O motorista Roni Ritzel Ferreira com a esposa Angelita Lisboa de Vargas

Condutor parou o coletivo e, com a ajuda de outras pessoas, socorreu e encaminhou o aposentado para atendimento na secretaria municipal da Saúde

Falta altruísmo, mais amor e empatia ao próximo no mundo. É o que comumente se ouve falar por aí. Mas há pessoas que, quebrando a “regra”, são capazes de atos de generosidade, dedicando alguns momentos do seu tempo e trabalho pelo bem de outra pessoa. Felizmente, histórias de solidariedade ocorrem todos os dias, mas uma, em especial, chamou a atenção dos montenegrinos na tarde da última segunda-feira, dia 5.

Num ato coletivo, um grupo de pessoas socorreu rapidamente um senhor, ainda não identificado, que passou mal na linha de transporte coletivo urbano Cinco de Maio, por volta de 12h30min. A passageira Ana Maria Sarmento foi quem primeiro percebeu a dificuldade do idoso em respirar e comunicou o motorista do ônibus, Roni Ritzel Ferreira, 45 anos.

“Esse senhor que passou mal é passageiro diário da linha. Quando a moça veio me avisar, eu estava na parada da Secretaria da Saúde. Deixei todas as pessoas embarcarem e desembarcarem e fui ver se ele precisava de algo, se queria que chamasse a Samu. Ele estava com muita falta de ar”, explica Roni.

Com a negativa do passageiro, que solicitou apenas ser deixado na parada próximo à sua casa, onde pegaria seus medicamentos, Roni relata que assumiu a direção do ônibus a fim de dar continuidade à rota. “Foi quando ele desmaiou. Aí eu dei o alerta, parei o ônibus e fui ajudar a socorrê-lo. Essa mesma senhora ficou cuidando dele enquanto eu chamava o socorro. Outro passageiro se prontificou a ir correndo à secretaria de Saúde buscar assistência. Logo vieram duas enfermeiras e, em seguida, um motorista. Eles o chamavam de João”, destaca.

Após o ato coletivo de socorro, o idoso foi levado ao Hospital Montenegro pelos funcionários municipais de maneira muito prestativa, segundo o motorista de ônibus. “Parabenizei eles porque assim pudemos removê-lo com segurança do ônibus para o carro da Prefeitura, que não era nem a ambulância, para ser conduzido ao atendimento. Na verdade, eles que fizeram tudo, eu apenas ajudei”, salienta.

Trabalhando há quase quatro anos na direção de ônibus da Viação Montenegro, Roni informa que essa não foi a primeira vez que um passageiro passa mal em sua linha, mas a terceira. “Quando acontece, a primeira atitude é prestar assistência, porque é uma vida. Devemos sempre priorizar a vida. O resto pode esperar. A gente tem, inclusive, curso de transporte coletivo para prestar socorro em situações como essa, renovado a cada cinco anos”, ressalta.

Em recuperação

O idoso socorrido pelo motorista e por passageiros na segunda-feira está se recuperando. “Ontem pela manhã (terça-feira), eu até me assustei, porque ele pegou o ônibus comigo novamente. Ainda tinha falta de ar, mas me disse que ia ao médico com quem faz tratamento”, surpreende-se Roni.

Ana Sarmento, que foi a primeira a ajudar o idoso, soube pelo motorista sobre a melhora do seu quadro de saúde. Aliviada, ela agradece a Deus por ter lhe dado forças para ajudar, pois nunca tinha passado por uma situação dessas. “A primeira coisa que pensei foi em auxiliar, pois um dia meu pai teve isso e não voltou mais. Foi socorrido, mas veio a óbito”, conclui.

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