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Depois do casamento real, a duquesa de Sussex Meghan Markle ganha novamente o centro das atenções no Reino Unido e em boa parte do mundo. Conhecida por quebrar padrões e protolocos reais, desta vez o nascimento do seu primeiro filho com o príncipe Harry promete fugir dos métodos tradicionais. De acordo com fontes próximas do casal, Meghan planeja um parto normal, com apoio de uma doula e de técnicas de hipnoparto.

Príncipe Harry e Meghan Markle. Foto: reprodução internet

Conhecido de forma geral como hipnoparto ou hipnonascimento, esse método tem crescido em popularidade na Grã-Bretanha nos últimos anos, já que promete ensinar às futuras mães técnicas de respiração e relaxamento profundo que podem levar a um parto sem estresse e com pouca ou nenhuma dor. Diante do crescimento, o sistema público de saúde britânico, o NHS (National Health Service, em inglês), está estudando oferecer cursos de auto-hipnose a mulheres grávidas como uma forma de aumentar o número de partos naturais (sem uso de anestesia) e reduzir custos.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) destaca que a hipnose pode ser utilizada para condições psicossomáticas, liberação de memórias reprimidas, alívio de dor, controle de hábitos (como tabagismo) e para amenizar ansiedade, estresse ou depressão. Apesar dos benefícios, não é qualquer pessoa que pode praticar. Conforme o CFM, a hipnose deve ser executada por médicos, odontólogos (para dor) e psicólogos, em suas estritas áreas de atuação. Ainda, a entidade destaca que o profissional precisa ter uma base sobre como o cérebro funciona para não desencadear complicações e administrar as consequências da hipnose.

Luísa Maurer

Na era que marca a epidemia de cesáreas, a decisão da duquesa reforça um movimento cada vez mais crescente de mulheres que nadam contra a maré, buscando viver cada sensação de trazer uma criança ao mundo de forma mais natural e humanizada. Embora não exista dados oficiais, as experiências recentes de doulas mostram uma procura maior por partos em que se possa viver a experiência em toda a sua plenitude.

A fisioterapeuta pélvica e doula Luísa Maurer, explica que o parto humanizado visa o protagonismo da mulher, onde suas escolhas possam ser respeitadas sempre, garantindo o bem estar da mãe e do bebê. “Seu objetivo é deixar a fisiologia do parto acontecer, deixar o ambiente adequado para os hormônios atuarem neste processo de parir, assim, o parto humanizado prima utilizar o mínimo necessário de intervenções”, revela a doula.

“Para mudar o mundo, é preciso mudar a forma de nascer”
Muito conhecida, a frase do médico Michel Odent, um dos precursores do parto humanizado no mundo, transmite por completo a ideia do método, já que visa identificar e dar apoio às necessidades físicas e emocionais da parturiente. Conforme Luísa Maurer, esse tipo de assistência permite que a mulher tenha mais autônima, como poder se movimentar para aliviar as dores e expressar suas emoções.

“Uma questão muito importante é o cuidado com a chegada do bebê ao mundo, sem esquecer que ele passa normalmente mais de 38 semanas dentro do útero [local quente e escuro], assim, as equipes humanizadas respeitam um determinado tempo para fazer o corte e o clampeamento do cordão umbilical. Esse tempo faz com que haja maior passagem de sangue da placenta para o bebê”, explica a doula.

Outro ponto destacado pela profissional é a permanência do bebê ao lado da mãe logo que nasce e o estímulo de mamar na primeira hora de vida, o que favorece muito o vínculo entre mãe e bebê. “Como consultora de aleitamento materno, sabemos e incentivamos este momento pela importância na produção de leite, na proteção imunológica do bebê e na conexão emocional do momento”, enfatiza Luísa.

A doula Luísa Maurer durante o trabalho de parto de uma de suas pacientes. Foto: arquivo pessoal

Busca por partos naturais cresce
No ano passado, o número de partos normais cresceu 8% em maternidades e hospitais brasileiros que participam do projeto “Parto adequado”, da Agência Nacional de Saúde (ANS). Nas 130 unidades espalhadas pelo país, a média de partos normais chegou à metade dos nascimentos nesses hospitais.

“Infelizmente no Brasil a realidade é muito difícil, somos um dos países com um dos maiores índices de cesarianas. Se pensarmos em países de primeiro mundo, esse procedimento só é utilizado em casos de extrema necessidade e com todo apoio à gestante. Em nosso país, mesmo havendo uma Lei Federal, em muitos hospitais a mulher não pode ter alguém junto com ela neste momento tão delicado de sua vida”, salienta a doula.

O que é a Lei do Acompanhante?
A Lei Federal nº 11.108, de 07 de abril de 2005, mais conhecida como a Lei do Acompanhante, determina que os serviços de saúde do SUS, da rede própria ou conveniada, são obrigados a permitir à gestante o direito à presença de acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto.

Ainda, a Lei determina que esse acompanhante será indicado pela gestante, podendo ser o pai do bebê, o parceiro atual, a mãe, um(a) amigo(a), ou outra pessoa de sua escolha. Se ela preferir, também pode decidir não ter acompanhante.

Conheça seus direitos
– A Lei do Acompanhante é válida para parto normal ou cesariana;
– A presença do (a) acompanhante (inclusive se este for adolescente) não pode ser impedida pelo hospital ou por qualquer membro da equipe de saúde, nem deve ser exigido que o (a) acompanhante tenha participado de alguma formação ou grupo.
Se esses direitos não forem respeitados, você deve entrar em contato com a Ouvidoria do Ministério da Saúde por meio do telefone 136.

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