Em maio, o pedestre José Carlos Fagundes, de 72 anos, foi atropelado em Santos Reis. Fotos: arquivo JI

RISCO NAS RODOVIAS. Atenção redobrada é fundamental para manter a segurança

De janeiro até julho deste ano, Montenegro registrou, nas rodovias federais e estaduais, o mesmo número de atropelamentos a ciclistas, e dobrou o de pedestres, na comparação com todo o ano passado. Dados do Detran/RS e da Polícia Rodoviária Estadual mostram essa realidade. Especialista em questões do trânsito, o coronel da reserva da Brigada Militar, Edar Borges Machado, explica o conjunto de elementos que potencializa os riscos de acidentes, e orienta sobre os cuidados que se deve ter ao circular por esse tipo de via.

Nos 12 meses de 2019, foram registrados dois acidentes que vitimaram ciclistas nas rodovias no entorno do município – um deles ocorreu no dia 27 de fevereiro, na ERS-124 e vitimou João Vitor de Matos dos Santos, de 17 anos; a outra vítima é Luís Paulo Branco dos Santos, de 30 anos. Ele morreu na BR-386, próximo à localidade de Vendinha. Luís andava de bicicleta quando foi atropelado por um caminhão. Dois atropelamentos a ciclistas também foram registrados em 2020, só que em apenas sete meses do ano, ou seja, num período menor que no ano passado. O primeiro deles aconteceu no dia 29 de fevereiro, na RSC-287, na altura do bairro Panorama. Juarez Rocha Neto, de 26 anos, morreu no local. No dia 14 de julho, Olavo Andara de Oliveira, de 65 anos, foi atropelado no quilômetro 412 da BR-386.

O registro de atropelamentos a pedestres superou o ano anterior. Até julho foram duas mortes, frente a uma registrada no ano passado. Em 19 de maio deste ano, José Carlos Fagundes, de 72 anos, perdeu a vida na Estrada Geral de Santos Reis, interior de Montenegro. No começo da noite de 17 de julho, o pedestre atropelado foi Tiago Souza, de 29 anos. O rapaz foi atingido por um automóvel na RSC-287, nas proximidades da localidade de Muda Boi.

Para o coronel Edar Borges Machado, um perímetro urbano cercado por rodovias, por si só, potencializa o risco de atropelamentos. Por isso, todos os indivíduos devem zelar pela própria segurança e dos demais.

Dê preferência à circulação em local seguro
Segundo o artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro, o lugar da bicicleta é na ciclovia. Se não há pista apropriada, o ciclista deve andar às margens da rodovia ou até na pista principal, sempre seguindo o sentido da via. As bicicletas devem ser vistas pelos condutores dos outros veículos, bem como o próprio ciclista. Por isso a importância do uso de equipamentos sinalizadores.

Em relação aos pedestres, ao deslocarem-se por rodovias, é fundamental respeitar o limite do acostamento e mesmo assim estar atento a eventual ingresso de automóveis no mesmo.
Atenção redobrada ao andar em vias com más condições de circulação
O trânsito é algo complexo que envolve diversas figuras e diferentes reações a cada ação. “A rodovia tem veículos de passeio, de carga, de transporte de pessoas, veículos de tração animal, de propulsão humana e pedestres. Temos motoristas bem habilitados, com habilidade, outros inexperientes, motoristas com pressa, outros com dificuldades por diversos fatores, enfim. É necessário que os motoristas ao dirigirem em um local com essas características, redobrem cuidados”, orienta Edar Borges. “Os ocupantes desses espaços, como ciclistas, pedestres, devem ter muito mais cuidado e consciência de que estão transitando em um local que oferece risco pela sua complexidade”, acrescenta.

Para o coronel da reserva, as condições de conservação das rodovias são importantes, porém não são fatores determinantes para que ocorram acidentes. “A curva não é perigosa, ela pode ser mal desenhada, mal projetada, mal pavimentada, mas ela não tem vontade própria. São as pessoas que usam esses espaços indevidamente. Claro, a falta de acostamento, ou o acostamento ineficiente, gera um potencial para acidentes, mas são os seres humanos que estão no controle”, conclui o especialista.
Para o comandante da PRE, Aldo Vinícius Lisboa, a circulação de bicicletas e pedestres em rodovias é legal. Contudo, mesmo seguindo atentamente ao que diz o CTB, redobrar a atenção é o que vai garantir o deslocamento seguro e a volta do cidadão para sua família.

Casos recentes chocaram a comunidade
Entre os dados que ainda não foram contabilizados pelos órgãos de trânsito, encontra-se o atropelamento do seu Gregório Tur, de 75 anos. Ele faleceu no dia 14 deste mês, quando retornava para casa, no bairro Estação, pela ERS-124. Conforme informações obtidas no local, o idoso teria sido atingido por um caminhão ao desviar de um buraco no acostamento.

Uma semana após a morte de seu Gregório, no dia 21, o atropelamento do pequeno Cassiel Gass do Bonfim, de quatro anos de idade, comoveu Montenegro e cidades da região. A tragédia ocorreu no quilômetro 17 da ERS-124, próximo da Estação de Tratamento de Água da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). A mãe do garoto, Débora Cristina Cardoso, o filho saiu correndo de dentro do pátio sem dar tempo para ser pego e ingressou na rodovia. “Foi espontâneo, não sei o que se passou na cabeça dele”, relata Débora.

Gregório Tur, de 75 anos, faleceu no dia 14 deste mês na ERS-124

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