Em cada canto do Santo Antônio, Marilene Souza vive memórias muito especiais

Brincadeiras, lendas e costumes são algumas das lembranças presentes entre os moradores que vivem ou já viveram no lugar
A internet tornou-se imprescindível para o dia a dia da população. Entre os seus benefícios, está a forma como ela aproxima as pessoas, além de proporcionar algumas experiências interessantes, como aconteceu com a autônoma Luciana Moreira, 46. Ex-moradora de Montenegro, bastou uma simples postagem em uma rede social e pronto. A iniciativa deu origem a um mergulho no passado do bairro Santo Antônio, lugar onde ela cresceu e guarda lembranças especiais.

Atualmente, a montenegrina reside em Sapucaia do Sul, mas o tempo e a distância não apagaram de sua memória os bons momentos que ela viveu na Cidade das Artes, ao lado de sua família. No intuito de reviver o passado e reencontrar pessoas da época de sua infância e adolescência, ela contou com o auxilio da web. “Alguém que more no bairro Santo Antônio há mais de quarenta anos? Eu morava na [rua] Clodomiro José Machado 323, e fui embora desta cidade com 17 anos. Minha avó era dona Eva, e o meu avô seu José, ele não tinha uma mão”, escreveu Luciana em um grupo do Facebook. “Saudades dessa terrinha”, completou.

Em uma reação em cadeia, dezenas de comentários surgiram revelando o carinho dos moradores pelo bairro e pelos ex-moradores. “Eu ainda moro no Santo Antônio, ele continua um bairro ótimo”, disse um das internautas, acrescentando que conhecia Luciana e seus avós. “Oh querida, muitas saudades da dona Eva e o seu José. Éramos vizinhos de frente”, disse outra moradora, que ainda contou detalhes da época. “Me criei brincando no atoleiro que existia próximo da casa.”

Atualmente, Luciana Moreira reside em Sapucaia do Sul, mas o carinho pelo bairro montenegrino permanece

Grande admiradora do município, Luciana conta que foi embora de Montenegro no início da década de 1990 e, desde então, sempre recorda da infância e adolescência no Santo Antônio. “Nasci e cresci nesse bairro. Tenho tantas lembranças boas, como os piqueniques na casa da minha amiga, as brincadeiras na rua até tarde, os bailinhos ao som do DJ”, relembra. “Naquele tempo nem sabíamos o que era DJ”, brinca a montenegrina, que ainda citou as festinhas de garagem. “As meninas levavam um prato, e os meninos, refrigerante Baré, que por sinal era muito bom. São Muitas emoções e saudades dos meus vizinhos.”

Recordar é viver!
Lugar simples e de gente humilde. Assim era o bairro Santo Antônio segundo a cozinheira Marilene Souza, 59, que também cresceu e morou nesse cantinho de Montenegro, em meados da década de 60. “Foram tempos maravilhosos”, disparou a montenegrina, relembrando como eram os costumes daquele tempo em que o ritmo era outro. “As crianças frequentavam as casas umas das outras e todo mundo ajudava a cuidar. Quando faltava comida para algumas delas, os vizinhos se juntavam e dividiam o que tinham, já que nesse tempo as coisas eram muito difíceis.”

“Nada era perigoso”
Se hoje em dia as brincadeiras de rua estão cada vez mais raras, no passado a realidade era diferente, uma vez que a violência tornou-se uma das responsáveis por essas mudanças de comportamento da sociedade. “Na nossa infância nada era perigoso”, observa Marilene Souza.
“Nessa época, Montenegro era um lugar bom para viver, não tinha ameaça de drogas e violência. Como as ruas eram mais seguras, as crianças podiam andar sozinhas no Santo Antônio sem ter as preocupações que temos atualmente, talvez isso explique porque hoje em dia elas se escondem atrás de computadores ou celulares dentro de casa, não tem como deixar na rua”, lamenta a cozinheira. “Bom se voltasse esse tempo mais antigo”, brinca Marilene.

Lendas e histórias populares
Sem a interatividade da web e dos comportamentos que ela transformou, algumas décadas atrás os estímulos eram outros, assim como os fatos que habitavam o imaginário das pessoas daquela época. No bairro Santo Antônio não era diferente, lugar onde as lendas e histórias estavam sempre presente, ressaltando as peculiaridades da comunidade. “Tínhamos histórias de pontes, noivas e fantasmas, a gente curtia muito tudo isso”, conta Marilene Souza.

“Além disso, também existiam os personagens famosos do bairro, conhecidos devido ao medo que algumas pessoas tinham ou porque chamavam atenção. Outra coisa muito divertida era o cinema, quando colocavam uma tela no campo ou no salão e todo mundo assistia sentado. Lembro que eram os filmes do Teixerinha e Mazzaropi”, detalha a montenegrina.

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