Rotina em Santos Reis deixou de ser pacata e passou a exigir atenção dos moradores

SOB vigilância. Para evitar ações de bandidos, comunidade de Santos Reis tranca portas e “abre bem os olhos”

A calmaria característica das localidades do interior vem sofrendo alterações. Em Montenegro, assim como em outras regiões do Estado, a criminalidade ronda os vilarejos e assombra seus moradores. A localidade de Santos Reis, por exemplo, já não é mais a mesma e, a cada ano, vem se tornando mais visada pelos criminosos. A ocorrência de furtos e assaltos coloca moradores em alerta. Além de se recolherem cedo, os vizinhos “monitoram” tudo que acontece na estrada e nas casas do local. Quando algo suspeito acontece, eles logo se comunicam, com o intuito de evitar que o pior possa acontecer.

Quem vê os irmãos Gilberto, 60, e Lourdes Alflen, 62, sentados na frente de casa pode até pensar que não há motivos para se preocupar, mas engana-se. “A gente tem medo”, diz Lourdes. Ela recorda que há menos de um mês a empresa dos vizinhos foi atacada por ladrões, que fizeram reféns e, após, fugiram levando cerca de R$3mil. “Aqui já não é mais tranquilo”, destaca Gilberto.

A movimentação na Estrada Geral da localidade
é bastante vigiada pelos próprios moradores

O caso relatado pelos moradores é só mais um de vários que têm ocorrido na zona rural. A violência está mudando a rotina dos cidadãos. “Antes a casa ficava aberta até tarde, agora a gente fica com as portas e janelas trancadas e cuida pra não voltar pra casa de noite. Quando a gente vê alguém estranho, já se recolhe”, relata Lourdes. Ela também não fica mais sozinha em casa, o irmão faz o possível para sempre estar presente.

Dona Liane Lúcia da Motta, 69, mora em Santos Reis há 50 anos. Para ela, as coisas mudaram muito por lá. “Era tudo muito calmo, mas agora todos têm medo”, afirma. Liane cuida a entrada e a saída de cada morador da casa. Quando a família viaja, o jeito para ir tranquilo é contratar alguém para tomar conta da moradia.

A aposentada conta que até pensou em investir em câmeras e alarmes, mas diz que mudou de ideia ao lembrar que os locais assaltados contavam com esse tipo de equipamento e não foi suficiente para impedir a ação. “Serve para identificar os ladrões, mas não para evitar que entrem”, comenta.

Na casa dela, as portas e janelas também passaram a receber mais atenção. Outra medida adotada por, praticamente, toda a vizinhança foi “tomar conta do outro”. Sempre que os moradores percebem algo diferente, situação ou pessoa desconhecida, comunicam aos demais, para que fiquem alerta. “Um protege o outro. Nós estamos nos cuidando, é o que dá pra fazer. Estamos mais atentos”, conclui.

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