Lindiomar da Silva de Ávila foi encontrado morto do lado de fora da casa onde morava

INDICADOR da violência é maior que o registrado em 2018. Tráfico e Abigeato são responsáveis pela elevação

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP/RS) revelam que, de janeiro até o final de setembro deste ano, Montenegro e Triunfo já registraram mais mortes do que nos 12 meses de 2018. Em geral, os homicídios estão relacionados aos crimes de tráfico de drogas e abigeato. O acréscimo de óbitos chama à atenção, mas a Polícia Civil apresenta resultados positivos na elucidação desses crimes.

Delegados Lúcio Melo, de Triunfo, e André Roese, de Montenegro, concordam que tráfico está diretamente relacionado ao aumento dos casos

Em 2018, Montenegro teve três homicídios dolosos, ou seja, aquele tipo de assassinato onde o autor teve a intenção de tirar a vida da vítima. Já em 2019, até os últimos dias de setembro, foram registradas cinco mortes, todas já esclarecidas. Em Triunfo, foram nove casos de violência, com total de 12 mortes, cinco a mais que no ano passado. A boa notícia é que 75% dos casos já foram elucidados pela Polícia.

Para o delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Montenegro, também responsável pela Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, André Roese, é preciso ponderar que dois dos assassinatos ocorridos na cidade foram no confronto, no qual morreram o escrivão de polícia, Edler Gomes dos Santos, 54 anos, e o indivíduo que atirou nele, o que é considerada uma situação fora do normal, e que não se enquadra dentro dos indicadores do crescimento da violência. “Quando se faz essas análises criminais, se retira essas situações atípicas”, explica o delegado.

Em relação as outras três mortes, André comenta que a cidade apresenta um quadro relativamente tranquilo, tendo em vista que por aqui, no período, não há registros de crimes como feminicídio, roubo seguido de morte ou perseguição por gênero e raça. “Estamos em uma situação bem semelhante ao ano passado e estamos indo para o fim do ano. Então não há um aumento alarmante dos casos de homicídio”, considera.

Delegados Lúcio Melo, de Triunfo, e André Roese, de Montenegro, concordam que tráfico está diretamente relacionado ao aumento dos casos

Sobre as mortes registradas em Triunfo, o delegado Lúcio Melo, responsável pela DP do minicípio, diz que é dificil apontar um motivo específico para o aumento dos homicídios. O que se verifica é uma pluralidade de fatores. “Na contramão da queda dos índices apurados no Estado do RS como um todo, Triunfo teve um aumento significativo nos número de vítimas”.

A morte de quatro membros da mesma família, ocorrido em janeiro, aparece como fator que impacta negativamente a estatística. Vale destacar, segundo o delegado, que o fato foi esclarecido, resultando na prisão do responsável pelo crime e decretação de sua prisão preventiva pelo Poder Judiciário. “Com relação às investigações, posso dizer que mais de 75% das mortes já estão plenamente apuradas e que as demais estão bem encaminhadas”, relata. Para o delegado, o êxito das investigações se deve ao trabalho em equipe realizado pela Delegacia de Polícia de Triunfo, 1ªDPRI Montenegro, e Brigada Militar.

A atuação das facções, no entanto, tem esbarrado no trabalho que vem sendo realizado pela Polícia Civil em ambos as cidades do Vale do Caí. Em 2019, Graças às ações do setor de inteligência e de repressão, a Delegacia de Polícia de Triunfo, realizou 29 operações policiais e 93 prisões, com mais de 18 quilos de drogas retirados das ruas. “e seguiremos trabalhando com vigor em prol da segurança da sociedade, das nossas famílias e dos cidadãos da nossa cidade e região”, conclui Lúcio.

Gatilhos disparados pelo Tráfico
Para o delegado André Roese, fica evidente que as mortes em Montenegro envolvem confrontos de facções. “Os três casos elucidados apontam para o conflito do tráfico de drogas”, destaca. Portanto, para André, o município ainda apresenta um cenário tranquilo, se comparado a outras cidades. “Não vejo crimes tão graves para que se possa dizer que Montenegro não é uma cidade segura”, avalia o delegado.

O desaparecimento do jovem Vínicius dos Santos, de 17 anos, não está contabilizado entre as perdas, isso porque, até o momento o corpo não foi localizado. E, conforme a Polícia, ao que tudo indica, esta situação também está ligada ao tráfico.

Já em relação a Triunfo, o delegado Lúcio Melo acrescenta que, assim como em Montenegro, sem sombra de dúvidas, o crescimento do tráfico de drogas é o principal fator de aumento da criminalidade e de ocorrência de outros crimes, como furtos, quer seja pela disputa de pontos de tráfico entre as organizações criminosas, ou pela cobrança de dívidas e aumento das animosidades pelos traficantes.

Homicídios dolosos em Montenegro
No dia dois de abril, Vitor André Couto Pereira, de apenas 17 anos, teve falência total dos órgãos, após ter sido espancado e largado em uma valeta. O crime ocorreu em 27 de março, na localidade de Costa da Serra.
Na noite de 1º de junho, Leandro de Melo Mateus, de 30 anos, foi atingido por seis tiros. O crime ocorreu na rua Ernandes Azevedo Fernandes, esquina da Benjamin Alves Barreto, no bairro Aeroclube, em Montenegro.
No dia 29 de junho, Cristiano Telles de Castro, de 30 anos, saía de uma festa quando um veículo passou e efetuou três disparos que o acertaram.  O homem foi socorrido pelo Samu e levado ao Hospital Montenegro, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.
Já na manhã de 16 de julho a operação “Dia D Combate aos Crimes Rurais” cumpria mandados de busca e apreensão, na localidade de Potreiro Grande, próximo à Estrada da Pedreira Velha, quando o escrivão Edler Gomes dos Santos, 54 anos, foi vitimado em confronto. O suspeito de atirar no policial Cláudio Roberto Narde, 59, também acabou morto.

Homicídios dolosos em Triunfo
Os primeiros homicídios registrados este ano em Triunfo, ocorreram na localidade de Barreto. No dia 9 de janeiro, a família Borges perdeu quatro de seus membros. Mãe e filhos foram mortos por um vizinho.
Cinco dias depois, uma nova morte mexeu com a comunidade local. Miguel Honório da Rocha, de 61 anos, foi atingido por disparo de arma de fogo. O crime aconteceu na localidade de Tapera Queimada, Rodovia TF-130. Ainda em janeiro, outros dois casos deram indícios de que este seria um ano complicado para os triunfenses.
Nos dias 20 e 26, duas novas mortes foram constatadas. Lauri Valnei Freitas Gonçalves, 55, e Doracy Anjolin, 82, também foram vítimas de mortes trágicas. Lauri foi morto quando transitava de bicicleta pela BR-470, na localidade de Barreto. Doracy foi morto por arma de fogo e a suspeita é de latrocínio. O crime ocorreu na chácara onde o idoso morava, na localidade de Piedade. Passados três meses, quando a população já estava mais tranquila, um novo homicídio foi registrado.
Dessa vez, a vítima foi Lindiomar da Silva de Avila, 19. Ele foi morto com diversos tiros e o corpo encontrado no pátio da casa morava, na localidade de Baixadão, na Coxilha Velha. O crime ocorreu no dia 16 de abril.
Já em maio, dia 3, o montenegrino Givan Azevedo Trasel, 36 anos, morador do bairro Santo Antônio, apareceu assassinado na localidade de Morro do Marinheiro, interior de Triunfo,
Raul Corrêa Duro, 53 anos também teve um final trágico. Ele foi morto a tiros na sala de sua casa, num local conhecido por ser ponto de tráfico. O caso ocorreu por volta das 22h, na Vila dos Morenos, no dia seis de junho.
Também no mês seis, no dia 27, um corpo carbonizado foi encontrado na “Praia Grande” da localidade interiorana de General Neto, às margens do Rio Jacuí.
E no dia 21 de julho, Adelmo Rodrigues de Feitas, de 46 anos, foi morto a facadas na frente de uma casa.

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