidente da Associação de Moradores do Bairro, Elton Luis de Carvalho, apesar de também mostrar-se muito feliz, lembrou a necessidade de continuar a luta. “Eu quero agradecer em nome de todos. Esse é um dia importante. Assim como será quando os outros receberem as suas escrituras. Tem mais de 100 pessoas ainda esperando. É importante continuar”, destacou Carvalho.

Moradores têm 12 meses para registrar as residências
O documento recebido pelos beneficiários traz felicidade e, também, responsabilidade. Os moradores agora têm 12 meses para regularizar as residências. Isso significa que os lotes, agora legalizados, passarão a ter IPTU cobrado. “Fazer essa entrega hoje de 38 escrituras, mas que, no total, serão 150, é bom para o morador que realiza um sonho de décadas, mas também ao município, que passará a receber tributos dessas áreas”, destaca o secretário João Marcelino da Rosa.

Para essa fase da regularização, os agora proprietários dos lotes devem dar entrada na documentação junto à Prefeitura. “É muito tranquilo de fazer”, destacou o secretário. Marcelino lembra, ainda, que será dada continuidade ao processo. “Esses foram apenas os primeiros a ter toda a documentação finalizada”, conclui o secretário.

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