Encontro ocorreu na manhã desta sexta-feira, na Cufa Montenegro

Morte brutal de homem negro em Porto Alegre também foi comentada no encontro

Ações realizadas, projetos e a luta diária dos negros foram debatidos em encontro realizado na manhã desta sexta-feira, 20, na Central Única das Favelas (Cufa) Montenegro. No Dia da Consciência Negra, membros da Cufa local e o vice-prefeito eleito da cidade, Cristiano Braatz, lamentaram a morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro que foi agredido até a morte no estacionamento de um supermercado da rede Carrefour, em Porto Alegre, na noite dessa quinta.

O fato causou comoção nacional, como não poderia ser diferente. Rogério Santos, coordenador geral da Cufa Montenegro, falou sobre o ocorrido. “Se fosse uma pessoa branca, alguém acha que bateriam tanto no cara? Lá no início, a raça negra veio ao Brasil para ser sofrimento”, pontua.

Vice-prefeito eleito, Cristiano Braatz destacou o trabalho realizado pela Central Única das Favelas no município e assumiu um compromisso com a entidade para 2021. “Na nossa Administração, todo mundo vai ter voz e vez. E já vou adiantar aqui que assumo o compromisso para a construção da sede própria da Cufa. Peço que apresentem essa área para nós, que encaminharemos o Projeto de Lei”, anunciou.

Braatz reforçou que a Cufa terá total suporte da próxima gestão. “É uma construção de médio a longo prazo, mas vamos dar apoio em projetos. As pessoas têm que acreditar na causa e nas pessoas envolvidas”, complementou.

Também presente no encontro, Luis Fernando Ferreira destacou esse primeiro “debate” com a futura Administração Municipal. “É o primeiro contato com o próximo governo. Buscamos assumir compromissos que envolvem a mulher, o negro, visando a inclusão de todos os povos. Tenho o sonho de poder ajudar, ter nas mãos essa possibilidade”, enfatiza.

Nos últimos anos, a Cufa Montenegro tem realizado um trabalho mais forte no município. Prova disso é a criação de movimentos (Maria Maria, núcleo da juventude com os jovens, etc) que buscam da voz e vez para todos. “Os jovens estão largando a escola muito cedo, e nem falo da questão do tráfico, mas muitos optam por pegar sub-empregos. Visamos formar parcerias e ter esse recebimento, valorizar esses movimentos. Precisamos tentar tirar da mente das pessoas que o negro é um ser inferior”, declara Rogério.

Durante o encontro, o coordenador geral da Cufa reproduziu um vídeo apresentando todo o trabalho e as ações realizadas pela entidade. Além disso, mostrou outro vídeo com todas as iniciativas da Cufa desde o início da pandemia. Já foram mais de 40 toneladas de alimentos destinados à comunidade. “Sempre pensamos no lado social. É muito importante a questão da referência”, completa.

Ações, projetos e a luta diária dos negros foram debatidos no Dia da Consciência Negra

 

Deixe seu comentário