Muito atuante, Gelson já recebeu outras premiações. Na imagem, ele na cerimônia de premiação onde conquistou reconhecimento da Associação Gaúcha de Escritores, em 2012. FOTO: ACERVO PESSOAL

Tem montenegrino entre os vencedores da 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista. O professor Gelson Weschenfelder foi reconhecido com o terceiro lugar na categoria Mestre e Doutor, que era disputada com outras 500 inscrições de todo o país.

O destaque foi para a tese de doutorado de Gelson, intitulada de “Os super heróis das histórias em quadrinhos como recursos para a promoção de resiliência para crianças e adolescentes em situação de risco” e defendida na Universidade La Salle, em Canoas.

Agora, o premiado se prepara para, em dezembro, ir para Brasília receber o Prêmio das mãos do presidente Michel Temer. “Eu não esperava. Fiquei muito feliz vendo a qualidade dos outros trabalhos e sabendo da história da premiação, que realmente valoriza grandes pesquisas e premia grandes pesquisadores nacionais”, destaca o professor.

O Jovem Cientista é organizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que oferece aos ganhadores uma quantia em dinheiro e uma viagem para o Reino Unido, com participação no “Science Tour in the UK”.

Além do doutorado, Gelson tem Licenciatura em Filosofia e é Mestre em Educação. Por Montenegro, teve formação na educação básica nas escolas estaduais Januário Corrêa, A.J. Renner e Manoel de Souza Moraes.

Conheça o projeto

O trabalho que conquistou o reconhecimento nacional buscou compreender e usar a figura dos super-heróis das histórias em quadrinho como modelos de superação de adversidades para crianças e adolescentes. Após pesquisas sobre os personagens e o levantamento de iniciativas do tipo já em prática nas redes de saúde e de educação, o pesquisador desenvolveu uma intervenção, que foi testada numa escola da periferia de Canoas.

“Foram quase 20 encontros, onde a gente fazia as crianças perceberem como os heróis também sofriam adversidades que elas mesmas estavam vivendo”, explica o montenegrino. “Mostrando como os personagens se portavam diante de problemas, elas começaram a criar histórias onde elas eram os personagens principais. A partir dali, a gente começou a perceber que, no cotidiano delas, elas começavam a praticar o que estavam criando nessas histórias.”

Gelson aponta que, com o trabalho, houve respostas positivas de empoderamento em questões que iam desde o desrespeito com professores e o bullyng até situações mais graves, de alunos que sofriam violência física ou viviam em ambientes onde o tráfico estava presente. O projeto já foi replicado em outras duas escolas. Uma em Canoas e outro em Esteio. E o pesquisador vai além. Hoje, está cursando pós-doutorado para formar educadores em como usar os quadrinhos em sala de aula e criar intervenções do tipo.

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