MORANGOS são apenas um dos alimentos plantados na grande horta da Escola Municipal Santo Antônio

Projeto na Câmara dos Deputados propõe que escolas criem espaço para cultivo de alimentos. Na cidade, algumas já têm

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que torna obrigatória a definição de espaços para hortas em instituições de ensino públicas da educação básica, de 1º ao 9º anos. O texto estabelece que elas sejam utilizadas para ensinar os alunos sobre produção agrícola, desenvolvimento sustentável e hábitos alimentares saudáveis. Além disso, os legumes e verduras colhidos vão contribuir com a merenda escolar. A deputada e professora Marcivânia Flecha (PCdoB), ao analisar a sugestão, disse que seria melhor retirar do documento, de autoria do deputado Carlos Henrique Gaguim (Pode-TO), o prazo de 180 dias para que as escolas se adaptassem à nova regra.

CRIANÇAS se sentem motivadas a comer o que elas mesmas plantaram e colheram durante as ações na horta

Em tese, no futuro será assim: escolas que não tiverem espaços livres para construir as próprias hortas deverão firmar parcerias com outras entidades que possam abrigar dois espaços – o próprio e o de quem está pedindo apoio. Instituições que forem construídas após a nova lei ficam obrigadas a destinar um espaço para isso. Nos próximos dias, o texto será analisado de forma conclusiva também pelas comissões de Finanças e Tributação, Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O coordenador pedagógico e de projetos da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Smec), Cristiano Barreto Kochenborger, gosta da proposta. Ele salienta que, entre os benefícios alcançados nas unidades que possuem hortas, destacam-se a produção e o consumo de alimentos naturais pelos alunos, a promoção de atividades ligadas à culinária na escola, troca de conhecimentos e a inserção de assuntos como a economia doméstica. A influência nas escolhas alimentares das crianças, além do debate sobre as consequências das ações do homem também são ganhos.

Hortas escolares formam crianças conscientes

DIRETORA Alini Motta e professora Cinara Longhi festejam resultados

Quanto mais cedo se aprende sobre determinado assunto, mais fácil é memorizar o conteúdo. Disso todos sabem. Foi justamente o que motivo as mais de 20 escolas municipais da cidade a criarem uma horta em seus pátios. No intuito de proporcionar o aprendizado às crianças com relação ao plantio e à colheita, a direção da Escola Municipal de Ensino Infantil Santo Antônio decidiu, há pouco mais de um ano, que começaria com o projeto.

“Foi em 2016 que iniciamos com pequenos canteiros. Na época, tínhamos que atender a quatro turmas. Agora a quantidade dobrou, o interesse dos alunos pela horta é bem maior, então tivemos que ampliar”, conta Cinara Tur Longui, professora responsável pela preservação do espaço. Já em maio deste ano, a administração organizou um mutirão com funcionários da escola, estudantes e pais dos alunos para capinar e criar uma horta mais estruturada e que pudesse fornecer a maior parte dos legumes e verduras utilizados no almoço e na janta dos pequenos.

Nos primeiros dias, segundo Cinara, eles ficavam um pouco acanhados de colocar as mãozinhas na terra, pois estavam mais habituados com a areia. “Agora até perguntam: profe, quando a gente vai na horta de novo?”, conta. Alfaces, rúculas, morangos, tomates e chás são plantados pelos próprios alunos, com o auxílio de Cinara. Eles seguem o calendário lunar para não cometer erros. Na lua minguante, são semeadas as raízes, como beterraba; na cheia, os alimentos “gordinhos”. Alfaces e couves são exemplos. Na crescente, é a vez do que floresce.

De acordo com Cinara, dá certo. “Já chegamos a plantar em outros períodos não propícios para determinado alimento, e não cresce do mesmo jeito. Fica murcho, feio”, afirma. A horta é cultivada mediante doação das famílias e compra de mudas e sementes por meio das contribuições arrecadadas pelo Círculo de Pais e Mestres (CPM).

E por falar em família, ela também tem um papel fundamental nisso. Conforme a diretora Alini Motta dos Santos Gonçalves, o que acontece, muitas vezes, é as crianças colherem cenouras, por exemplo, e levarem para comer em suas casas. Também são estimuladas a plantar chás e cuidarem das mudas em casa.

Cada turma tem seu dia certo na semana para ir ver como a horta está. De manhã, são as crianças do jardim de infância e, à tarde, os maternais. “Ter uma horta escolar proporciona multiconhecimentos. Conseguimos trabalhar o meio ambiente, o cuidado, a germinação e uma alimentação saudável”, defende Alini.

Alunos aprendem e se divertem

O Aluno Otávio Santos Velten

Otávio Santos Velten, de quatro anos, é apenas uma das crianças que estão encantadas pela horta da Escola Santo Antônio. “Gosto muuuito!”, declara empolgado, referindo-se ao que sente quando é a vez de sua turma mexer na terra e nos alimentos. Entre colher, plantar e comer, sua tarefa favorita é molhar. “Já colhi alface”, conta. “E o que tu levou esses dias para casa?”, questiona a professora. “Cenoooura”, responde o menino, espichando a fala. A iniciativa da família de Otávio foi criar uma pequena horta em sua casa para cultivar os girassóis trazidos da escola, o que incentiva bastante a curiosidade das crianças e as estimula a comer alimentos saudáveis, uma vez que são semeados por elas mesmas.

AS HORTAS NAS ESCOLAS MUNICIPAIS
Escola Manoel José da Motta – tem
Escola Adolfo Schuler – tem
Escola José Pedro Steigleder – possui espaço para horta, mas não foi implantada
Escola Etelvino de Araújo Cruz – há possibilidade de haver, além de horta, uma estufa
Escola Maria Josepha Alves de Oliveira – tem
Escola Ana Beatriz Lemos – tem
Escola Bernardino Luis de Souza – tem
Escola Tio Riba – possui espaço para horta, mas não foi implantada
Escola Esperança – tem
Escola Cinco de Maio – não tem
Escola Dr. José Flores Cruz – tem
Escola Bárbara Heleodora – tem
Escola Carolina Kochenborger – tem
Escola Pedro João Müller – tem
Escola Emma Ramos de Moraes – possui espaço para horta, mas não foi implantada
Escola Santo Antônio – tem
Escola Mafalda Padilha – tem
Escola Clara Camarão – tem
Escola Esperança – não tem
Escola Maria Laurinda – tem
Escola Gente Miúda – tem
Escola Bello Faustino – tem
Escola Carlos Schubert – não tem
Escola Walter Belian – tem
Escola Jacob Haubert – tem
Escola Militão José de Azevedo – tem
Escola Henrique Pedro Zimmermann – tem
Escola do Bairro São Paulo – tem

Fonte: Secretaria Municipal de Educação e Cultura

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