Casa da família ficou completamente bagunçada após ação dos criminosos

Em 2019, foram pelo menos 20 casos de arrombamentos de casas. BM voltou a realizar patrulha rural

O interior de Montenegro passa, desde o começo do ano, por uma crescente onda de criminalidade. O número de propriedades rurais invadidas e saqueadas por criminosos se aproxima de 20 somente em 2019, de acordo com pessoas ouvidas pela reportagem do Jornal Ibiá.

Um dos casos mais recentes foi na casa da família Guth, na localidade de Vapor Velho. Na tarde de segunda-feira, 18, Elaine Guth deixou o local para ir até um banco no Centro. O marido, Dalírio, também não estava. Foi nesse período que receberam a visita indesejada.

Os homens chegaram pelo terreno do cemitério local. Eles bisbilhotaram a casa de madeira menor, onde a família costuma cozinhar as refeições. Mas entraram mesmo na de material, após arrombar a janela de um dos quartos.

Provavelmente atrás de dinheiro, os criminosos reviraram todos os cômodos da residência. No fim, levaram televisão, roçadeira, máquina de cortar piso e até a carne que estava na geladeira. Como possivelmente estavam a pé, eles deixaram para trás o forno elétrico e a máquina de lavar roupas.

Elaine acredita no fato de os meliantes estarem atentos à movimentação das vítimas. Por isso, preferem agir durante a tarde, quando grande parte dos produtores rurais está trabalhando. “Estamos apavorados. É difícil algum morador que nunca tenha sido roubado. Todo mundo tem uma história para contar”, desabafa. “Em outros lugares, amarraram e machucaram as pessoas. Aqui perto, um idoso estava doente e foi agredido. Então, por um lado, temos que ficar felizes de não estar em casa”, completa.

Elaine foi uma das mais recentes vítimas no interior

Na 1ª Delegacia de Polícia de Montenegro, existe uma investigação avançada sobre esse tipo de ocorrência, embora mais dados não possam ser divulgados para não atrapalhar o andamento dos trabalhos. “Também temos relatos de diversas localidades onde existem casos e não são feitos registros. Se não for feita a ocorrência, para a gente, o fato não existiu. Isso prejudica muito o trabalho”, comenta o chefe da seção de investigação, Alisson Castilhos.

Filho de Dalírio e Elaine, Jean Diego Guth também aborda esse tema. “Muitos ficam com medo de represálias, mas tem que fazer o registro na hora. Isso ajuda no trabalho da investigação”, endossa.

O comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), Rogério Pereira Martins, ressalta o fato de a comunidade rural poder confiar na Corporação. “Além das rondas periódicas das guarnições de serviço, com a abordagem de pessoas e veículos, também colocamos em atividade a patrulha rural”, destaca o oficial. Ele frisa o fato de haver ações específicas, em locais onde os registros de crimes são maiores. No interior, são empregados servidores do Pelotão de Operações Especiais (POE) e com conhecimento da região.

O presidente da Associação dos Pecuaristas do Vale do Caí (Apevale), Roberto Machado, comemora a realização da patrulha rural. “O abigeato é um dos crimes, mas existe uma gama de outros que ocorrem em razão da ausência de policiamento”, afirma.

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