foto: reprodução internet

Hoje é comemorado o Dia do Livro Infantil em homenagem ao escritor Monteiro Lobato, que nasceu no dia 18 de abril

Hoje é comemorado o Dia do Livro Infantil. A leitura – e o livro – é o principal instrumento capaz de mudar o mundo. Ela incentiva a criatividade, a imaginação, traz conhecimento e prazer. Por isso, é tão importante fomentar o seu apreço desde a infância.

Histórias de piratas, curupiras e contos de fadas construíram o imaginário de muitas pessoas. E muitas preferências que temos hoje, sobre filmes, autores e histórias são parte desse fabuloso processo. Nos livros, podemos ser e estar onde quisermos. Não há limites.

Mas você sabe o porquê dessa data? O dia 18 de abril é considerado o Dia do Livro Infantil em homenagem ao escritor Monteiro Lobato, conhecido principalmente pela obra televisiva Sítio do Picapau Amarelo. Esse registro é o marco de seu nascimento. A data foi instituída ainda em 2002, através da Lei 10.402/02, e a primeira obra infantil de Monteiro foi “A menina do narizinho arrebitado”, publicada em 1920.

Há muitos outros bons escritores nacionais e montenegrinos de títulos infantis. E as crianças, mesmo com o senso crítico muitas vezes posto em dúvida, são um público muito seletivo, que também tem suas preferências. Afinal, com toda a disputa tecnológica atual, prender a atenção dos pequenos significa ter muito talento.

DICAS DE INFANTO-JUVENIS
A Literatura diverte adultos, idosos e crianças. Ah, como a gente cria situações em nossa cabeça e faz a história ter vida. Quem nunca sentou para escutar os pais lerem um belo conto de fadas em que tudo sai perfeito no final? Ou passou horas lendo com a sensação de ter parado só 30 minutos? Hoje, que comemora-se o Dia do Livro Infantil, pode-se afirmar que manter uma criança atenta à leitura não é uma tarefa fácil, mas vê-las se educar por meio das letras alinhadas faz tudo ficar delicioso. Então, nada mais justo que indicar algumas obras que podem conquistar o coração da criançada. Papais e professores, fiquem atentos, o maior compromisso é de vocês.

O Menino do Dedo Verde – Maurice Druon
O Pequeno Príncipe – Saint Exupery
A coleção Vaga Lume – Ana Terra, A Ilha Perdida, A árvore que dava dinheiro
Harry Potter – J.K Rowling
A Menina do Narizinho Arrebitado – Monteiro Lobato
Curupira
Boi Tatá
Gibis da Turma da Mônica
O Menino Maluquinho – Ziraldo
Os Meninos da Rua da Praia – Sérgio Caparelli

o escritor Carlos Fernando Leser explica o que é escrever para o público infantil

O criador e suas criaturas nas letras
O escritor montenegrino Carlos Fernando Leser destaca que escrever para o público infantil é diferente de escrever para outras faixas etárias. O sentido de escritor, segundo ele, está fortemente atrelado ao encantamento. “É o fato de cativar as pessoas com aquilo que você escreve. Conquistar o leitor que é a outra metade tão importante disso tudo”, destaca.
Carlos, que tem dois títulos já publicados, explica que, ao construir uma história, é muito importante respeitar as crianças, cuidando para não decepcioná-las, para que o encantamento não se perca. “Não podemos achar que elas não sabem avaliar”, afirma.

O papel de um autor, conforme salienta, é ainda o de contar uma história, transformando o mundo. “Há um retorno muito gratificante no sentido de que a criança é muito espontânea, é muito bacana isso. Não há meias palavras. Se elas gostam, dizem; e se não gostam, também”, explica.

O gosto pela leitura não nasce de um dia para o outro, desenvolve-se em um processo construtivo, conforme expõe Leser. “Fomentar a apreciação literária é plantar uma semente, que deve ser regada dia a dia, ano a ano, para que, no futuro, nasça um novo leitor ou escritor”, diz.

Ele ainda destaca a necessidade das instituições de ensino manterem práticas como as feiras de livros e projetos voltados à literatura também no Ensino Médio, para que esse gosto não se perca. “Ela evolui, posteriormente, com o gosto por outras obras e pesquisas. A leitura também é um pilar para a educação e conhecimento”, conclui.

Assim como desbravar o mundo através dos escritos, escrevê-los também é um ato de dedicação. O criador e a criatura. Tudo parte do incentivo na visão e experiência do próprio artista. E esse empenho está sendo aplicado na sua próxima obra infantil, que ainda não tem data definida para ser lançada. “Estou em um momento de aprendizado. Um período de muita leitura e isolamento para fazer algo que proporcione alegria e dê um retorno satisfatório”, conclui.

Obras de Carlos Leser 
In Extremis – 2009. É uma obra poética.
Parque di Versos – 2014. Voltada para o público infantil, com ilustrações do chargista Daniel Vêrsa, o livro traz uma coletânea de poemas. A obra, inclusive, foi trabalhada em escolas do município.

O que o público infantil quer
Segundo Carolina Prates, 18 anos, vendedora em uma livraria da cidade, há muita procura por títulos infantis no estabelecimento em que trabalha. Para os que ainda não são alfabetizados, de acordo com ela, a preferência são sempre os livros sonoros, aqueles que imitam sons de animais e natureza, ou com quebra-cabeças.

Livros acartonados, com as folhas grossas, também são feitos especialmente para os bebês, repletos de gravuras coloridas e histórias ilustradas.

Entre os que sabem ler, os mais atrativos são “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry, a saga do bruxinho mais querido da história, “Harry Potter”, e de jogos, como o Minecraft.

A coletânea de livros infanto-juvenis Vagalume foi criada na década de 70 e chegou a ter mais de 100 títulos

Coleção Vagalume marcou minha infância
Eu cresci lendo livros. Não há nada sobre a minha infância que recordo com mais prazer. Fui crescendo e meus interesses mudaram. Porém, a fome por conhecimento foi me consumindo cada vez mais. Não há o que fazer, é um passo sem volta. E o que começou ainda de pequena, com histórias sobre florestas, animais falantes, fadas e monstros, transformou-me no que sou hoje. Curiosa, arriscando entre contos, poemas e pesquisas.

Uma coletânea que particularmente marcou essa fase da minha vida, a da infância – e que guardo com muito apreço até hoje – é a saga Vagalume. Criada na década de 70, ela chegou a ter 100 títulos. Os jovens de hoje, em sua maioria, sequer devem ter ouvido falar sobre ela e, obviamente, têm outros interesses de leitura. Mas de uma forma gostosa, leve e abordando temáticas variadas, ela muito me ensinou sobre história, vida urbana e rural, dinheiro e importância da amizade. Os livros, principalmente infantis, trazem, além de histórias, imaginação, lições morais e ensinamentos.

Jéssica Coitinho
Repórter

Deixe seu comentário