CANDIDATO A PREFEITO pelo PSDB fala sobre as suas origens, sobre como chegou a Montenegro e por que deseja comandar o Município

Quem é Márcio Menezes?
O Márcio Menezes tem 43 anos, casado com a profe Josi, pai da Liza, padrasto do Juan, filho de Glei Cabreira Menezes e de Sandra Regina. Nasci em 30 de agosto de 1977 e me criei em Rosário do Sul. Meu primeiro trabalho foi de entregador de jornal, aos 14 anos. Servi ao Exército brasileiro, no 4º Regimento de Cavalaria Montada e, em 2009, cheguei em Montenegro.

Como o senhor ingressou na Política?
Antes de ser político, vim para Porto Alegre e ingressei na empresa Retebrás Redes e Telecomunicações. Coordenei, de Cidreira a Tavares, em 11 municípios, a implantação das linhas telefônicas subterrâneas, com fibra óptica, e aéreas. Depois, fui assessorar a Federação Nacional de Telecomunicação, a Fenatel. Parte da minha família, em Pelotas, tem uma agência de correspondente bancário, fazendo seguros, empréstimos consignados. Fui trabalhar com minha família e comecei a pegar gosto. Aí, coloquei minha primeira empresa em Porto Alegre, meu primeiro escritório de correspondente bancário, de quinze bancos. Vim pra Montenegro porque tenho aqui muitos amigos rosarienses. Eu sempre brinco que a gente se contamina com o encanto da cidade. Em 2012 para 2013, participei ativamente da campanha eleitoral a convite do ex-deputado e ex-prefeito Paulo Azeredo, como um de seus coordenadores. A política corre no meu sangue. Meu pai já foi gestor público. O que me faz participar do pleito eleitoral é que eu identifico que eu pude, num certo momento, colaborar muito com o Município; e venho dando a minha contribuição dentro dos espaços em que me é permitido.

O senhor foi secretário de Indústria, Comércio e Turismo, chefe de gabinete e secretário de Meio Ambiente do governo Paulo Azeredo. Que legado deixou na Prefeitura?
De 2012 a 2013, foram gerados 129 novos postos de trabalho com carteira assinada. De 2013 a 2014, quando eu era secretário, nós tivemos um crescimento de 265%, correspondendo a 618 vagas. Nós identificamos que tinha muitos alvarás trancados naquele período; e que a gente precisava atuar junto e estimular o pequeno, médio e micro-empresário. Então, adotamos o Microcrédito, do Banrisul, formalizando as pessoas que já trabalhavam em sua atividade profissional, fazendo com que eles gerassem mais um emprego. Isso produziu uma reação em cadeia. Trabalhamos junto ao Cofip, que é o grupo de empresas do Distrito Industrial, para a construção de um Centro de Treinamento Integrado. Esse processo começou quando a gente era secretário de Indústria, Comércio e Turismo e, em breve, será inaugurado.

Quando assumiu, o prefeito Paulo Azeredo cancelou várias obras licitadas na gestão Percival, como a reforma da biblioteca e a instalação do videomonitoramento. Qual foi sua posição na época?
Eu sempre me ative à Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo. Não atuava junto ao gabinete do prefeito. No ano seguinte, sim, a gente foi trabalhar diretamente com o prefeito, no gabinete. No primeiro momento, eu me ative mais à revitalização do Baixio; à organização da festa dos filhos e netos de Montenegro; ao projeto de recuperação da estrada do Morro São João; a melhorias no aeródromo, com a construção do heliponto.

E na construção da ciclovia da Capitão Cruz?
Não tive nenhuma participação.

Concordava com a obra?
Eu fui voz vencida. É preciso planejar as coisas. A Avenida Itália é de mão-única no sentido bairro-centro. Em certo momento, eu vinha naquela avenida e me perguntava o porquê daquela ciclofaixa estar do lado direito. Eu não consigo entender uma diretoria de Trânsito e um prefeito que botam uma ciclovia no lugar onde o ônibus ou o táxi recolhe as pessoas, porque a parada de ônibus é pro lado direito. Questionei isso e muitas vezes me manifestei, porque não tem lógica. A ciclofaixa tem que ser para o lado esquerdo, uma vez que a porta que coleta o passageiro do ônibus é para o lado direito. Depois teve essa discussão, o Paulo começou a mexer e mudou isso. Nessa questão da ciclovia do Centro, eu fui voz vencida. Eu acho que o momento era de outras obras.

Qual a sua opinião sobre o Impeachment do ex-prefeito?
Eu preciso dizer que, com toda a turbulência que tinha, apesar do enfrentamento do Paulo aos vereadores, naquele momento se fazia muita coisa no Município, se trabalhava muito. A Prefeitura tinha R$ 19,5 milhões em caixa. E me lembro bem: o prefeito tinha comprado rolo-compactador; caminhão para a Agricultura; caminhão para as Obras; ambulâncias; quatro novas doblôs; mamógrafo que está no Hospital; aparelho de Raio-x… Vinha se fazendo um belo trabalho e eu não posso, aqui, negar a minha participação. O Município vinha num crescimento tanto em receitas quanto em desenvolvimento.

Mas o Impeachment foi bom ou ruim?
O Impeachment foi ruim. O Aldana assumiu e tinha R$ 19,5 milhões em caixa. Na campanha, apresentou um jornal dizendo que havia feito 90 obras em 16 meses. O Município era um canteiro de obras. Estava tudo certo. Era plano de carreira, era tudo organizado, tudo muito bem. Ele e o Kadu venceram a eleição e, logo depois, apareceu o déficit da Prefeitura. Falavam em R$ 51 milhões. Pra mim, foi um estelionato eleitoral. Mentiram pra população para ganhar a eleição. O Kadu alega que governou de 2017 para cá. Ele não pode refutar que esteve no governo do Paulo Azeredo, me substituiu na secretaria de Indústria, Comércio e Turismo; depois esteve como secretário de Administração, onde passaram todas as licitações apontadas pela Operação Ibiaçá.

Por que o senhor deixou o PDT, uma legenda de esquerda, e migrou para o PSDB, no outro extremo?
Eu vejo que, cada dia mais, a população não vota em partido, vota nas pessoas. Ainda tenho uma grande paixão pelo PDT. Não posso dizer que não tenho. Continuo tendo grandes amigos lá dentro. Um amigo meu, o Moacir Cardoso, que é assessor do deputado Lucas Redecker, me fez enxergar que, no PSDB, eu poderia desenvolver um trabalho junto com o gabinete e trazer alternativas para Montenegro. A gente vem trabalhando junto com o deputado para trazer recursos, aportando nos últimos doze meses R$ 850 mil ao Hospital Montenegro. O PDT tinha algumas posições que não me agravam localmente. Em 2016, eu participei das prévias partidárias, perdi a convenção por um voto para o Ademir Fachini. Mas deixei o PDT porque acredito que, dentro do PSDB, a gente tem um processo muito mais democrático. Eu nem sempre concordo com o governador do Estado, eu divirjo, e nem por isso a gente deixa de dialogar. Muitas vezes, me manifesto contrariamente a algumas posições que ele tem, porque eu acho que esse é o ato democrático, de a gente divergir para convergir; para acertar as coisas dentro do partido, na vida, em tudo o que se faz.

Seu partido dificilmente formará maioria na Câmara. Quem serão seus aliados no Legislativo e de que forma pretende conquistá-los?
A minha coligação é com Deus, fé e verdade. E é com o eleitor, com quem paga essa conta. O prefeito é o empregado deles. E os vereadores, os secretários que lá estão, têm que andar na mão das pessoas. Eu penso que tem que comungar com todas as categorias do Município. Na Câmara, a gente não precisa ter maioria. O prefeito tem que descer e ir até a Câmara, dialogar com vereadores, porque são representantes legais da comunidade. Tem que esquecer agremiação partidária, esquecer as diferenças; e juntamente com todas as forças vivas do Município, despidos da vaidade, fazer uma retomada forte do Município, que está precisando. Montenegro está feia, sucateada

E para o governo, pretende chamar outros partidos?
A gente vai escolher, tecnicamente, pessoas com capacidade para desenvolver as funções na Prefeitura, entendendo que quem paga essa conta é o contribuinte, o micro, pequeno e grande empresários. A gente não pretende ter segmentos políticos, mas pessoas qualificadas, que poderão ser ou não ligadas a partidos.

Qual será o papel da sua vice, Eliza Fukuoka, no governo se forem eleitos?
A Eliza é uma pessoa maravilhosa. É uma socióloga, uma enfermeira, uma pessoa que tem um conhecimento avassalador, muito técnico e muito humano. De 2003 a 2007, implementou a Saúde da Família no Município. Tinha dez agentes de saúde e terminou com 60, com uma equipe de 90, trabalhando a questão da prevenção; atacando as doenças diretamente na casa das pessoas, fazendo diagnóstico e identificando quais eram as posições que a secretaria de Saúde deveria tomar na prevenção. A Eliza pode atuar em qualquer secretaria. Vejo ela muito bem preparada para a Assistência Social, na secretaria de Habitação; para a Saúde ou qualquer outra. Ela vai ter liberdade. Onde ela se sentir confortável para colaborar para as pessoas. A gente tem que governar para as pessoas.

Antes de ser candidato, o senhor trabalhava no governo do Estado. Com foi essa experiência?
Tive uma passagem de sete meses no governo, na secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado, como assessor especial do secretário da época, o Irigaray, do PSL. A gente atuava na área de Turismo. O turismo é uma grande indústria sem chaminé é um grande gerador de emprego, de bem-estar. É onde a gente pode investir que tem resultado. E Montenegro tem todas as características. Nós temos o Cais do Porto das Laranjeiras, que é um cartão postal da nossa cidade, assim como o Morro e o Parque Centenário. Lá (na secretaria estadual), a gente teve a experiência de conhecer diversos cases de sucesso do Estado e de atuar junto. Estávamos trabalhando uma conferência para acontecer em Montenegro, que a gente fez lá em Porto Alegre e reuniu pessoas daqui, sobre o turismo rural, uma coisa muito importante, que está crescendo muito e que o nosso Município tem a ofertar. Inclusive, quando estive na Smic, nós trouxemos o curso de Turismo para cá, na Escola São João Batista, que agora se encontra encerrado.

Representantes do governo do Estado prometeram que a construção das rótulas junto à RSC 287, no perímetro urbano, faria parte do edital de concessão da rodovia à iniciativa privada. O texto ficou pronto na semana passada e este trecho ficou de fora. Sendo do partido do governador, o que o senhor fará?
Acho que a RSC-287 deveria ter sido federalizada, porque o governo federal tem muito mais recurso e o Estado está quebrado, está engessado, sem capacidade de investimento. A gente pretende fazer um convênio com o governo do Estado e construir um viaduto na Ernesto Zietlow, um marco na história de Montenegro. Não dá mais pensar que não dá pra fazer. Nós temos uma receita crescente e vamos trabalhar dentro do nosso orçamento, porque a gente sabe que é obrigação do Estado do Rio Grande do Sul, mas o outro lado da cidade pertence a nós. Se nós ficarmos esperando pelo Estado, a gente nunca vai realizar essa obra no Município.

Então pretende abandonar o projeto das rótulas?
Na Panorama, a gente pretende fazer uma rotatória e uma passarela para que as pessoas atravessem para os colégios e os pedestres tenham maior segurança. E aqui na Ernesto Zietlow, que liga um lado ao outro, a gente quer ter um viaduto. Vai estar no nosso plano de governo com uma maquete, em 3D, como a gente identifica que tem que ser feito. A gente imagina uma obra de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões. Montenegro pode isso. Não dá mais pra gente aceitar a cidade dividida, os imóveis do lado de lá desvalorizando. É inaceitável a gente ficar meia hora esperando para atravessar.

Mas as receitas do Município vão cair em função da pandemia e o senhor mesmo diz que há muita coisa para arrumar. De onde vai tirar o dinheiro?
Eu tenho a pesquisa dos últimos anos e o orçamento vem crescendo, avassalador, o que não acontece em outros municípios. Em 2016, o governo dos “em 16 meses fez tudo isso, imagina em quatro anos” recebeu um orçamento de R$ R$ 170 milhões, por aí. Aí veio o déficit de R$ 51 milhões, que são gastos desordenados. Eles tinham receita quando receberam o Município, eram receitas positivas, e se tornou um governo que gastou o dinheiro desordenadamente, quebrou o Município e tirou a capacidade de investimentos. A gente se baliza nisso porque a gente vai ter que fazer um ajuste de orçamento e poupar dinheiro para aportar, para que seja executado, e trabalhar junto com a bancada gaúcha, junto com o governo do estado e o federal; vendo se pode aportar, cada um dentro da sua área, recursos para essa obra. O Município, se bem gerido, bem organizado e se bem trabalhados os recursos, tem condições de guardar dinheiro para executar a obra. Tem que ser resolvido. Não dá mais pra aceitar essa situação.

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