semi-asfaltada, a estrada Selma Wallauer é, atualmente, a maior queixa dos moradores do bairro Faxinal

Faxinal. Comunidade reinvidica melhorias nos serviços públicos, especialmente a conclusão da Selma Wallauer

moradora há 25 anos do Faxinal, Clarisse se queixa do excesso de pó

O trânsito de pessoas e cargas pesadas na estrada Selma Wallauer, na localidade de Faxinal, é constante. Assim como os transtornos relatados por quem mora nas redondezas ou simplesmente passa pela via pública com frequência. A via faz a ligação entre a Estrada Maurício Cardoso, próximo ao Parque Centenário, com a BR-470, o que justifica a passagem intensa de caminhões. E as obras de asfaltamento, interrompidas no final de 2015 pela empresa que venceu a licitação, ainda não foram retomadas.
Os problemas na localidade têm sido alvo de discussões na Câmara de Vereadores desde a interrupção da obra. Na última semana, os legisladores realizaram uma reunião na comunidade para ouvir os moradores. Mais de 80 pessoas participaram do encontro. E a estrada Selma Wallauer foi, de longe, a campeã de reclamações da comunidade.
Moradora na localidade há 25 anos, a dona de casa Clarisse Flach sofre os efeitos da poeira, tanto no acúmulo dentro de casa, situada às margens da estrada, quanto naquilo que ela considera ainda mais grave: os prejuízos para a saúde dos netos. O pequeno Clésio tem apenas um mês de idade e há preocupações da família quanto a doenças respiratórias.
A casa de dona Clarisse e das filhas dela fica a poucos metros de onde o asfaltou parou. “Eles disseram que o asfalto iria um pouco adiante de minha casa. Que decepção! Fica ruim para um adulto respirar, imagina para as crianças. Quando passa caminhão grande aqui, é triste. Já reclamamos pra todo mundo e ninguém faz nada”, lamenta a moradora, ansiosa por uma solução.

Novo morador, velhos problemas para serem resolvidos
Quem busca pela tranquilidade de uma vida no campo próximo à cidade identificou, no novo loteamento construído às margens da rodovia, a realização de um sonho. Mas não é bem assim. O operador de máquinas Giovani Gonçalves se mudou para o condomínio de casas no Faxinal há 30 dias e já tem de lidar com as adversidades impostas pela situação de abandono e a falta de investimentos públicos na região. A começar pelas más condições da iluminação pública. “Minha esposa vai trabalhar antes do sol nascer e eu chego em casa à noite. Isso aqui é uma escuridão. A gente se preocupa com a própria segurança. Nem adianta lavar o carro também, que no outro dia ele fica no mesmo estado. Levar e buscar o filho na escola do bairro também é um desafio em dia de chuva. Já fiquei preso em casa com lâmina d´água de 30 a 40 centímetros cobrindo a estrada. Se isso aqui fosse tudo asfalto, ia até desafogar as filas de carros que se formam nas rodovias nos horários de pico”, aponta o novo morador.
Dentre as situações consideradas desgastantes pela comunidade, há ainda questões ligadas ao abastecimento de água e à falta de esgoto. “Lá onde tem asfalto, o esgoto não é a céu aberto, colocaram tubulação. Precisa-se disso nos demais trechos também”, diz o freteiro Odair José da Silva, que diariamente circula de charrete pela estrada. Por outro lado, engana-se quem acha que os moradores do trajeto asfaltado vivem tranquilamente com os benefícios do “progresso”.

buracos encarecem a manutenção dos caminhões de Luis Antônio

Prejuízo nos negócios
Empreender na localidade também é um desafio. Com uma empresa de reciclagem há dois anos na região, os gastos com manutenção dos veículos impactam diretamente nas finanças do empreendimento familiar. Se com tempo seco os problemas são relacionados ao pó, a situação também é crítica quando chove. A cada nova precipitação, mais buracos surgem, enquanto outros crescem de tamanho. A erosão leva as cabeceiras e cria algumas voçorocas na pista de rodagem. Isso sem falar nos trechos que ficam completamente submersos.
“Temos quatro caminhões, além dos carros dos funcionários que trafegam diariamente por aqui. Quando chove, a estrada some. Fica tudo um rio só. Nosso custo com manutenção mecânica poderia ser até 30% menor caso as obras de asfaltamento fossem concluídas. São tantos os buracos que, vira e mexe, tenho que pedir para ‘puxar’ o eixo dianteiro do caminhão na oficina”, relata o empresário Luis Antônio Engel.

junto com asfalto, moradora ganhou poça d´água, mosquitos e fedor

O asfalto não chegou sozinho
O desvio de um córrego, através de galerias, e a canalização feita para que o curso de água cruzasse por baixo da estrada geraram novos problemas: acúmulo de água parada, o que ocasiona mau cheiro para as famílias que moram nas cercanias do córrego e a proliferação de insetos. “Eu avisei a eles que isso iria acontecer. Que haveria assoreamento nesses canos. Mas são engenheiros! Porque iriam me ouvir? Agora está aí o problema, essa água que fica empossada e não corre pra lado nenhum. Podre, com mau cheiro”, diz o morador Marco Lima.

A dona de casa Andreia Soares de Melo e as vizinhas também reclamam que o “braço morto” do córrego tende a inundar com as chuvas. “Como o córrego não passa mais por aqui, cresce o mato, cria mosquito e a gente não aguenta o cheiro que tem. Em dias quentes, a gente não consegue nem sentar na frente de casa por causa dos mosquitos. Acho que só colocando o encanamento pra resolver esse problema. Na frente da minha casa, empoça água em dia de chuva porque eles levantaram a estrada pra colocar o asfalto”, relata Andreia.

notas do executivo
A Secretaria Municipal de Viação e Serviços Urbanos informa que, em relação ao desvio do córrego no trecho asfaltado, há uma Licença Ambiental (L.A) que tem prazo até o dia 15 de abril. Quanto à Iluminação precária, a Secretaria se compromete em realizar o levantamento na região. Segundo a Administração, não há nenhuma solicitação da comunidade relatando o problema.

Já a Secretaria de Obras explica que o asfaltamento foi interrompido devido ao abandono pela empresa vencedora da licitação. O município já ajuizou ação contra essa empresa. Para a conclusão de toda a via, faltam cerca de dois quilômetros e 200 metros. O município deve incluir essa obra no Plano Plurianual (PPA) de 2018, e vai buscar recursos junto à União para o asfaltamento do que ainda não foi feito.

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