Foto: Arquivo pessoal

Dia dos Pais. Marcelo Schu faz tratamento contra leucemia e Isabella não podia ir vê-lo pelo risco de infecções

O montenegrino Marcelo Schu, 28 anos, ficou 28 dias sem poder abraçar a filha Isabella, de 4 anos. Isso é muito. Algumas vezes, um dia longe dos pequenos já dá uma baita saudade. Ele está internado no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, para enfrentar pela segunda vez o tratamento contra a leucemia promielocítica aguda.

O tratamento inclui quimioterapia, deixando a imunidade bastante baixa. Marcelo está na oncologia hematológica, onde todos os pacientes são considerados graves. Por isso, devido ao risco de infecções, há um controle rígido do acesso de pessoas, sendo permitida a entrada de um acompanhante por vez.

Até sexta-feira, 9, a pequena ainda não tinha sido autorizada para visitar o pai. Se viam somente através de chamadas de vídeo, separados pela frieza das telas dos celulares. A expectativa de, se poderia ou não haver o tão esperado encontro, tomou conta de toda a família. Quando ouviram o “sim” da instituição de saúde, a felicidade foi imensa.

Isabella entrou no quarto onde Marcelo está internado acompanhada do avô paterno, Rodolfo Schu, carregando nas mãos os presentes feitos da escolinha para ele. Ao ver o pai, ela acelera o passo e chega rápido ao tão esperado abraço. “Foi lindo. Ela ficou grudada nele o tempo todo. Só perguntava quando ele iria pra casa.Todas as enfermeiras ficaram encantadas. Não teve com não se emocionar. Agora, ela só fala em ir de novo”, revela a esposa de Marcelo e mãe da pequena, Nicolle. O marido não tem previsão de receber alta. “Estamos com fé que vai dar tudo certo. É bom ver ele assim feliz como hoje (domingo). Dá um novo ânimo. Renova as energias pra ele seguir firme”, completa.

No domingo, 11, os pais de Marcelo, Rodolfo e Beatriz Nogueira Cézar, e os irmãos Joana e Samuel também estiveram presentes. “Estamos todos ansiosos, porque depois, quando ele ficar estável, os irmãos já vão começar a fazer os testes de compatibilidade para um possível transplante de medula”, ressalta Nicolle, esperançosa. Marcelo tem mais dois irmãos: Juliano e Vanderlei.

Schu tem encarado o problema de frente. O apoio recebido da família, amigos e até desconhecidos, deixa o jovem ainda mais firme na luta. Muitos têm contribuindo doando sangue ou financeiramente para o tratamento.

“Na primeira vez, ele também precisou de doadores de sangue e, prontamente, os amigos,conhecidos e a família lhe deram o apoio que precisava. Ele está confiante novamente, de que vai vencer esta doença mais uma vez, sim”, acredita a irmã dele Joana.

Jovem descobriu a doença em 2017
Marcelo Schu descobriu a doença, em 2017. Estava fazendo um tratamento de canal e, certa manhã, acordou com o travesseiro todo ensanguentado. Depois, escarrou sangue e notou pequenas manchas em um das pernas. Então, buscou atendimento na emergência do Hospital Montenegro, onde foi atendido por um oncologista do Hospital Conceição em Porto Alegre, que estava de plantão no HM. Após alguns exames, foi dado o diagnóstico da doença.
O rapaz foi internado no Conceição, onde permaneceu por 36 dias, para tratamento. Depois de receber alta, continuou sob cuidados médicos e, regularmente, ia até a instituição para fazer o exames da medula e outros de rotina. Tudo apontava para grandes chances de cura. Inclusive, fez exame sangue e tudo estava normal.A médica passou o intervalo entre uma consulta e outra de dois para três meses. Contudo, infelizmente, os sintomas da doença voltaram.

Marcelo, Isabella e Nicolle. Foto:arquivo pessoal

Saiba como ajudar o Marcelo a vencer
Para seguir travando esta árdua batalha contra a leucemia, Marcelo Schu e a família dele contam com a ajuda das pessoas. Frequentemente, precisa de doadores de sangue e também da contribuição da comunidade para comprar a medicação trióxido de arsênio, cujo o valor é de cerca de R$ 80.000,00 e não está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, a família tem outros gastos, como de transporte de Montenegro para Porto Alegre.
Quem deseja doar sangue pode entrar em contato pelo telefone (51) 99737-1276. O Município colocou à disposição uma van para levar os interessados uma vez por semana a Porto Alegre. Pelo número, é possível saber o dia e o horário da partida e reservar um lugar. O veículo sai da Assistência.
Depósitos de qualquer valor podem ser feitos na Caixa Econômica Federal: agência 0530, conta 30858-7, Mateus Schu, CPF 02597967000 caixa econômica federal. Será realizada prestação de contas.

No dia 1º de setembro, também haverá a Trilha do V8, organizada pelos Trilheiros do Brejo e Tatu Trilha, em benefício de Schu. V8 é o apelido de Marcelo dado por seus em alusão à moto que ele tinha antigamente, que consumia muita gasolina, semelhante a um carro com este motor. O evento será em Catupi, na divisa entre Montenegro e Triunfo, com saída prevista para as 8h30min. A inscrição custa R$ 50,00, com salsichão com pão de almoço. Haverá sorteio de brindes. Mais informações pelo (51) 99847-3410.

O Trilheiros do Brejo é um grupo de amigos criado em 2005, do qual Marcelo faz parte há cerca de três anos, para andar de moto nos finais semana. Os 20 integrantes não organizam eventos ou tem algum objetivo de lucrar. São apaixonados pelo esporte e se reúnem para praticá-lo. A mobilização deles já conseguiu mais de 40 doadores de sangue. “Quando ficamos sabendo que o V8 estava enfrentando novamente a doença, resolvemos ajudar de algum modo. Aí, quando soubemos que ele precisava de uma medicação que custava R$ 80.000.00, conversamos entre os integrantes e resolvemos fazer um evento beneficente para nosso parceiro”, comenta Fabio Souza, o Fabinho, um dos integrantes do Trilheiros do Brejo. Ele lembra o fato de 100% do valor arrecadado será repassado ao amigo e parceiro de aventura.

Alguns empresários também foram parceiros na organização.

Leucemia promielocítica aguda
A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo da leucemia mieloide aguda que costuma acometer jovens e adultos.Sua principal característica é a superprodução de células imaturas (que acabaram de nascer), também conhecidas por blastos (tipos de glóbulos brancos, responsáveis por combater as infecções). Elas passam a se desenvolver de forma descontrolada e param de desempenhar sua função, a de proteger o organismo contra as bactérias, vírus. Em grande quantidade na medula óssea, bloqueiam a formação dos demais componentes do sangue (glóbulos vermelhos, responsáveis pela oxigenação do corpo, e plaquetas, que impedem as hemorragias). Por isso, sangramentos persistentes podem ser um sintoma comum. Por ser uma leucemia aguda, as células afetadas são aquelas que acabaram de nascer no organismo (imaturas). Com isso, elas não conseguem trabalhar corretamente e ainda se multiplicam rapidamente dentro da medula óssea.

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