Moradores do beco passaram o dia removendo os destroços para recomeçar a vida

Defesa Civil recebe donativos para as famílias, que também podem ser entregues diretamente às vítimas

Após a tensão da madrugada da última sexta-feira, dia 28, quando cinco casas foram consumidas no incêndio em um beco na rua Fernando Ferrari, que deixou cerca de 20 pessoas sem moradia, agora as famílias lutam para retomar a vida. Os bombeiros conseguiram evitar uma tragédia ainda maior, já que no beco todas as casas são de madeira e ficam muito próximas uma das outras. As causas do incêndio ainda são desconhecidas. Ninguém ficou ferido.
Entre as casas queimadas, três são pessoas da mesma família. Desempregado, Júnior Schweig e a esposa, Ana Lúcia Rodrigues, dormiam quando as chamas começaram a se alastrar da casa ao lado, onde mora o enteado Fernando Silva. “Acordei com susto. Tentei salvar algo molhando a casa. Vizinhos ajudaram. Agora toda ajuda é bem-vinda”, diz o homem, que teve a casa completamente destruída pelas chamas. O enteado Fernando e a esposa mal conseguiam falar sobre a tragédia. O rapaz não tem emprego fixo e vive de pequenos trabalhos para manter a família. “Importante é que todo mundo está bem”, diz Fernando.

Ainda abalada por ter visto os netos em risco de morte, Elaine Santos da Silva só tem a agradecer a um dos genros, Tiago Garcia, que bateu na porta de madrugada para alertar sobre o fogo na casa ao lado prestes a se espalhar. Na casa de Elaine moram nove pessoas, entre filhas, genros e os três netos, sendo que dois deles possuem entre quatro meses e um mês de vida. “Eles inalaram fumaça e foram levados para o hospital. Agora a gente vai retirar o que restou intacto e dormir na casa de familiares”, conta Elaine.

A moradia é pequena, mas o coração do pedreiro Felipe Silva e da garçonete Carina Quevedo tem espaço de sobra. A casa deles não sofreu danos e o casal, que tem um filho de um ano de idade, vai abrir as portas para receber o irmão de Felipe e a esposa dele, assim como a mãe do rapaz, Ana Lúcia Rodrigues e o esposo, Júnior, assim como Irio Matte — vizinho que também perdeu tudo e não tem para onde ir. “A casa só tem um quarto, mas a gente dá um jeito”, diz Carina. Já Felipe, que viu a mãe e o irmão perderem tudo, diz poucas palavras, mas de muito trabalho. Ele e o pai também ajudaram a remover os escombros para fora do terreno. “Agora é pensar daqui para frente”, diz o pedreiro.

Defesa Civil prepara ajuda aos desabrigados
Apesar de ninguém ter saído ferido da ocorrência, cerca de 20 pessoas de cinco famílias ficaram desabrigadas e perderam tudo o que tinham na tragédia. A Defesa Civil de Montenegro está atendendo essas famílias e recebe doações que serão repassadas para esses moradores.

De acordo com o chefe da Defesa Civil de Montenegro, Marcelo Silva, em um primeiro momento o órgão ajuda as famílias com alimentos e produtos de higiene e limpeza. Logo após, a Defesa auxiliará, na medida do possível, na reconstrução das casas. As doações podem ser feitas na sede da Defesa Civil, no Parque Centenário, no antigo prédio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

Segundo o secretário de Habitação, Leonardo Appel, o contato com os servidores do setor já foi feito e eles irão verificar as necessidades dos desabrigados que, neste momento, estão na casa de parentes. “Faremos de tudo para restabelecer as famílias”, enfatizou o secretário.

Quem quiser ajudar, também pode entrar em contato direto com as famílias:
— Carina Quevedo , telefone 99529-6747: ela e o esposo, Felipe Silva, vão abrigar a sogra, o genro e um vizinho.
— Tiago Garcia (99659- 8893): ajudou no resgate dos sobrinhos com menos de um ano de idade. Na casa da cunhada moram nove pessoas, entre adultos e crianças.

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