Os seis representantes da cidade na disputa por uma vaga na Assembleia e na Câmara não alcançaram seus objetivos

Pela terceira eleição seguida, Montenegro não terá um representante na Assembleia Legislativa. Chacall, Márcio Müller, Nei da Kombi e Waldir Kleber não conquistaram votos suficientes para representar na cidade. Os de Paulo Azeredo (7.724 quando haviam sido apuradas 99,82% das urnas) sequer foram considerados válidos, já que sua candidatura está impugnada, aguardando decisão sobre recurso judicial. Também o comunista Rodrigo Corrêa não conseguiu alcançar seu objetivo de ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Ontem, seguindo uma tendência que se verificou na maioria das cidades brasileiros, os eleitores de Montenegro votaram em peso na candidatura de Jair Bolsonaro para a presidência da República. Ele colheu 19.029 votos na cidade, que representam 55,01% do total, contra 6.623 (19,15%) do segundo colocado, Fernando Haddad. O terceiro, Ciro Gomes, teve a confiança de 3.864 montenegrinos, que somam 11,17% dos votantes. Os brancos somaram 1.446 e os nulos, 1.359 votos.

Para o governo do Estado, a maioria preferiu Eduardo Leite, do PSDB, que fez 11.328 votos (35,60%), contra 10.067 (31,64% ) do candidato à reeleição, José Ivo Sartori (MDB). Miguel Rossetto, do PT, levou 4.816 votos, que correspondem a 15,14% do total. Os votos brancos foram 2.556 votos e os nulos, 2.752.

Rodrigo Corrêa diz que está satisfeito
Único candidato de Montenegro a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, pelo PCdoB, Rodrigo Corrêa alcançou 892 votos. Sua campanha foi pautada pelo diálogo com a população de Montenegro e região para que o Vale do Caí tenha uma representação em Brasília. Rodrigo também tem trabalhado bastante em movimentos sociais da cidade.

O candidato avalia o pleito como satisfatório. Por mais que não tenha alcançado a sua meta, Rodrigo Corrêa diz que sua campanha foi humilde e familiar. Além disso, aponta que o cenário adverso à política e a rejeição do eleitor à esquerda tem contribuído para a baixa expressão de votos. “Tive pouco apoio durante a campanha, mas os meus votos, se analisados para o cenário local, renderiam uma vaga como vereador”, aponta. O candidato pretende avaliar vários pontos sobre seu futuro político.

Votos conquistados “na raça”
Nei Aguinaldo Allende Garcia, o Nei da Kombi, de 40 anos, ingressou na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo PROS, o Partido Republicano da Ordem Social. Mesmo não se elegendo com os 420 votos conquistados nesta eleição, para deputado estadual, conta que ficou satisfeito com o resultado.

“Para a primeira eleição, estou contente. A minha campanha foi no “corpo a corpo”, então todos esses votos foram conquistados na raça. Tive problema com falta de verba para financiar a campanha e meu material chegou muito atrasado. Consegui entregar na reta final e, consequentemente, sobrou muita coisa. Também não consegui fazer as visitas no interior, que eu pretendia”, relata.

Sem colocar muitas expectativas para a votação deste ano, relata que, por enquanto, não pretende pensar em outras candidaturas. “Tenho que analisar o que vem pela frente. Conversar com a família. Mas, por hora, não tenho nenhuma pretensão”, termina.

Kleber agradece a confiança da população
Em seu primeiro pleito eleitoral, o candidato a deputado estadual Waldir João Kleber alcançou 4.609 votos. Admitindo saber que não seria fácil chegar à Assembleia Estadual, o médico conversou com a reportagem do Ibiá e se disse agradecido pela confiança que recebeu da comunidade do Vale do Caí nessa sua primeira investida na vida pública. “Essa é a primeira vez que entro numa disputa política. Nunca tive cargo público. E por isso não tinha uma expectativa clara”, destaca. “Se tivéssemos voto distrital, seria mais fácil que a nossa região tivesse o seu representante”, conclui.

O médico urologista, que já foi presidente da Unimed Vale do Caí e da Associação Comercial Industrial e de Serviços (ACI de Montenegro e Pareci Novo) em duas gestões e, desde a juventude, é militante do PMDB, atualmente denominado MDB, não descarta uma nova candidatura para daqui a dois anos, quando serão disputadas eleições para prefeito e vereador. Porém, afirma ser muito cedo para pensar a respeito e deixa claro que essa definição não lhe cabe. “Em dois anos, muito pode mudar em se tratando de política. Não depende de mim. Tem o desejo do partido e as coligações feitas”, conclui Waldir João Kleber.

“Chacall” desiste da política

A eleição de domingo foi o último ato de Adairto da Rosa (PV), o “Chacall”, na política, segundo o candidato. Ele já havia tentando uma cadeira na Câmara de Vereadores uma vez e o Palácio Rio Branco, duas. Com 3.266 votos, o sonho de uma vaga no parlamento gaúcho passou bem longe de se tornar realidade.

“Não vou concorrer mais. O povo não se ajuda aqui em Montenegro, sabe? Não adianta. Não tem como botar a cara a tapa do jeito que botei. Falei, gritei, ‘esperniei’ para mostrar a realidade, que as coisas não estão as mil maravilhas, e os caras vão lá e votam em gente que não é daqui”, comenta, lamentando o fato de Montenegro e região continuarem sem um representante na Assembleia.

Chacall se diz, por outro lado, feliz com o apoio recebido. Também afirma ter vontade de conhecer pessoalmente e abraçar cada uma das pessoas que digitaram o seu número na urna eletrônica.

Márcio lamenta falta de representantes do Vale

Márcio Müller, candidato a deputado estadual pelo Solidariedade, fez 1.346 votos nesse dia 7 de outubro. Segundo o candidato, apesar de pouco expressiva, o número condiz com o valor investido na campanha. “Eu investi em torno de R$ 15 mil. Está dentro do esperado, porque, se investe pouco, se faz pouco. Foi uma campanha super modesta”, afirmou.

O candidato lamenta o fato de nenhum candidato da região ter sido eleito. “Eu fico sentido que o Vale do Caí ficou, mais uma vez sem representante. É uma pena que os eleitores não tenham entendido a importância de ter um representante daqui”, desabafa.

Sobre os resultados para governador do Estado e presidente da República, Müller relatou que já aguardava o segundo turno com disputas entre Eduardo Leite e José Ivo Sartori, e Bolsonaro e Haddad, respectivamente. “O que preocupa é que, em nível nacional, as duas candidaturas são radicais. Espero que as pessoas escolham com sabedoria”.

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