A atividade em grupo tem adesão voluntária e boa aceitação por parte dos alunos-soldados

EXERCÍCIOS ajudam a reduzir ansiedade, melhoram a concentração e o desempenho dos novos policiais

Além de auxiliar na redução da ansiedade, a ioga trabalha o equilíbrio e o foco dos novos profissionais da Segurança

A Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES) de Montenegro oferece atividades extracurriculares aos alunos-soldados. Uma delas é a ioga. As aulas tiveram início no mês de abril e os participantes já sentem os benefícios da prática. O objetivo é fazer que os novos policiais levem para a vida as técnicas que aprendem na sala de aula.

A iniciativa surgiu de uma parceria entre a professora de ioga Zuleica Salazar com a direção da EsFES, através do tenente-coronel João Luís Machado. “A Zuleica soube da nossa preocupação em relação à saúde mental dos alunos e veio com essa proposta. Ela fez um valor acessível para eles e a gente disponibilizou o local para as aulas. Nossa atividade é realmente muito estressante, a ioga nos ajuda a agir diferente para passar por esses momentos”, relata o diretor da instituição. A adesão dos alunos-soldados ocorre de forma voluntária. Além da ioga, eles também têm a opção de participar de aulas de inglês e de um momento religioso, que acontece uma vez por semana.

As aulas de ioga tiveram início no mês de abril. No sexto encontro, os alunos afirmam que já é possível notar as mudanças e os benefícios da atividade. “Me sinto muito relaxado quando saio das aulas. É só uma hora, mas parece que fiquei dois dias de folga”, diz Danilo Santos Guimarães de 26 anos. Danilo relata ainda que as técnicas de respiração estão ajudando a melhorar seu desempenho na hora de apresentar trabalhos e conversar em público.

Manter a calma e a concentração são apenas alguns dos inúmeros efeitos da ioga. A aluna Elisa Fontoura, 25, já sabia disso e por isso ficou entusiasmada quando soube que teria a oportunidade de participar das atividades. Além de auxiliar a enfrentar com mais leveza as demandas do curso preparatório, os exercícios estão contribuindo para a melhora do sono de Elisa. “Sofro de insônia. Tenho dificuldade para relaxar a mente, estou sempre pensando em coisas que tenho para fazer no dia seguinte, mas, com os exercícios, eu consigo desacelerar e trazer o pensamento para o presente. Se a gente não descansa, no dia seguinte está exausto”, conta.

Nos Estados Unidos, a ioga ajuda a salvar vidas

Em países como os Estados Unidos, por exemplo, a ioga é uma prática comum entre servidores da Segurança Pública. A organização não-governamental Ioga For First Responders (YFFR) está acompanhando bombeiros de diversas brigadas dos EUA e ajudando-os a lidar com as demandas de seus perigosos trabalhos. De acordo com um estudo da Fundação Ruderman, no país, mais socorristas cometeram suicídio em 2017 do que aqueles que foram mortos no cumprimento do seu dever.

A ioga não só ajuda os socorristas a lidar com o estresse do trabalho, como também permite que eles façam suas atividades de maneira mais eficiente; especialmente porque ensina a eles técnicas de respiração profunda e controlada, que permite que os bombeiros exijam menos oxigênio enquanto lutam contra as chamas.

O treinamento também é oficialmente parte do programa da Academia de Polícia de Chicago, o que significa que todo novo recruta precisa participar de sessões de ioga antes de ingressar na força-tarefa.

“Eles vão lidar com as situações de forma mais equilibrada e isso irá refletir na sociedade”
A professora Zuleica Salazar explica que toda a prática de ioga tem como principal objetivo trabalhar a mente e, com isso, reduzir o estresse e a ansiedade, características comuns aos alunos-soldados. “A ioga dá uma série de ferramentas para que eles possam aplicar na vida deles. Para a atividade profissional, passo técnicas para serem aplicadas quando estão trabalhando como, por exemplo, manter o foco quando estão na guarda”, explica Zuleica.

Para a professora, todos os benefícios da meditação podem ser alcançados se houver dedicação e esforço do aluno. “Através da respiração já reduzimos a ansiedade. A prática de colocar os pés na parede já alivia o peso das pernas e o desconforto por passarem muito tempo em pé. Trabalhamos a parte filosófica da ioga, a flexibilidade, a consciência corporal, o equilíbrio das emoções, eles estão reaprendendo a relaxar” diz. “Eles vão lidar com as situações de forma mais equilibrada e isso irá refletir na sociedade”, afirma.

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