Bombeiros e voluntários trabalham em torno das florestas para controlar os focos de incêndios. 2.311 residências já foram destruídas. Foto: Reprodução/Shane Chalker/Reuters

MoraDORES DO PAÍS falam sobre as experiências vividas por conta da catástrofe

Os incêndios na Austrália já causaram tantos estragos que estão sendo considerados entre os piores da história. O primeiro-ministro do país, Scott Morrinson, afirmou que já são 28 pessoas mortas e 2.311 casas destruídas. Os danos maiores são especialmente no estado de Victoria e Nova Gales do Sul. O desastre ocorre por conta de uma combinação de recordes de temperaturas, seca e ventos fortes. Acontecendo desde setembro do ano passado, os incêndios já destruíram cerca de 7,3 milhões de hectares e mataram mais de um bilhão de animais, segundo a Universidade de Sydney.

Um dos impactos dessa catástrofe, que é a fumaça, afetou o Rio Grande do Sul. Na semana passada, a Divisão de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) publicou, no Twitter, imagens de satélites que indicaram o avanço da nuvem sobre o estado brasileiro. Montenegrinos que são residentes da Austrália contaram para a reportagem do Ibiá como está sendo viver em meio aos impactos dos incêndios.

Foto: reprodução/facebook

Restrição de água e até da forma de fazer churrasco
Desde 2016 no país, Roberta Kerber Slongo comenta que o aumento das queimadas e a intensidade têm muita relação com a falta de chuvas. “O ano de 2019 acredito ter sido o mais seco desde que cheguei à Austrália”, explica. Moradora de Dee Why, no estado de New South Wales, ela notou diferença nas cores da vegetação, antes verde, e que agora agora é amarelada e sem vida. “Isso onde eu moro, que é um centro urbano, perto da praia, aonde não fomos diretamente afetados pelas queimadas”, ressalta.

Outro impacto é o ar, que Roberta afirma estar sofrendo com a poluição. “Os ventos trazem muita fuligem. Então estamos sempre ligados no aplicativo que mostra as condições do ar e se é recomendado atividades ao ar livre”, explica. No momento, a restrição de água é nível dois, ou seja, os banhos devem ser de três minutos, os jardins só podem ser regados antes das 10h e após as 16h, e o uso de mangueira é proibido. No caso dos carros, a lavagem só pode ser feita de balde ou em lugares especiais e é preciso autorização para encher a piscina. Churrasco só em churrasqueira elétrica. “Existe penalidade para pessoas ou empresas que não seguirem as regras”, explica Roberta.

A Community Support Worker, afirma não ter muita mudança na rotina por estar distante das queimadas diretas, entretanto, a preocupação com a água aumentou. “Mudou mais a questão psicológica de que devemos sempre tentar poupar água em todos os momentos do nosso dia”, conta. Além de cuidar com a medição de ar, por um aplicativo, para praticar atividades físicas ao ar livre.

“O sentimento é de pena pelas pessoas que perderam suas casas. De dor e pena pelas pessoas que perderam suas vidas, pelos animais mortos. Pela provável extinção dos coalas”, afirma Roberta, ao falar sobre o sentimento do que está acontecendo no país. Além disso, gratidão por todos os bombeiros e voluntários que lutam para ajudar no desastre. “Por isso, peço a todas as pessoas e aos montenegrinos que orem por chuva na Austrália e que parem de postar fotos do desastre. Pois é disso que a Austrália precisa no momento. Infelizmente, esse desastre está fora do controle humano, por isso, emanamos chuva!”, finaliza.

Foto: arquivo/tamaradeoliveira

Dias de calor intenso
Moradora há quase dois anos, Tamara de Oliveira é estudante de Inglês no país e barista em um café. A região que ela está não foi muito afetada, mas igualmente sente os impactos do acontecimento. “Mesmo que os incêndios não sejam novidade na Austrália, pelo que percebemos, as queimadas estão mais graves desta vez”, comenta.

Além disso, conta que onde mora não foi muito afetada, mas sente mudanças climáticas. “A região onde moro, na parte central de Melbourne, não foi muito afetada pelos incêndios. Apenas temos percebido dias de calor muito intenso e uma nuvem de fumaça que paira sobre nossa cidade há alguns dias já”, conta. Para finalizar, a estudante fala sobre seu sentimento de gratidão. “Os brasileiros, num geral, têm um sentimento de gratidão com a Austrália e por isso temos feito o possível para ajudar de alguma forma”, finaliza.

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