Pequenos agricultores, como Kussler, não têm boa perspectiva em relação a lucratividade

Os plantadores de melancia em Montenegro projetam colher 5.600 toneladas entre 2019/2020. Uma safra reduzida, inclusive no tamanho da fruta, o que, consequentemente, elevou o preço do quilo ao consumidor. Para o agricultor essa variação entre oferta e demanda está sendo benéfica. As fortes chuvas de outubro foram a causa desta alteração.

Segundo cálculo da Emater/ Ascar-RS, o município registra algo em torno de 200 hectares cultivados, representando um sensível aumento em relação à safra 2018/2019. “Isso em função da boa safra do ano passado”, observou o Extencionista Rural do Escritório local, Valmir Michels. No entanto, o técnico em agropecuária aponta que este crescimento ocorre após anos de gradual redução, dando espaço a outras culturas.

E com projeção de 28 toneladas colhidas por hectare, a oferta recuará nesta safra. O problema ocorreu bem no início da florada para frutificação, quando choveu muito. “Então, com certeza, nós vamos ter uma redução da produtividade”, confirmou. O tamanho das melancias também encolheu. “O que não quer dizer que não são frutos com qualidade”, defendeu Michels.

Na estrada, Kussler vende a unidade a partir de R$ 5,00. E esta maior custa R$ 20,00

O sabor ficará no mesmo patamar do ano passado, pois já no período de formação e maturação do fruto a chuva deu uma trégua. No entanto, aponta o extencionista, agora já há preocupação com ‘a restrição hídrica’ (seca), mas sem condições de mensurar perdas sobre a produção do que está no campo hoje.

Outro reflexo do recuo é no valor do quilo pago ao produtor, cujo preço médio do fruto comercializado subiu para 80 centavos. “Produtividade um pouco menor, no entanto, um preço um pouco melhor”, resume Michels. Já para o consumidor a notícia não é tão boa, sendo possível conferir nos mercados variações de preço do quilo entre R$ 1,20 e R$ 1,30. Esse valor também sofre influência da distância entre lavoura e mercado.

Se não chover, safra encerra na próxima semana
Com seu caminhão à margem da ERS-240, na divisa com Capela de Santana, o montenegrino Flavio Norberto Kussler reza por clientes e por chuva. Agricultor de pequeno porte, ele confirma que a queda na produção devido às chuvas de outubro está apenas cobrindo os custos. “Entre 50 e 60% menos na minha produção”, calcula. Em 2018, ele tirou cerca de 30 toneladas por hectare; e neste ano não passará das 10 toneladas.

E, ainda mais preocupante, é que se não chover de forma constante e mansa, em uma semana encerra-se a safra 2019. Kussler explica que não adianta um temporal. O que as lavouras precisam é de uns 30 milímetros de precipitação, em final de tarde, seguido de um dia nublado. Ele mesmo projeta apenas mais uma retirada de fruta em seus três hectares no Faxinal.

O agricultor relevou desilusão, especialmente em relação à melancia, que, ao contrário do citros, todo ano precisa de semeadura. Em 2019 um saco de 90 gramas, com 1 mil sementes, custou R$ 230,00. Além do mais, este é uma cultura que depende muito de fatores naturais, que poderiam ser contornados com um sistema de irrigação que ele não pode ter.

O Número
Neste ano, Montenegro contabiliza, aproximadamente, 40 produtores rurais trabalhando com melancia. Alguns plantam em escala comercial, assistidos inclusive por linhas de Crédito Rural. Muito da safra montenegrina é vendida para regiões mais distantes

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