Setor primário passa por crise. Foto: Ilustrativa/ divulgação Fetag

Resultado de março está ligado aos impactos da pandemia no mercado

O Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) fechou o mês de março com alta de 5,71%. A informação consta no relatório divulgado pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) na última semana de abril. O resultado é reflexo do aumento dos preços de quase todos os produtos que compõem o indicador, especialmente soja e milho. Com isso, o acumulado em 12 meses registra uma valorização de 21,08%, a maior da série histórica do índice.

Dois fatores foram importantes no resultado e estão relacionados com a pandemia causada pelo novo Coronavírus. O primeiro foi a variação cambial, juntamente com o preço dos produtos no mercado internacional, especialmente das commodities. No mercado interno, a corrida aos supermercados para formação de estoques em decorrência do pânico inicial gerado pelo Covid-19, gerou uma antecipação da demanda que não refletiu apenas no IIPR, mas também no IPCA Alimentos que acumula 4,87% em 12 meses.

A alta taxa de câmbio também influenciou nos custos de produção, como aponta o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), daquele mês, que registrou 0,84%. Esta é a primeira valorização do indicador no ano. A alta só não foi maior em consequência da queda no preço do petróleo. No acumulado em 12 meses, o IICP teve alta de 1,56%, refletindo a variação cambial no período. O aumento dos custos só não foi maior em virtude da grande oferta de fertilizantes em 2019 que permitiu a desvalorização do insumo no final do ano passado. O relatório diz respeito apenas aos gastos dos agricultores com insumos para o plantio, e não considera o prejuízo causado pela seca no Sul.

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