Sagrada Família, no Caí, vai emprestar R$ 360 mil para evitar progressão da dívida de R$ 810 mil

Funafir é alternativa aos repasses atrasados, mas não vai quitar o valor integral das dívidas

O Governo do Estado lançou mão, outra vez, de uma alternativa para conter a crise financeira na Saúde Pública, embora o Fundo de Apoio Financeiro e de Recuperação dos Hospitais Privados, Sem Fins Lucrativos e Hospitais Públicos (Funafir) terá como efeito apenas frear o aumento das dívidas com as instituições. Os hospitais Montenegro (HM) e Sagrada Família – em São Sebastião do Caí – estão aptos a aderir ao sistema.

A problemática obrigou a Secretaria da Saúde (SES) a ampliar para 116 o número de hospitais filantrópicos e santas casas aptos a aderir à linha de crédito via Banrisul. Inicialmente 112 instituições seriam beneficiadas. O valor do financiamento também foi ampliado para R$ 100 milhões, com prazo de carência de 12 meses.

O sistema consiste nas instituições tomarem o empréstimo e os juros serem subsidiados pelo Estado. Isso substituirá o repasse direto dos atrasados. Em resumo, o hospital pega o valor, o Governo paga e assim quita parte da dívida. Na semana passada, a secretária Arita Bergmann, durante assembleia geral da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, anunciou um valor total de R$ 90 milhões para ser emprestado.

O diretor administrativo do Sagrada Família, Johnnie Locatelli, informa que, pela quarta vez, a casa de saúde deve aderir a essa forma de quitação. “Estamos estudando ainda. Mas muito provável que sim, pois é a única alternativa dada pelo Estado para suprir os atrasados”, declarou.

Com repasses atrasados desde setembro de 2018, a casa de saúde do Caí tem direito a R$ 810 mil, sem contar janeiro e fevereiro deste ano. Mas Johnnie esclarece que não será este valor integral que será suprido pelo Funafir. O empréstimo de R$ 360 mil ao Sagrada Família será referente a janeiro e ainda adiantará o repasse de fevereiro. Já os quatro meses do ano passado seguirão em atraso. Mas Johnnie prefere valorizar o fato da dívida não progredir. “Se colocar janeiro e fevereiro só vai aumentar a dívida”, conclui.

Após novo corte de valor no contrato por parte do Estado, em 2018 Hospital Montenegro encerrou as Especialidades

Hospital Montenegro também está em fase de avaliação da sua terceira adesão ao Fundo. O diretor administrativo, Carlos Batista da Silveira, explica que a Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas (OASE), real tomadora do empréstimo, precisa primeiro aprovar em assembleia. Somente depois a direção do HM deve encaminhar ao Banrisul o pedido e documentos, já estando habilitado. O Estado deve ao Hospital Montenegro, desde setembro passado até janeiro, R$ 8,2 milhões.

Adesão exige manter serviços do SUS
Para aderir, as entidades devem atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que se comprometem a manter, no mínimo, os serviços gratuitos existentes na data da concessão do financiamento. Após a liberação dos recursos, as instituições terão até 180 dias para prestar contas aos respectivos conselhos municipais de saúde, assim como o Conselho Diretor do Funafir. O programa está em fase de implantação no Banrisul.

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