Até a tarde de ontem, foram mais de 200 compartilhamentos em postagem sobre o ocorrido

Agressão. Dois casos de crime contra a população LGBT geraram repercussão

Entre a sexta-feira e madrugada de domingo passado, dois casos de intolerância e LGBTfobia ocorreram e repercutiram em Montenegro. Um deles chegando até mesmo a repercutir nacionalmente, após publicação dos agressores em redes sociais. No dia 28, uma jovem foi expulsa de casa e ameaçada de agressão física pelo padrasto. Em outro caso, um jovem montenegrino revela na internet que saiu de carro, acompanhado de quatro amigos, em direção à RSC-287 com o intuito de atirar limões em travestis.

O primeiro fato aconteceu com C.D.F., 24 anos e resultou em B.O. na DPPA de Montenegro. Ela acusou o padrasto por ameaça. A jovem revelou que o sujeito ameaçou de “dar socos na cara” e depois a expulsou de casa. A moça vinha sofrendo preconceito da irmã, menor de idade. De acordo com os relatos, as investidas da irmã, em forma de deboche, eram motivadas pela homossexualidade da vítima.

Após perder a paciência e partir para briga, o padrasto ameaçou que ela apanharia “como um homem, pois era o que queria com a escolha sexual”. Ele deu, ainda, 10 minutos para ela deixar a residência. A vítima não tem emprego e nem abrigo. Ela solicitou a abertura de um processo judicial contra o padrasto.

Já o caso de ataque às travestis foi divulgado nas redes sociais, mas não teve registro na DPPA, até o fechamento dessa edição. Um jovem montenegrino revelou que no último sábado saiu com amigos para jogar limões em travestis que ficam nas redondezas da Loja TaQi, às margens da RSC-287. Mascarando o crime como uma “brincadeira”, foi postada uma foto na qual o grupo segurava as frutas, além da frase “Bom dia para quem pôs 4 loko dentro do carro e foi atrás dos travestis da Taqui tocar limão neles”.

A postagem foi printada e, na tarde de ontem o número de compartilhamentos já passava dos 200. Pessoas de Montenegro e de várias outras partes do país mostraram revolta. O perfil em que a ação foi publicada não está mais ativo.

O Jornal Ibiá entrou em contato com um dos envolvidos do último caso, que não quis se pronunciar. Internautas estão fazendo denúncias na Delegacia Online RS, enviando os nomes, prints da postagem e a foto do grupo.

O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais anualmente. Somente em 2016 foram notificados 347 casos de homicídios contra a população LGBT, segundo relatório do do Grupo Gay da Bahia (GGB).

O Coletivo Iris LGBTT Montenegro busca criar uma rede em defesa dos cidadãos LGBTs.

Coletivo LGBT se manifesta
O Coletivo Iris LGBTT Montenegro lançou uma nota de repúdio sobre o caso de transfobia e deu apoio à jovem expulsa de casa. No último domingo, o grupo promoveu debate pautado nesses casos, além de tratar questões de gênero, sexualidade e as dificuldades no mercado de trabalho, que são resultados dessa intolerância. Uma roda de conversa pública e orientação sobre questões de gênero estão sendo organizados para o próximo sábado, na Praça Rui Barbosa, a partir das 10h. Ontem, representantes do grupo foram à DPPA para começar um levantamento do índice de violência contra a comunidade LGBT da cidade.

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