Sem paciência. MP ajuíza Estado e moradores trancam ERS411. Rodovia 287 também foi fechada

A Promotoria de Justiça Especializada de Montenegro ajuizou na quinta-feira, dia 16, uma ação civil pública contra o Estado do Rio Grande do Sul e o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). A motivação foi em razão das péssimas condições de trafegabilidade no trecho de Montenegro da ERS-411. No dia seguinte, moradores da Costa da Serra interromperam o trânsito por uma hora, como forma de protesto.

Na ação, assinada pela promotora de Justiça Daniela Tavares da Silva Tobaldini, o Ministério Público (MP) pede, em liminar, que a Justiça determine ao Daer a manutenção da via em prazo de 30 dias. A estrada fica entre a localidade de Costa da Serra e o município de Brochier. O órgão de Justiça alega que, em virtude das más condições de manutenção, há risco de acidentes, além prejuízo na locomoção dos moradores da região. A Promotoria de Justiça já havia encaminhado dois ofícios ao Daer solicitando a solução do problema, em dezembro do ano passado e março deste ano, porém sem sucesso.

A Prefeitura de Montenegro já havia protocolado ofício (240/2018) na Promotoria, em dezembro do ano passado, pedindo que Governo do Estado e autarquia fossem convocados para uma reunião a fim de “equacionar a situação no mais breve prazo possível”. A preocupação era especialmente com a segurança dos cidadãos. Não obstante a este ato, o prefeito Carlos Eduardo Müller foi muito criticado por não ter comparecido no protesto da Costa da Serra.

Prefeitos classificam como desrespeito
No local, estavam os prefeitos de Brochier, Clauro Josir de Carvalho, de Maratá, Fernando Schrammel, além do atual presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio Caí (Amvarc), o prefeito de Pareci Novo, Oregino José Francisco. Em consonância com os prejuízos e perturbações que afetam os moradores, os chefes do Executivo ressaltaram os danos econômicos às cidades. O protesto reuniu cerca de 100 pessoas, tendo sido marcado pelo atrito entre protestantes e um motorista, que exigia passar. O sujeito ameaçou avançar sobre o grupo, então foi abordado pela Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e autuado de forma administrativa ao se negar a realizar teste de Bafômetro (Artigo 165/A do CBT).

O péssimo estado de conservação da ERS-411 se agravou a partir de outubro do ano passado quando, poucas semanas após iniciada, a obra de recuperação asfáltica foi paralisada. No trecho de cerca de dois quilômetros – até acesso a Vapor Velho – ficaram diversos pontos com piso aberto até a base. No último mês, o Daer quitou as pendências financeiras com a Construtora Giovanella e solicitou que retomasse a obra.

Como os serviços ainda não foram reiniciados, na sexta-feira passada, dia 10, o Departamento oficiou a empresa e agora aguarda a manifestação da mesma para a retomada dos trabalhos.

Travessia da RSC-287 foi reivindicação
No mesmo horário, jovens, adultos e idosos estiveram unidos pela segurança na travessia da RSC-287. Com o auxílio de viaturas da PRE, moradores do Panorama se reuniram na entrada do bairro e caminharam em direção ao Santo Antônio, no trevo de acesso à rua Ramiro Barcelos (posto Ipiranga), onde mais manifestantes já se encontravam. O trânsito desviado pela pista lateral.

Um dos organizadores da manifestação na RSC-287, Airton de Quadros, presidente da União Montenegrina de Associações Comunitárias e morador do bairro Panorama, estava desde o início mobilizando todos para participar e reivindicar uma travessia segura. Com o projeto de melhoria da RSC-287 realizado pelo DAER e Prefeitura, Airton mostrava a todos a proposta esquecida. “Atualmente a RSC-287, não contempla quem está de a pé, então todo mundo ajuda as crianças a atravessarem. Nós nos preocupamos com a nossa segurança, mas aqui está impossível. Quando trouxemos um guarda para auxiliar, dois dias depois, ele foi demitido”, desabafa Airton.

De forma pacífica, os manifestantes usaram faixas sinalizando travessias de pedestres e também cartazes como sinaleiras de trânsito. Antonio Kuncler, morador do bairro Panorama há 33 anos, diz que até uns 10 anos, o movimento era mais calmo. “Quando preciso atravessar tenho que esperar muito tempo. Me preocupo que algo aconteça, imagina se uma criança morre acidentada”, constata Antonio.

Uma das grandes preocupações na travessia é o horário de entrada e saída das escolas, quando as crianças precisam atravessar a faixa com trânsito intenso. Adriana Lassem, moradora do Panorama, precisa levar o filho todos os dias para a aula, na Escola Walter Belian. “Eu e meu esposo atravessamos ele todos os dias, no início da tarde e às 5h também. Não deixamos ir sozinho e nem com colegas”, fala a mãe preocupada.

Para quem atravessa a RSC-287 mais vezes durante o dia, o perigo é maior. Carini Bombardelli, realiza quatro travessias ao dia, e garante que a maior parte dos condutores anda em alta velocidade, inclusive no horário de saída das escolas. “Eu acho essa manifestação bem válida, porque tem vezes que nós preferimos fazer o caminho mais longo para não precisar atravessar a faixa, demora muito”, comenta.

As manifestações pelo desenvolvimento da via ocorrem há, no mínimo, três anos. Além da preocupação com a vida dos pedestres, a RSC-287 também preocupa motoristas, sendo recorrentes os acidentes.

Reportagem: Reinaldo Ew e Marielle Gautério

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