SENTADOS na sombra, irmãos recordam suas histórias separadas por 34 anos

Família Azeredo. Afastada há 34 anos, Leidy Daiany veio conhecer um pouco de sua história

Aos poucos a família Azeredo vai emendado os rasgos feitos em seu tecido fraternal. Foram 34 anos de separação e dúvidas encerradas pela atitude dos irmãos Teófilo José, 42 anos, e Assis Otorguedes da Silva Azeredo, 36, que saíram pelo Brasil atrás do rastro de sua mãe Maria da Graça Alves da Silva. O desfecho foi o reencontro na França, onde ela mora com o filho mais velho Arlei Gladesão e o caçula Ederson, e a descoberta de outros dois irmãos que jamais conheceram.

Essa história foi contada no Ibiá de 23 de outubro do ano passado. Um dos reenlaces mais emocionantes é com Leidy Daiany Alves Divert, irmã que saiu do Rio Grande do Sul no ventre da mãe e nasceu no Pará. Então é hora de finalmente criarem esse vínculo partido e recuperar o tempo perdido. Leidy, que mora na Guiana Francesa, divisa com o Amapá, chegou a Montenegro no último dia 4 para uma visita de um mês. Hospedada na chácara de Teófilo no Passo da Serra, já conheceu o Chimarrão – que apelidou de suco de capim -, e o churrasco.

O prato típico foi servido na festa de boas vindas com mais de 100 descendentes dos Azeredo. A quantidade de pessoas, assim como a recepção com faixas e banner no aeroporto, comoveu a irmã de 32 anos. A emoção é mais forte quando pensa que passou uma infância sem um vínculo familiar, enquanto alimentava o sonho de ter Natal e aniversário com muitas pessoas irmanadas em sua volta. “Nunca via uma família tão grande”, relatou com alegria.

“Está sendo muito bom. Aquilo que não vivemos na infância estamos vivendo agora”, descreveu Assis a respeito destes dias juntos. Ele ainda falou da estranheza de, uma hora para outra, ter uma irmãzinha mais nova em casa. E não foi por falta de vontade dela que isso não aconteceu antes, pois sempre sonhou em conhecer esses irmãos e o pai Arnaldo Alci de Azeredo. “Eu sabia da existência deles. Sempre soube. Mas nunca tive elementos para encontrá-los”, confirma
Ela tentou uma investigação através das redes sociais, mas a própria mãe nunca entrou em detalhes a respeito do passado, tanto que Leidy nunca havia ouvido falar em Montenegro. Mas agora a cidade passa a ser parte de sua vida, inclusive com uma ligação transcendental curiosa. A visitante afirma que alguns lugares que está vendo pela primeira vez lhe despertam a sensação de já ter estado ali antes. Uma herança afetiva recebida durante os oito meses que viveu aqui no ventre de Maria da Graça.

A mais nova Azeredo na cidade respira com alívio e diz que estabeleceu um equilíbrio que faltava em sua vida. A ausência do pai sempre foi um sofrimento que agora ela pretende preencher ao máximo. “E esses são os dois homens da minha vida. Meus heróis! Sou apaixonada por eles”, refere-se a Teófilo e a Assis, com admiração pela jornada dos irmãos em busca de reunir novamente a família.

E a distância do Sul com a fronteira norte do Brasil não vai mais separá-los. Ela promete retornar sempre que for possível. “O sonho da minha vida se realizou, para mim que pensava não ter uma família”, afirmou emocionada. Uma das metas de Leidy e aproveitar o acalento do velho pai, que aos 75 anos ainda tem um vazio que precisar preencher na existência da menina que nunca embalou.

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