Frigorífico montenegrino continuará mandando carne de frango para o país árabe. Foto: Arquivo Ibiá

No Brasil, cinco frigoríficos tiveram exportações suspensas para os sauditas, a princípio, por “critérios técnicos”

A Unidade da JBS Montenegro está entre os 25 frigoríficos brasileiros autorizados a exportar carne de frango para a Arábia Saudita. Nesta segunda-feira, 21, o país asiático informou ao Ministério da Agricultura que barrou a importação de carne de frango de cinco dos 30 frigoríficos do país, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O que funciona na BR 470 não está na lista.

Sem mencionar especificamente quais os motivos que levaram os sauditas à decisão de suspensão, a ABPA diz que as razões decorrem de critérios técnicos. “Planos de ação corretiva estão em implementação para a retomada das autorizações. O mercado saudita é o maior comprador desse produto brasileiro”, afirma a nota da associação.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a decisão foi resultado de inspeção técnica, realizada por uma missão que o Reino enviou ao Brasil em outubro de 2018. Na época, foram visitados frigoríficos, fazendas e fábricas de ração. O Ministério avalia o relatório e deve encaminhar as recomendações apresentadas aos estabelecimentos.

Grupo dos frigoríficos brasileiros habilitados vendeu 437 mil toneladas de aves para a Arábia Saudita em 2018

Segundo a ABPA, a entidade está em contato com o governo federal para que este articule com o Reino da Arábia Saudita a resolução dos eventuais questionamentos para que as cinco plantas frigoríficas voltem a exportar. Além disso, a associação também aponta que outras 28 plantas que hoje não estão habilitadas contarão com o apoio do Ministério para a autorização de exportação aos sauditas.

Impedimento pode ser retaliação árabe
Na internet, circulam entrevistas de alguns líderes árabes falando sobre uma possível retaliação ao governo do presidente Jair Bolsonaro, que sinalizou o interesse em transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém.

Diplomata do Oriente Médio e secretário-geral da Liga Árabe até 2011, Amr Moussa afirmou durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a decisão da Arábia Saudita de descredenciar frigoríficos brasileiros é uma retaliação. “O mundo árabe está enfurecido (com o Brasil). Essa é uma expressão de protesto contra uma decisão errada por parte do Brasil”, apontou Moussa. Atualmente, a cidade de Jerusalém é compartilhada por árabes e judeus. A fixação de missões diplomáticas lá é vista pelos países do Islã como o reconhecimento de que Israel tem mais direitos sobre este território.

Frigoríficos brasileiros com exportação autorizada
1. JBS, Montenegro (RS)
2. BRF, Videira (SC)
3. BRF, Capinzal (SC)
4. JBS, Passo Fundo (RS)
5. BRF, Dourados (MS)
6. Seara (JBS), Brasília (DF)
7. Seara, Campo Mourão (PR)
8. Seara, Itaiópolis (SC)
9. Seara, Amparo (SP)
10. Seara, Itapiranga (SC)
11. Seara, Ipumirim (SC)
12. SHB, Francisco Beltrão (PR)
13. SHB, Buriti Alegre (GO)
14. SHB, Dois Vizinhos (PR)
15. SHB, Nova Mutum (MT)
16. Vibra Agroindustrial, Itapejara D’Oeste (PR)
17. Vibra Agroindustrial, Sete Lagoas (MG)
18. Vibra Agroindustrial, Pato Branco (PR)
19. Jaguafrangos, Jaguapitã (PR)
20. Frigorífico Nicolini, Garibaldi (RS)
21. Zanchetta Alimentos, Boituva (SP)
22. Bello Alimentos, Itaquiraí (MS)
23. Frigorífico Nova Araçá, Nova Araçá (RS)
24. DIP Frangos, Capanema (PR)
25. LAR Cooperativa Agroindustrial, Matelândia (PR)

Abatedouros não foram divulgados
Tanto o Ministério da Agricultura quanto a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) foram consultados pelo Ibiá para saber quais são os cinco frigoríficos que estão inabilitados para exportação de carne de frango ao Reino da Arábia Saudita. Nenhum divulgou os nomes. Apenas o Ministério publicou uma lista dos habilitados, em que consta Montenegro.

O que se sabe é que existem, atualmente, 58 frigoríficos aptos pelo Ministério da Agricultura para exportarem seus produtos. Porém, apenas 30 embarcam, efetivamente, as carnes de frango. Conforme o Mapa, o grupo habilitado foi responsável por 63% do volume das exportações brasileiras de carne de frango. Essa porcentagem se refere a 437 mil toneladas para a Arábia Saudita.

Saiba mais sobre a exportação ao Reino da Arábia Saudita
Os sauditas impõem algumas regras para a exportação de carne. O Halal é um princípio do Islã que deve estar presente no abate e na produção do alimento. Para isso, as empresas adaptaram suas fábricas e efetivo.

Os animais são abatidos com o peito direcionado para a Meca (cidade mais sagrada do mundo para os muçulmanos) e os sangradores devem ser muçulmanos praticantes.

Deixe seu comentário