Bingos, apostas no “bicho” e online e cassinos. Projeto de lei em análise
no Congresso pretende autorizar as práticas e arrecadar tributos com elas

Valdoir Kuhn, 57 anos, aposentado: “Eu acho que se fosse bem fiscalizado, o jogo poderia, sim, ser legalizado. Parte do dinheiro aplicado na educação, saúde e segurança seria ótimo, até para não haver desvios como têm acontecido agora.”

Ilegais no país desde a década de 40, os jogos de azar podem ser regulamentados caso um projeto de lei do senador Benedito de Lira (PP) seja aprovado no Senado. A votação deveria ter sido concluída no dia 6 de dezembro, mas um pedido de vistas trancou a tramitação e o texto pode sofrer modificações. O adiamento foi solicitado pelo Ministério Público Federal, frente à possibilidade de a legalização acabar incentivando a lavagem de dinheiro e a sonegação de impostos.

Vera Lúcia Schons, 50 anos, desempregada: “Sou contra os jogos de azar. Completamente. Em vez do Governo se preocupar em conseguir mais remédios para os hospitais e para as pessoas que precisam, vão gastar dinheiro com bingos. Tem gente que perde casa, perde tudo por conta desse vício. E é uma vergonha a pessoa precisar de medicamento e não ter, e o Governo financiar esse tipo de coisa.”

Sem maioria formada dentro da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a proposta pretende legalizar, em todo o território nacional, jogos de bingo, bicho, videobingo, videojogo, cassinos em complexos integrados de lazer e online, apostas esportivas e não esportivas.

José Francisco de Vargas Neto, 79 anos, aposentado: “Sou contra essa aprovação. Isso vai dar margem para muita roubalheira, muita confusão. Assim, sem regularizar, já está dando. E olha quantas casas de tráfico foram descobertas que também tinham esses jogos. Vira um vício, que nem droga. Conheço, inclusive, muitas pessoas que venderam carro, casa para apostarem nos bingos.”

Os tributos que deverão ser arrecadados com a aprovação da medida, segundo o relatório, terão como destino a saúde, Previdência e assistência social, sendo divididos 40% para o Governo Federal, 30% para os estados e 30% para os municípios.

O texto também autoriza a instalação de até três cassinos por Estado, com a condição de que integrem centros de lazer. As empresas autorizadas à exploração dos jogos de azar serão incluídas na Lei de Lavagem de Dinheiro e obrigadas a cadastrarem clientes e a informarem operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Joice Pereira da Silva, 44anos, professora: “Acho que, regularizando ou não, estão sendo realizados de qualquer forma. Mas, legalizando, vão arrecadar impostos. E, se for destinado para áreas como da saúde, será bom, porque geralmente o dinheiro que vai para ‘lá’, não volta. Não tem retorno para a sociedade.”

Montenegrinos como os aposentados Claudio Roberto Schu, 67 anos, e João Inácio Schuster, 63 anos, acreditam que regulamentar esse tipo de prática seria uma boa opção. “Tem que colocar em dia, porque ficando ilegal acaba sonegando impostos”, destaca Cláudio. “E o dinheiro arrecadado em tributos deveria ser destinado para áreas como a da saúde. Mas o que não dá é desviar a verba”, complementa João.

Alcir Kunzler, 62 anos, funcionário do comércio: “Eles, do governo, já fizeram de tudo mesmo. Então pode regularizar. E é bom para a economia, principalmente se arrecadar impostos. O que não pode é roubar os tributos que serão coletados. É crime, e eles já roubaram que chegue. Quanto aos jogos, eu até já apostei.”

E você, montenegrino, acredita que a aprovação mexeria com a economia e traria melhorias na saúde, Previdência e assistência social?

Vício em jogos
Em recente entrevista ao Jornal Ibiá, o psicólogo Márcio Hoffmeister explicou que o vício se diferencia do lazer pelo fato de não ter pausa. “O jogador não sabe ou não consegue parar. Seja por dinheiro ou pela sensação da vitória, mas sempre envolvendo perdas financeiras, do convívio social e, por fim, a própria saúde”, define.

Apesar disso, o profissional afirma ser impossível generalizar, porque cada jogador é motivado por uma razão específica ao estado de dependência. Cada caso é considerado único.

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