Barbárie. Preso, ele responderá ainda por agressão física e grave ameaça

Um indivíduo de 45 anos foi preso na noite de terça-feira, após um ato de violência extrema contra sua ex-mulher. Com apoio de outro homem, ele sequestrou, agrediu, ameaçou de morte e a estuprou no meio de um matagal, na localidade de Fortaleza, interior do Município. Capturado em flagrante pela Brigada Militar (BM) e levado à DPPA Vale do Caí, prestou depoimento ontem na Delegacia da Mulher (Deam), onde deu outra versão.

O testemunho da vítima à Polícia Civil (PC) é detalhado no diz respeito às agressões e ao verdadeiro “surto psicótico” do acusado. Segundo a mulher, de 29 anos, o relacionamento durou quatro anos, período no qual foi estuprada outras vezes. Se resistia ao ato, era espancada. Há quatro meses, aconteceu a separação, contrariando o esposo, que passou a persegui-la. Inclusive, após nova ameaça grave, no começo de agosto, ela registrou Boletim na Deam e recebeu benefício da Medida Protetiva. O inquérito por ameaça foi enviado ao Poder Judiciário na semana passada.

O crime desta terça-feira iniciou por volta das 20h30min, quando ela acompanhava uma vizinha ao bairro Germano Henke. Ao chegar à comunidade, já reconheceu a camionete do ex-marido parada. Ao volante, identificou um primo dele.

Quando retornava, foi “gravateada” pelas costas e sentiu um canivete pressionando as costelas. A amiga fugiu e ela foi arrastada para o carro. No interior do veículo, recebeu cotoveladas, puxões de cabelo e ameaças de morte; sempre subjugada pelo canivete e orientada a ficar quieta. Os agressores entraram em uma estrada vicinal na Fortaleza, que a vítima recorda ser cercada de mato.

Tortura física, ameaça de morte e violência sexual
Novamente puxada pelos cabelos, ela foi retirada do carro e viu que o outro homem apontava um revólver, enquanto gritava: “Come ela… mata de uma vez e vamos embora”. Uma motocicleta chegou a parar e a perguntar se estava tudo bem, mas teria partido depois de ver o acusado abraçar a mulher. Seguindo sua sessão de tortura, ele apontou para uma clareira no mato, afirmando que era o açude onde iria matá-la.

“Tu não quer que eu te mate? Então vamos ser felizes juntos”, teria dito. Ato contínuo, obrigou que ela fizesse sexo oral, segurando sua cabeça com uma mão e com a outra colocando-lhe o canivete no pescoço. Todavia, ele não conseguiu manter a ereção, o que o transtornou ainda mais. Jogada ao solo, foi novamente ameaçada com a faca.

Neste momento, o primo avisou que havia uma ligação no celular. Antes de atender, ele teria dado a arma branca à mulher e pedido que então ela acabasse com a vida dele; o que ela se negou fazer. A mulher ouviu quando o agressor falou ao telefone que logo estaria indo para casa. Novamente, ele arrastou a ex-esposa para o carro e saíram. A essa altura, a Brigada já havia sido acionada e fazia averiguações no Germano Henke.

25 minutos para reatar casamento
A vítima foi largada na RSC-287, onde o ex-marido lhe deu 25 minutos para ir até a casa da mãe, recolher seus pertences e voltar a viver com ele. Ela não deveria falar com ninguém, e apenas dizer que estava reatando o casamento. A vítima recebeu apoio da família e acionou a Polícia Militar, que, sabendo da denúncia anterior, agiu rápido. Os agentes encontraram o acusado perto do endereço da sogra, em uma casa que alugou há pouco, logo após a denúncia dela no começo de agosto. Assim que os avistou, ele teria pulado o muro dos fundos e fugido, cruzando vários quintais. Mesmo assim, acabou capturado.

Em seu depoimento, ele explicou que o casamento terminou, há 10 dias, devido à infidelidade da mulher. Afirma que terça-feira descobriu o endereço do “amante” dela e foi ao local, sendo que a encontrou chegando de moto. Então propôs conversa e ela entrou espontaneamente no carro. Foram à casa da sogra e resolveram tomar chimarrão. Como não havia erva-mate, a mulher teria saído para comprar e ele sugeriu que voltassem a se encontrar em seguida, mas na casa dele. Ao chegar à residência, ele teria sido surpreendido pela Brigada. Ele nega que tenha fugido, mas confirma que o canivete é seu. O acusado garntiu ainda que faz dias que não vê o tal primo citado pela vítima; que deverá ser arrolado como testemunha.

Não bastasse a denúncia de sequestro feita ao telefone 190, mais de uma hora antes do pedido de socorro da própria vítima, quando já estava na casa da mãe, a mulher ainda apresentou boletim de atendimento médico do HM. E o processo que corre na Deam será completado com exames de corpo de delito que realizou no Instituto Médico Legal (IML).

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