CANDIDATO A PREFEITO pela coligação “Novas ideias, nova cidade” abre série de entrevistas com os aspirantes à Prefeitura

Quem é Gustavo Zanatta?
O Gustava Zanatta é fisioterapeuta, tem 40 anos, pai da Maria Cecilia. Somos três irmãos: eu, Gabriel e a Nicole. Somos filhos do José Luis Zanatta, o Zé da Tanac, como é conhecido; e da Nice. Nasci e moro aqui há 40 anos. Estou nesse meio político desde 2013, quando assumi como vereador. Fui candidato a prefeito na eleição passada e agora estou tentando mais uma vez. Sou uma pessoa tranquila, honesta, ética e responsável, que está aqui lutando por todos nós por querer uma cidade melhor.

O que o levou a concorrer a prefeito?
Eu sempre digo que o meu maior desejo é poder ajudar as pessoas. O meu sonho não é ser prefeito. O meu sonho e o meu desejo é ajudar o maior número de pessoas. Foi por isso que eu entrei na área da saúde – eu sou fisioterapeuta, tenho a minha clínica – e foi onde eu decidi ser candidato a vereador, por querer ajudar o maior número de pessoas. Agora, quero dar continuidade, fazendo um trabalho em maior proporção.


Dizem que o senhor mora na Feliz.

Eu moro a minha vida toda em Montenegro. Na Feliz, na verdade, reside a minha esposa. É um casamento moderno. Eu estou com ela já há cinco anos. É fácil entender por que dizem que eu não estou presente na cidade. Eu fui vereador e decidi que queria ser candidato a prefeito. Fiz 6.555 votos, mas, infelizmente, não venci o pleito. Então, fiquei fora da política por quatro anos. E outra: eu não vivo da política. Eu tenho o meu trabalho. Então, dentro do meu serviço, eu entro sempre às 7h30 da manhã e saio às 8h da noite, de segunda a sexta. Por isso, a grande maioria das pessoas não me viu; por eu estar realmente trabalhando. Então, se surgiram esses boatos, são os adversários tentando denegrir a minha imagem. Mas eu já falei pra minha esposa que ela vai ter que vir morar em Montenegro.

Que legado o senhor deixou da sua passagem pela Câmara?
A principal função do legislador é fiscalizar os atos do Executivo. E em todos os momentos que a comunidade me procurou, eu estive presente para conversar e sanar os seus problemas. Estas duas condições me habilitaram a disputar a Prefeitura. Como fiscal, denunciei o superfaturamento do transporte escolar. Eu fiz uma investigação com relação a isso, conversei com alguns transportadores, levantei dados; e esses documentos foram todos levados ao Tribunal de Contas do Estado por mim. Após averiguação, foi apontado que existia um superfaturamento de mais de R$ 1 milhão na gestão do prefeito Aldana e do vice, na época, o Kadu. Essa denúncia pode ter contribuído para a Operação Ibiaçá, que apontou uma formação de quadrilha dentro do nosso Município. Também fui presidente da comissão de Impeachment do ex-prefeito Paulo Azeredo, que colocou aquela ciclovia de forma irregular, fora das leis, na rua Capitão Cruz.

Montenegro teve dois Impeachments em pouco tempo e várias tentativas de cassação do atual prefeito. Isso não o assusta?
Cada um é responsável pelos seus atos. A gente vem pra fazer um trabalho correto, um trabalho honesto, voltado para a comunidade. Infelizmente, a grande maioria dos gestores acaba pensando no próprio bolso ou no “toma lá, da cá”. Quando sentei com o Cristiano para formalizar essa coligação, ele brincou comigo, dizendo: “olha, os últimos vices viraram prefeitos. Vê se não vamos fazer isso!” E eu disse que ele podia ter certeza de que isso não vai acontecer.

Às vezes não depende do prefeito. O senhor mesmo, em 2012, teve um apoiador que, logo depois da eleição, falsificou um diploma para assumir um cargo na Câmara. Como o senhor vai se blindar contra isso?
Às vezes, a gente acha que conhece a pessoa, mas não conhece. Antes, eu pensava que as pessoas eram todas boas como a gente é. Hoje, eu não penso mais isso.

O Zanatta está mais esperto?
A gente vai amadurecendo. Quando entrei no PTB, a primeira coisa que eu disse para eles foi o seguinte: “Eu quero ter a confiança de vocês. Só que não vai ser de um dia pro outro que a gente vai construir essa confiança. Nós vamos ter que começar a nos conhecer para ver quem são as pessoas que estão do nosso lado.”

O senhor diz que não tem apego ao cargo, mas, em 2012, impôs a sua candidatura ao PP, que até perdeu dois vereadores por isso. Depois, quando viu que o partido preferia Kadu Müller nesta eleição, o senhor foi para o PTB. Isso não é apego ao cargo de prefeito?
Na época, outros vereadores do partido tinham cargos no governo e, quando eu fiz uma indicação, ela foi negada. Então isso causou estresse interno. Fizeram uma coletiva de imprensa dentro da Câmara de Vereadores e falaram que eu mandava no partido. Não era verdade. Eu nunca tinha feito uma indicação de CC para dentro da Prefeitura e eu tinha o entendimento de que alguns colegas ali, do próprio partido, também não deveriam ter. Uma dessas pessoas que disse que o Zanatta mandava no partido foi para o outro lado e hoje, depois de quatro anos, está me apoiando a prefeito. As indicações devem passar pelas executivas, levando em conta a capacidade técnica.

Como será sua relação com os partidos e com a Câmara?
A transparência vai ter que reger. Eu já conversei com o Cristiano com relação a isso, de ter a Câmara de Vereadores do nosso lado, mas isso não significa necessariamente distribuir cargos. Eu defendo que, na medida do possível, os vereadores sejam atendidos nas demandas que apresentam, independente de serem governistas ou da oposição. Precisamos chegar ao consenso de que todos temos que trabalhar do mesmo lado para a cidade voltar a funcionar como deve ser.

Qual a diferença desta campanha para a de 2016?
Tenho muito mais maturidade. Tenho mais conhecimento, apoio. O PTB me abriu as portas e eu fico muito feliz de estar lá dentro. Alguns erros eu disse que eu não iria cometer, como concorrer com chapa pura. Passei a defender uma coligação, mas com um partido que tivesse um candidato a vice que pensasse como eu e que estivesse a par, do meu lado, podendo somar. A coligação é muito importante até por trazer outras pessoas que têm outras ideias e pensamentos para o nosso Município. Desde o começo, eu sempre quis o Cristiano como o meu vice e eu enxergava o MDB com bons olhos porque eu sabia que, lá dentro, tinha o Cristiano. E lá, numa votação, ao escolher entre Zanatta e Percival, meu nome teve 38 votos contra apenas dois.

Qual será o papel do vice?
O Cristiano tem uma grande capacidade e poderia estar no meu lugar se ele quisesse. A gente vai trabalhar junto todos os dias. Se precisar botar uma cadeira do meu lado, lá em cima, é dessa forma que a gente vai trabalhar.

O senhor fala em fazer diferente. Como será isso na prática?

Fazer diferente é respeitar mais e ouvir as pessoas. Eu penso que a gente tem que iniciar com ações e respostas rápidas. O contribuinte não pode ficar muito tempo esperando por uma solução. Eu vou te dar um exemplo: a guia do ITBI hoje demora até 30 dias para sair. Em Capão da Canoa, a emissão é feita em 48 horas. A gente não tem o problema de copiar de outros municípios algo que realmente esteja funcionando. A Prefeitura tem que ser um facilitador.

Quais serão as suas estratégias para ouvir as pessoas?
As redes sociais são um mecanismo muito importante. A própria Prefeitura deve ter um site com menos burocracia, em que o próprio cidadão entre e consiga se encontrar facilmente, porque hoje em dia as pessoas têm dificuldade para encontrar o que querem. Eu penso também em usar aplicativos. Todo mundo tem celular. O cidadão enxerga um problema, como um buraco ou calçada quebrada, fotografa e já envia. O programa gera um formulário e a Prefeitura dá retorno ao cidadão. Outra forma é ouvir os Conselhos, que devem ser o braço direito de uma Administração Pública. E o prefeito tem que estar presente dentro dos bairros, tem que ouvir as pessoas. Tem muita gente que diz nem conhecer o prefeito. A gente tem que estar lá num sábado de tarde, às 3 horas,

na igreja, na pracinha, na creche; sair pra olhar quais são os problemas, fazer anotações e depois, junto com as secretarias específicas, montar um planejamento para resolver.

Como vereador, quais foram seus projetos para ajudar os mais carentes, referidos em artigo publicado pelo Ibiá esta semana?
Eu recordo de um projeto de lei que tornava obrigatória a destinação preferencial de assentos de transporte coletivo para idosos, gestantes, mães com crianças de colo e pessoas com deficiência física. Muitas pessoas reclamavam da falta de sensibilidade dentro do transporte público. Infelizmente, não foi aproveitado pelo prefeito. Por iniciativa nossa, foi criado o Conselho Municipal de Proteção dos Animais, que permite a captação de recursos para a esterilização de animais de rua. Também lutamos e conseguimos a colocação de três semáforos, na Fernando Ferrari com a João Pessoa, na Fernando Ferrari com a Ramiro Barcelos e na Capitão Porfírio com a Osvaldo Aranha. Muitos acidentes foram evitados e muitas vidas foram salvas.

O senhor criticou o projeto de reforma tributária do governo do Estado, nas redes sociais, alegando que iniciativas assim só serão válidas se reduzirem impostos. O senhor fará isso se for prefeito?
Eu acho que se deve cobrar menos para receber mais. Reduzindo impostos, a gente pode incentivar a atrair novos investimentos e maior consumo e, consequentemente, a gente conseguirá uma maior arrecadação.

Mas quais impostos o senhor vai reduzir?
Teria que ver. Quando nós estivermos dentro da Prefeitura, vamos sentar e conversar com a secretaria da Fazenda onde a gente consegue fazer redução de impostos. A gente vai pensar da melhor maneira possível para que se faça isso.

Em 2015, o senhor ajudou a aprovar o novo plano de carreira dos servidores e as despesas com pessoal aumentaram muito mais do que o previsto. O senhor pretende revisar essa legislação?
Uma empresa fez os cálculos do quanto seria o aumento dos gastos com o plano de carreira. Informou que seriam R$ 300 mil mensais, mas o furo, hoje, está em R$ 1,6 milhão. Gostaria de realmente ter um entendimento de onde está o furo. Porque, com certeza, não foi dentro da Câmara de Vereadores. Após a aprovação é que teve esse problema. A gente vai ter que dar uma analisada, com certeza, porque todos sabem que, da forma como está, é uma sangria aberta.

E ainda tem a revisão do plano de carreira dos professores.
Eu tenho o entendimento de que o magistério já deveria, com certeza, estar recebendo muito mais. Até porque os professores são a base de toda a formação dessas crianças que estão vindo; do desenvolvimento da nossa sociedade. Tem que sentar e botar no papel. Não adianta dizer “nós vamos fazer o plano do magistério” e, daqui a pouco, vão ver que a gente falou uma coisa e não fez. Tem que sentar com a Fazenda, botar na ponta do lápis e ver, realmente, o que dá pra fazer. Se der, a gente vai fazer, com certeza.

Do ponto de vista financeiro, o senhor tem ideia do que vai encontrar?
A gente sabe que vai ter uma diminuição de arrecadação dos impostos e uma despesa grande. É uma luta, com certeza. Muitas vezes, as pessoas me dizem que ser prefeito, hoje, é pegar um pepino pra descascar com as mãos. Então, a gente vai ter que assumir esse compromisso e essa responsabilidade. Se tiver que cortar, a gente vai ter que cortar.

Como o senhor pensa em ajudar o comércio local?
Eu acho que a Prefeitura tem que ser parceira, realmente, do comerciante, do empresário. Participar e liderar campanhas de valorização, com sorteios e outras ações. Pelo menos umas três campanhas por ano. A gente também pensa na criação de um centro de compras popular, para essas pessoas que trabalham na rua, parados.

O senhor tem defendido as parcerias público-privadas. Por onde pretende começar?
Com certeza, pelo Parque Centenário, que é nosso principal espaço de lazer. A ideia é que uma empresa assuma o espaço do antigo restaurante e, como contrapartida, fica responsável por toda a parte de organização e limpeza. As PPPs também podem ajudar a resolver o problema de sinalização das ruas. As empresas pagam as placas e, embaixo, colocam publicidade.

Qual será sua política de atração de novas empresas e valorização das já existentes? O senhor tiraria recursos do erário para repassar a uma empresa em troca dos empregos?
Nós apoiamos os incentivos fiscais, abrir mão de um imposto que não seria gerado em troca de empregos. Mas tem que ter um pouco de cuidado ao tirar recursos do Município, fazer repasses em dinheiro. Tem que dar, mas não pra tudo, como hoje. Muitas vezes, as empresas não têm a necessidade e querem. Cada caso precisa ser bem avaliado. Isso também vale para as pequenas empresas.

Como o senhor avalia o governo Bolsonaro?
O governo Bolsonaro, como todos os governos, tem seus pontos positivos e seus pontos negativos. Eu acho que o Bolsonaro tem uma dificuldade muito grande de comunicação, até pela própria personalidade dele, mas eu também enxergo algumas coisas positivas. O programa de auxilio emergencial, durante a pandemia, é um ponto positivo. Outra área que destaco é a das obras de infraestrutura, onde ele coloca o Exército na linha de frente para fazer, por exemplo, asfaltamento de estradas. Eu acho que é positivo. Eu acho que é importante.

Esta semana, o pré-candidato a vereador Luís das Remoções, do MDB, desistiu de concorrer e deverá apoiar outro aspirante a prefeito. O que aconteceu?
Na política, eu não me surpreendo com mais nada. Por tudo o que eu já passei nesse pequeno espaço de tempo – quatro anos como vereador e nos quatro anos em que eu estou fora, mas sempre ativo, pelos bastidores – eu digo que tudo o que é bom a gente leva junto; e tudo o que for ruim, a gente leva como crescimento. Se a opção desse candidato é de não mais participar, a gente tem que entender e respeitar. Ele tem o direito de fazer o que bem entende. Mas isso é uma coisa muito comum, de saber que, uma hora, uma pessoa pode estar do teu lado e, daqui a pouco, se voltar contra ti e apoiar outro candidato por interesses ou por livre e espontânea vontade.

Por que os eleitores devem votar em Gustavo Zanatta?
Porque nós somos pessoas, em primeiro lugar, ficha limpa, e hoje é muito importante a gente poder falar isso. Eu e o Cristiano somos pessoas honestas, pessoas de bem, pessoas com valores, que vem com valores de família. A gente tem a credibilidade de grande parte da comunidade. A gente tem certeza de que consegue fazer uma gestão melhor desse Município, ao lado de outras pessoas que têm essa capacidade de formar um grupo. Eu digo que o maior desafio do prefeito, hoje, não é saber e ter conhecimento de tudo o que acontece, mas saber fazer com que o grupo funcione. É a gestão em cima dessas pessoas. É uma política muito mais humana, muito mais participativa, uma política muito mais colaborativa. A sociedade vai estar presente, junto. A gente vai dar espaço às pessoas, como diz nosso slogan, com novas ideias por uma nova cidade.

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