O goleiro gremista Paulo Victor foi destaque nas duas finais e pegou três pênaltis na decisão. Fotos: Lucas Uebel / divulgação Grêmio

Bicampeão. Grêmio ergueu a taça do Gauchão na última quarta-feira

Em uma decisão, principalmente se tratando de Gre-Nal, os torcedores sonham com os craques decidindo a partida e imaginam os ídolos sendo os destaques do clássico. Na quarta-feira, porém, a final do Campeonato Gaúcho teve protagonistas improváveis. Desacreditados por grande maioria da torcida gremista no início da temporada, Paulo Victor e André espantaram a desconfiança durante o estadual e se tornaram os heróis do título conquistado nos pênaltis sobre o maior rival.

Contratado na metade de 2017, Paulo Victor chegou ao tricolor para ser o reserva imediato do ídolo Marcelo Grohe. Em sua estreia, defendeu um pênalti de Robinho na vitória gremista sobre o Atlético-MG por 2 a 0, pelo Campeonato Brasileiro. Assumiu a titularidade nesta temporada, após a saída de Grohe para o futebol árabe. Inicialmente questionado pela torcida, foi se afirmando durante o Gauchão e a Libertadores, e na última quarta se tornou herói do título estadual.

O goleiro gremista não brilhou apenas na disputa de pênaltis. Foi o melhor em campo no confronto do Beira-Rio e fez pelo menos duas boas defesas também na Arena, no jogo de volta. Durante toda a campanha do título estadual, Paulo Victor sofreu apenas um gol, na distante segunda rodada da fase classificatória. Nas penalidades que definiram o campeão gaúcho, o arqueiro do Grêmio se agigantou e defendeu três cobranças.

André desembarcou em Porto Alegre em março de 2018 para assinar contrato com o Grêmio. Assim como Paulo Victor, brilhou em sua estreia, marcando o gol da vitória do tricolor sobre o Cruzeiro, por 1 a 0, na primeira rodada do Brasileirão. Não conseguiu se firmar na equipe, e acabou a temporada na reserva de Jael. Neste ano, com as chegadas de Felipe Vizeu e Diego Tardelli, surgiram boatos de uma saída de André para o exterior. Isso não se concretizou. Quem saiu foi Jael, para o futebol japonês.

São apenas dois gols marcados em 2019, mas a contribuição de André para o time tem justificado sua titularidade. O centroavante já distribuiu cinco assistências para gol na temporada e tem jogado para a equipe. Teve em seus pés a grande chance dos 180 minutos das finais, mas parou em Marcelo Lomba. E mesmo após perder uma penalidade no tempo normal, assumiu a responsabilidade e cobrou o último pênalti na disputa decisiva. Com frieza, deslocou o goleiro do Inter e saiu para o abraço.

O merecido título do Grêmio teve dois protagonistas improváveis, heróis com trajetórias semelhantes até agora pelo clube. A conquista do bicampeonato gaúcho servirá para Paulo Victor, André e todo o grupo de jogadores como combustível para os próximos desafios na temporada. Na próxima terça, a equipe tem outra decisão, contra o Libertad, no Paraguai, pela Libertadores da América. E no outro final de semana, começa o Campeonato Brasileiro.

Campanha do Grêmio entrou para a história
O Grêmio se sagrou campeão estadual em cima do maior rival pela primeira vez desde 2010 e teve ainda mais motivos para comemorar. Pela primeira vez desde 1965, o time levantou o caneco de maneira invicta. Foram 17 jogos, com 11 vitórias e seis empates na campanha iniciada com goleada sobre o Novo Hamburgo e concluída com uma decisão nos pênaltis contra o Inter.

Participativo, André fez o gol do título na disputa de pênaltis

Além disso, o tricolor bateu outro recorde: superou a equipe colorada de 1974, que venceu o campeonato com apenas dois gols sofridos em 18 jogos. Os gremistas tiveram a defesa vazada apenas uma vez em toda a campanha, com um gol sofrido na segunda rodada contra o Aimoré. Com isso, a campanha ficou marcada como a melhor defesa da história do Campeonato Gaúcho.

Além disso, o Grêmio se demonstrou efetivo também no ataque. Foram 38 gols marcados, o dobro do vice-campeão Inter, que fez 19. O time venceu por três ou mais gols de diferença em oito ocasiões. Com cinco bolas na rede, Luan encerrou a competição como artilheiro do time, seguido de Everton, Marinho e Pepê – todos com quatro.

A trajetória histórica

Primeira fase
Novo Hamburgo 0 x 4 Grêmio
Aimoré 1 x 1 Grêmio
Grêmio 3 x 0 Juventude
Grêmio 4 x 0 São Luiz
Caxias 0 x 3 Grêmio
Grêmio 6 x 0 Avenida
Brasil de Pelotas 0 x 0 Grêmio
Grêmio 2 x 0 Veranópolis
Grêmio 3 x 0 São José
Grêmio 1 x 0 Internacional
Pelotas 0 x 2 Grêmio

Quartas de final
Juventude 0 x 6 Grêmio
Grêmio 0 x 0 Juventude

Semifinal
São Luiz 0 x 0 Grêmio
Grêmio 3 x 0 São Luiz

Final
Internacional 0 x 0 Grêmio
Grêmio (3) 0 x 0 (2) Internacional

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