Em Montenegro diversos voluntários entregaram marmitas a caminhoneiros Foto: Reprodução/Internet

Durante a pandemia, categoria passa por dificuldades para se alimentar nas estradas do País

No isolamento social, apenas serviços realmente essenciais para a sobrevivência da comunidade devem seguir trabalhando. Entre os profissionais que continuam nas ruas, os caminhoneiros têm o agravante de cruzarem o Brasil, sendo que a interação obrigatória coloca a classe na linha de risco. Se não bastassem os perigos naturais das estradas brasileiras, agravados pela significativa redução de pessoas circulando, eles enfrentam ainda o deserto de opções para se alimentar e dormir, sendo que apenas postos de combustíveis seguem abertos.

Foi pensando nisso que diversos voluntários tem se reunido no Brasil para oferecer uma opção para esta categoria. Em Montenegro, neste sábado, 28, um grupo de amigos uniu forças e realizou uma entrega de marmitas para caminhoneiros na ERS-240, próximo a rótula da rua Buarque de Macedo.

“Foi uma ação inspirada depois de ver a situação de vários caminhoneiros pelo país. Sem ter onde almoçar, tomar um banho, um café”, diz um dos organizadores Fabricio Oliveira. Cada um doou um pouco de alimento, e cerca de 90 marmitas foram distribuídas.

Os amigos pretendem fazer mais ações como essa para ajudar os caminhoneiros. “Vimos outras mobilizações pelo país, achamos bonito e estava dentro do nosso alcance também”, relata Fabricio. A polícia Rodoviária auxiliou no evento. Fabricio agradece a todos que ajudaram na ação de alguma forma.

Legenda: Caminhoneiros encontram estabelecimentos fechados na beira da estrada Foto: Reprodução/Internet

Dificuldades nas estradas

Há quase vinte dias na estrada, o caminheiro de Costa da Serra, Márcio Motta, relata que pelo fechamento de estabelecimentos a situação fica difícil. Atualmente em Balneário Piçarras, em Santa Catarina, Márcio conta que tudo está fechado e somente os postos continuam abertos para o abastecimento.

“Comida ou lanche tudo atendendo pelas janelas ou na porta. Não deixam nós entrar. Eu ainda tenho uma caixinha pra fazer alguma coisa pra comer, mas quem não; olha passa fome com dinheiro no bolso” declara o caminhoneiro. Já no Paraná ele comenta que quase tudo está normal na parte do dia, mas que a noite todos os estabelecimentos fecham e muitos companheiros ficam com fome, além de alguns locais cobrarem 10 reais para o banho.

Márcio passou por grupo de voluntários servindo marmitas, mas não se contenta com a atitude. “Essa preocupação com os motoristas não é por que se preocupam com a categoria, mas sim o medo de nós pararmos e todo o Brasil passar fome ou necessidades”, diz. Ele relembra que há dois anos quando os caminhoneiros pararam e protestaram devido o preço da gasolina ninguém apoiou a categoria. “Porque em dias normais não fazem isso? Agora a população está com medo e fazendo coisa pra caminhoneiro dando marmita porque estão com medo que nós paremos, porque se viermos a parar ai quem não morreu por coronavírus vai morrer por fome”, completa.

Em Santa Catarina, na região de Joinville, Márcio passou por grupo que também estava entregando marmitas para caminhoneiros Foto: Arquivo Pessoal/Márcio Motta

Fecam se preocupa com a situação

A Federação de Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul (Fecam-RS) está entre as entidades representativas mobilizadas para garantir direitos básicos.  Seu presidente, André Costa, afirma que há um canal constante órgãos de Governo, por meio de videoconferência, para indicar as dificuldades e sugerir soluções rápidas e práticas. “Assim, temos conseguido aos poucos melhorar as condições de transporte. Mas, o momento é de crise e não de milagre”, comenta.

Uma mazela é o atendimento para avaliação das condições de saúde, especialmente quando este cidadão passa de uma região para outra no território. Ele revela então que está sendo providenciado, com rapidez, toda a estrutura do Sistema S (Sesi, Senai e Senac) que, nos próximos dias, deverá ter uma rede de atenção em funcionamento.

A categoria tem uma pauta de reivindicação, especialmente nos casos de profissionais que acabem adoecendo com a Covid-19. O presidente reitera o discurso de prioridade imediata à vida, no qual é fundamental manter o transporte em toda a sua plenitude. “A partir daí, cada caso será discutido, e procuradas as soluções possíveis”, afirma. Costa lembra que nunca o País enfrentou algo parecido como esta pandemia, o que deixa todos os setores sem saber como agir. “A estratégia é serenidade e, na medida do possível, o pronto atendimento às dificuldades”, reforçou.

A Fecam tem reiterado também para que os caminheiros limpem com frequência objetos e superfícies tocados regularmente, como volante e alavanca de câmbio. “Também estamos informando sobre as medidas que estamos pleiteando junto ao governo, de estradas que oferecem atendimento de saúde e pontos de alimentação”, descreve Costa.

Quanto ao fechamento de restaurantes e similares a Federação declara que caminhoneiros já relataram dificuldades para se alimentar, devido decretos de alguns municípios do Brasil para o fechamento dos estabelecimentos. “Isso [decreto] acaba fechando inclusive os estabelecimentos na beira das estradas, então às vezes postos, restaurantes ficam fechados. A Fecam vem justamente trabalhando pra isso, pedindo que as autoridades que orientem os prefeitos e autoridades locais que permitam que esses locais a beira da estrada, principalmente restaurantes e postos e oficinas permaneçam abertos”, divulga a Fecam-RS. (RE)

Compartilhar

Deixe seu comentário