Diante do quadro de dívidas, Batista preferiu ter esperança de, hoje, receber março

Saúde. Cirurgias e especialidades voltam depois do Estado notificar a instituição

A expectativa era anunciar a retomada definitiva de cirurgias eletivas e consultas ambulatoriais de especialidades no Hospital Montenegro (HM) com aporte financeiro regular por parte do Estado. A realidade é que os serviços serão retomados, todavia, sem o Governo do Rio Grande do Sul cumprir sua parte no contrato, obrigando a casa de saúde arcar com as despesas. Questionado quanto tempo esperaria para anunciar novamente o encerramento destes atendimentos, o diretor Carlos Batista preferiu não responder. Ele disse apenas que é um otimista.

Em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira, dia 2, a direção expôs o cenário criado após a assinatura do novo contrato com o Estado, em 22 de março. As cláusulas empunham deveres a ambas as partes. Ao Hospital cabe retomar os atendimentos; enquanto a Secretaria de Saúde se comprometeu com os pagamentos em dia. Todavia, até a data limite de 30 de abril, o valor de R$ 1 milhão e 827 mil referente a março não foi depositado.

Por outro lado, o HM recebeu, na semana passada, notificação por descumprimento contratual determinando que reinicie imediatamente os serviços. Uma incongruência que se completa com a punição descrita no documento, ameaçando procurar nova entidade referência à comunidade que receberia as verbas para que assuma as cirurgias e as especialidades. Batista observa que então, ao invés de punir o hospital tirando a verba que não recebe em dia, é mais coerente simplesmente pegar este dinheiro e repassá-lo ao HM conforme contrato.

A direção da instituição então cumpre sua parte, anunciando a retomada das cirurgias a partir do dia 13. As consultas de especialidades reiniciam oficialmente na segunda-feira, dia 6, apesar de que algumas já estão sendo realizadas novamente. A retomada de todas será gradual, com expectativa inclusive de implementar exames de Mamografia em maio. Tudo acontece, porém, sem garantia de continuidade.

“A gente lamenta. Gostaríamos que o Estado tivesse cumprido sua promessa”, declarou Batista. Questionada, a secretaria estadual respondeu, através de sua assessoria que “foram transferidos, na última terça-feira, os incentivos estaduais para hospitais do Rio Grande do Sul, no valor total de R$ 61 milhões, referente ao mês de março. No final da tarde, o diretor confirmou que ainda não havia entrado na conta, mas foi informado pela Secretaria que hoje março seria depositado.

Números e valores
– A dívida total do Estado com o HM está agora é R$ 8 milhões e 200 mil referentes a metade de setembro, além de outubro, novembro e dezembro de 2018 inteiros; e agora março de 2019 (R$ 1 milhão e 827 mil). Janeiro e fevereiro foram quitados através do empréstimo Funafir;
– As especialidades estão paradas desde 6 de novembro;
– Cerca de 80 profissionais médicos estão há quatro meses sem receber salário, somando cerca de R$ 4 milhões e 200 mil;
– Apenas para retomar as cirurgias o HM precisa de R$ 40 mil somente para comprar roupas especiais aos médicos e ao paciente;
– O contrato com União e Estado prevê repasse mensal de R$3 milhões e 720 mil; o que divido pela população referência de 170.000 pessoas dá R$ 20,00 por cidadão. Um caso emblemático são as consultas de Cardiologia pelas quais o Estado repassa R$ 10,00 e o Hospital paga R$ 50,00 ao médico.

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