Diácono Dério Milke vai à igreja de Santos Reis todos os domingos para gravar cultos e fazer a transmissão

Reinvenção. Gravação e divulgação dos cultos é a opção encontrada pelo diácono Dério Milke

Igreja de Santos Reis, vinculada à Paróquia Evangélica de Confissão Luterana União

Sem os tradicionais cultos presenciais devido à pandemia do novo coronavírus, as igrejas do interior de Montenegro precisaram se reinventar para transmitir o Evangelho neste período. Na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana União em Montenegro, em Santos Reis, a alternativa encontrada pelo diácono Dério Milke tem sido a gravação e transmissão dos cultos por meio das redes sociais. Além disso, ele envia, diariamente, uma mensagem do Evangelho para as pessoas através do WhatsApp.

Desde o início da pandemia, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) suspendeu todas as atividades presenciais em todo o país. Com isso, na Paróquia União em Montenegro, desde a metade do mês de março, não há encontros do grupo de senhoras, de estudos e de jovens, aulas de música, trabalhos com as crianças, ensino confirmatório e, claro, os cultos. Apenas o programa de rádio da comunidade não foi afetado neste período.

Dério e Ari sentem falta das tradicionais atividades da paróquia, situada no interior

Para se adaptar à nova realidade, o diácono Dério tem ido à igreja de Santos Reis todos os domingos pela manhã para gravar o tradicional culto. “Para a mensagem chegar aos membros, decidi gravar os cultos e publicar nas redes sociais. Antes da pandemia, algumas pessoas já não podiam acompanhar os cultos presencialmente e agora podem assistir de casa”, salienta. A página da Paróquia no Facebook contempla as comunidades de Santos Reis, Campo do Meio, Costa da Serra, Faxinal e Sanga Funda.

Porém, muita gente sente falta das celebrações presenciais. “Quem não conseguia vir à igreja, fala que os cultos virtuais são muito bons, porque dá para assistir em qualquer horário. Mas quem frequentava regularmente (a igreja) sente mais falta. As pessoas entendem a situação e têm receio”, acrescenta o diácono. Além dos cultos virtuais, a Paróquia retomou os encontros do ensino confirmatório, também de forma remota.

Dério reforça a importância da transmissão do Evangelho à comunidade neste período, mas frisa que não consegue levar a mensagem para todas as pessoas. “Tem um grande número de pessoas que não consigo alcançar. O sinal de internet está presente no interior, mas o conhecimento técnico para acessar as redes sociais é o que impede a participação das pessoas de mais idade. É muito difícil ensiná-las”, lamenta.

O diácono acredita que, quando a situação se normalizar, algumas pessoas vão preferir assistir aos cultos de casa, como está sendo feito agora, mas também muita gente vai optar por ir à igreja. No entanto, ele frisa que a possibilidade de manutenção das gravações será analisada posteriormente. “Essa transmissão virtual exige estrutura, exige uma equipe. Tudo deve ser avaliado”, pontua.

Os eventos festivos das comunidades também tiveram que ser cancelados durante a pandemia. Dério reitera que os festejos só serão agendados quando tudo voltar ao normal. “As comunidades são muito festeiras, tinha eventos marcados, estava tudo programado e tivemos que cancelar. Meu medo é o risco gerado pela aglomeração, porque o povo brasileiro é muito afetivo, é um povo que gosta de estar junto. Disso o pessoal sente falta, e eu também sinto. Mas esse também é o papel da igreja, de cuidar do próximo”, frisa o religioso.

Outra questão que preocupa o diácono é a situação financeira da paróquia no curto prazo. “Financeiramente, a paróquia estava bem organizada para suprir possíveis prejuízos até certo período, mas, até o fim do ano, não dá. Até agosto ou setembro conseguimos ‘sobreviver’. A partir do segundo semestre, vamos ter que promover ações e atividades. Nossa expectativa é que a situação se estabilize e se possa retomar as rotinas aos poucos”, projeta.

Ari lamenta o fato de muitas pessoas não levarem a pandemia a sério

Presidente da Paróquia sente falta das tradicionais celebrações
“Desde pequeno, eu estava acostumado a participar do culto na Sexta-Feira Santa. A família estava reunida, mas é um momento complicado. No domingo de Ramos também, nem o sino tocou. Tomara que a gente não passe mais por isso.” O relato é do seu Ari Krug, presidente da Paróquia União em Montenegro e frequentador assíduo das celebrações na igreja da comunidade de Santos Reis, antes da pandemia.

Aos 71 anos, Ari revela ter medo de ser infectado pelo novo coronavírus e admite sentir muita falta das atividades da paróquia. “A maioria está levando essa pandemia na esportiva, por isso é difícil ter uma perspectiva de melhora. Sinto falta do grupo de estudos e dos cultos na igreja, estava acostumado a sair nos finais de semana. Agora ficamos trancados em casa, sentimos saudade das pessoas”, declara.

Para acompanhar os cultos virtuais nas manhãs de domingo, seu Ari conta com o auxílio de uma das filhas ou de sua vizinha. “Uma das filhas ou a vizinha mostram a transmissão do culto para mim. Se não fosse assim, eu não conseguiria acompanhar”, salienta o agricultor aposentado.

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