Canudos de plástico causam problemas como esse, entupindo o nariz da tarturaga. FOTOs: REPRODUÇÃO/INTERNT

Com aparência inofensiva, os canudos de plástico estão entre os itens mais coletados dos oceanos em 2017, de acordo com a organização não governamental Ocean Conservancy, grupo de defesa ambiental. E representam 4% do lixo plástico no mundo. A vida útil de um deles é, em média, de quatro minutos, ou seja, o tempo suficiente para você consumir uma bebida. Seu material, no entanto, o torna durável, levando 100 anos ou mais para se decompor, período em que, não raro, polui rios e oceanos, colocando em risco a fauna aquática.

Preocupado com o meio ambiente, Carlos Fernandes deixou de usar canudo no seu restaurante

Os danos provocados pelos canudinhos de plástico motivaram mobilizações entre os ambientalistas e alguns municípios brasileiros, inclusive gaúchos, já criaram leis proibindo seu uso. Em Montenegro, não há legislação sobre o assunto, mas o proprietário de um restaurante Carlos Fernandes tomou a iniciativa de deixar de usá-los em seu estabelecimento.

Ele teve conhecimento dos danos provocados pelos canudos de plástico ao meio ambiente através de reportagens e decidiu colaborar. “Também soube da proibição no Rio de Janeiro e depois em algumas cidades aqui do Rio Grande do Sul”, acrescenta. Na opinião de Fernandes, deveria haver uma lei nacional proibindo uso de canudos de plástico em todo o país. No estabelecimento dele, a medida foi bem recebida pelos consumidores. “Todos apoiaram a ideia”, afirma.

Em uma enquete realizada pelo Jornal Ibiá através das redes sociais, a grande maioria se posicionou a favor da proibição do uso de canudos de plástico no comércio. No Facebook, houve 458 votos, dos quais 74% foram a favor da proibição e 26% contrários. No Instagran, do total de 122 votos, 71% se posicionaram favoráveis à proibição e 29% contra.

O movimento contra o uso de canudos de plástico já é mundial, com adesão de algumas cidades brasileiras. Suas origens remetem aos Estados Unidos. Com um vídeo mostrando a remoção de um canudo alojado na cavidade nasal de uma tartaruga marinha, uma campanha buscou sensibilizar o público com relação ao tema do consumo de plásticos descartáveis.

Técnica em Meio Ambiente e graduada em Gestão Ambiental, Joana Santos é favorável à proibição do uso do canudo. “É um item dispensável. Se ensinarmos as crianças que não precisa de canudinho, elas vão crescer entendendo”, opina. Ela menciona os danos ao meio ambiente, incluindo a morte de animais que os confundem com alimento. E para quem considera necessário usá-lo, Joana lembra que o mercado oferece canudos produzidos com material biodegradável.

A especialista observa que há muitos outros materiais que também causam danos ambientais, mas acredita que o combate ao uso de canudo já é um começo. “Depois, com certeza, virão outras proibições e ações para ajudar a manter a natureza um pouquinho mais saudável, e os animais também”, analisa.

Estudantes estudam o tema em Rua Nova
O impacto dos canudos no meio ambiente foi tema de um trabalho desenvolvido na Escola Etelvino de Araújo Cruz, em Rua Nova, interior de Montenegro. Para verificar o conhecimento das pessoas sobre a temática, foram aplicados questionários e, após tabulados os dados, definidas formas de intervenção e conscientização.

O vice-diretor Rafael Meira Seniw acrescenta que houve saídas de campo com os alunos para fazer a coleta de canudinhos na comunidade. E também foram usadas redes sociais para ajudar a população a compreender a importância do descarte correto deste produto. Os alunos pesquisaram em livros e na internet, além de assistirem a documentários sobre o assunto.

Em relação ao resultado do projeto, Seniw salienta a percepção de que, mesmo em lugar mais afastado do centro da cidade, como Rua Nova, foram encontradas grandes quantidades de canudos plásticos jogados no meio ambiente. Ele acrescenta que esse resultado reforça a importância do tema, lembrando que Montenegro está nas margens do Rio Caí. O vice-diretor observa ainda que as respostas no questionário demonstram que a maioria dos entrevistados não consegue perceber o impacto negativo dos canudos no ambiente e descarta de maneira incorreta.

Canudo de papel é uma alternativa com menos impacto ambiental que o plástico

Medida tem adesão de municípios gaúchos
No Rio Grande do Sul, alguns municípios já aprovaram ou estão analisando projetos de lei que proíbem o uso de canudos de plástico. Em Santa Cruz do Sul, na região do Vale do Rio Pardo, os vereadores aprovaram proposta de proibição neste mês de novembro.

O autor do projeto, Hildo Ney Caspary (PP), entende que a medida é necessária para reduzir danos ambientais. Entre os prejuízos pelo descarte inadequado do plástico, está o risco de ser ingerido por animais. Uma emenda do próprio vereador proibiu também a venda de canudos nos estabelecimentos e, outra, de Mathias Bertram (PTB), deu prazo de dois anos para as empresas se adaptarem.

Santa Maria, na Região Central, foi a primeira cidade gaúcha a aprovar e sancionar a lei que proíbe o uso de canudos de plástico, que passa a vigorar em março de 2019. Em Rio Grande, no Sul do estado, também já existe a lei, e os estabelecimentos devem obedecer as normas a partir de janeiro. Em Torres, no Litoral Norte, também já foi aprovada lei com esse propósito, mas poderá demorar para entrar em vigor, pois são previstos até três anos para a regulamentação.

Outros municípios estão com projetos em discussão, entre os quais, Cachoeira do Sul, na Região Central. Nesse município, tramita na Câmara a proposta que proíbe o fornecimento de canudos de material plástico feito de polipropileno, poliestireno ou qualquer material descartável que não seja biodegradável, aos clientes de bares, hotéis, restaurantes, padarias, clubes, casas noturnas entre outros estabelecimentos comerciais.

O projeto prevê um prazo de seis meses, contado a partir da data de publicação da lei, mas a proposta ainda precisa ser votada pelo Legislativo e sancionada pelo Executivo. Proposta semelhante tramita na Câmara de Porto Alegre e em outros Legislativos municipais.

Rio de Janeiro deu exemplo
O Rio de Janeiro tomou a frente no combate ao canudo de plástico. Na capital carioca, a lei que proíbe o uso de canudos recicláveis foi aprovada em junho e já está em vigor. Durante dois meses, técnicos da Vigilância Sanitária visitaram estabelecimentos, intimando os comerciantes a substituírem seus canudos por outros de papel biodegradável ou de outro material reciclável e embalado com material semelhante.

Após esse período, a equipe do órgão foi conferir a substituição e começou a aplicar multas a bares, restaurantes e ambulantes que ofereçam canudos plásticos a seus clientes. Os estabelecimentos que ainda não receberam a primeira visita continuam tendo o prazo de 60 dias para substituir o canudo de plástico. O valor da multa – que só é aplicada a quem for intimado a trocar e não fez a substituição – é de R$ 1.650,00 para comerciantes e de R$ 650,00 para ambulantes. Em ambos os casos, a punição é de R$ 6 mil em caso de reincidência.

Alternativas
Beber diretamente no copo é a forma mais eficaz. Se o canudo for indispensável, uma opção é o de papel, pois se decompõe mais rapidamente e tem menos impacto no meio ambiente.
O mercado oferece opções de canudos reutilizáveis, como os feitos com silicone, com vidro, de metal e de bambu.

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