A entrega de um novo pedido de Impeachment do prefeito afastado Luiz Américo Alves Aldana à Câmara, desta vez pela Ordem dos Advogados do Brasil, na manhã de hoje, produziu um efeito colateral importante. A base da ação da OAB é a investigação do Ministério Público sobre fraudes nas licitações do transporte escolar realizadas nos anos de 2015 e 2016, dentro da Operação Ibiaçá. E, no bojo desse processo, há interceptações de telefonemas cujas transcrições agora se tornaram públicas.

As conversas envolvem funcionários da Prefeitura, como o engenheiro Ricardo de Albuquerque Mello; o ex-diretor de Licitações, João Francisco Teixeira da Silva; o chefe de gabinete do prefeito, Valter Robalo; o empreiteiro José Valmir Silveira D’Ávila e sua funcionária, Camila Dutra Bueno, entre outros.

Para os promotores encarregados do caso, os grampos deixam claro que estas pessoas agiram em conjunto, sob a orientação do prefeito Aldana, para lesar os cofres públicos. Porém, até aqui, não apareceu numa transcrição de conversa do próprio chefe do Executivo com alguém. Contudo, há, nos diálogos, elementos indicando que ele participou ativamente das manobras para beneficiar a empreiteira JLV.

Uma das conversas, em 22 de dezembro de 2015, é entre o ex-diretor de Licitações e o então vereador Renato Kranz:

Data: 22/12/2015 Hora inicial: 16h54min05s

JOÃO: Alô!

RENATO: E aí, Joãozinho?

JOÃO: Como é que estamos? Desculpa não atender antes. Eu tava… eu tava lá no gabinete, aí não deu pra atender.

RENATO: Aham. Tudo bem?

JOÃO: Tudo.

(…)

JOÃO: Sim e não, né. Sim e não. Existe uma súmula que diz que não pode fazer, porque ela… Eu não vejo um direcionamento. Eu vejo apenas uma ilegalidade. Direcionamento é o que tá acontecendo no transporte escolar. Isso (falha no áudio).

RENATO: Isso é direcionamento?

JOÃO: Isso. Que aí… que aí tu solicita valores a maior. Essa… essa ilegalidade que aconteceu nos editais foi uma ilegalidade por… podemos dizer, por um erro, por desconhecimento, porque foi pedido a cumulatividade. Ela é até prevista em lei, só que existe uma jurisprudência que diz que não pode.

RENATO: Aham.

JOÃO: Né? Então assim… o que… a justificativa, se pedirem, (ininteligível), vocês dizem assim: foi solicitado… foi… pelo princípio da segurança do município e coisa, entretanto foi visto depois que existia a cumulatividade e foi revogada pra não haver nulidade, né, pra não… não ter problema. Só… o que tem que pegar é o transporte escolar. Esse sim. Esse aí é cabeludo.

RENATO: Esse tá cabeludo, né?

JOÃO: Com certeza.

RENATO: E ele… e ele não aceita mexer, né?

JOÃO: Não, não aceita mexer. E outra coisa: esse aí tem até… o processo licitatório foi todo aberto pelo próprio Prefeito, inclusive com… inclusive com o edital já antes de passar pela Diretoria de Licitações.

RENATO: O edital tava pronto?

JOÃO: O edital tava pronto. Ele abriu com o edital no processo.

RENATO: Mas quem botou o edital lá dentro? Foi o Prefeito que confeccionou?

JOÃO: O prefeito. O prefeito, aham.

RENATO: Ele que confeccionou o edital ou ele recebeu?…

JOÃO: Aham. Isso.

RENATO: Ou ele recebeu esse edital?

JOÃO: Ah não! Com certeza, ele recebeu, né!

RENATO: De algum empresário?

JOÃO: É. Mas aí, né… dentro do processo, foi ele que colocou, né. [Vamo dizer].

RENATO: Hum… e com interesses, né, evidente.

JOÃO: É. (…)

Em 7 de dezembro, ocorreu este diálogo entre o empreiteiro José Valmir Silveira D’Ávila e sua funcionária Camila Dutra Bueno:

Data: 07/12/2015 Hora inicial: 13h30min05s

JOSÉ: Ô, cara, tu esqueceu de me contar as novidades da empresa poderosa que tu disse que ia contar e não contou até agora.

CAMILA: Não, eu não esqueci, não sei se ia atrapalhar porque tu tava lá na tua (fala sobreposta)…

JOSÉ: Não, mas tu é foda, hein,

CAMILA: …mãe, daí não sei se ia atrapalhar. Olha só, até pintei aqui, pra ti ver exatamente qual era a frase. Tá? Então assim, ó…

JOSÉ: Tá, mas o que que eles tão querendo?

CAMILA: Eles tão se apegando assim, ó, eles nem falaram de atestado, tá, o que eles tão se apegando é nas exigências de garantias e de contrato social.

JOSÉ: (Risos). Óbvio [que eles não têm] (ininteligível).

CAMILA: Claro, claro.

JOSÉ: Claro.

CAMILA: É tem aquela coisa, o (ininteligível) eles não sabem que não vai dar tempo.

JOSÉ: Sim.

CAMILA: Eles acham que daqui a pouco pode até dar tempo, e realmente pode, vai saber, (ininteligível) o edital…

JOSÉ: Não, mas tranquilo, não, não, isso aí tá tranquilo, isso aí não tem problema nenhum.

CAMILA: (Fala sobreposta) talvez eles consigam. Mas tá, daí assim, ó, é nisso que eles tão se apegando. Entendeu?

JOSÉ: É.

CAMILA: Aí eles dizem aqui, ó, é a frase mais… né? “Até porque, se tais exigências tivessem sido postas no edital propositadamente, certamente que estaríamos diante de uma fraude ao caráter competitivo da licitação em razão de um franco direcionamento do certame a favor de certa empresa poderosa…”, entre aspas, “dessa cidade, o que daria asa a apresentação de notícia criminosa junto à Procuradoria de Prefeitos no Ministério Público Estadual, pela possível prática dos crimes previstos nos artigos noventa e noventa e um da lei oito, meia, meia.”

JOSÉ: Uhum.

CAMILA: Tá, daí assim, o resto é… isso é o que… que era quente, digamos assim, pra te contar. O resto é… né, parte de (Fala sobreposta)…

JOSÉ: (Fala sobreposta).

CAMILA: …mas é sobre esses aspectos. Daí, assim, ó, que que eu falei pro… me corrige se eu tiver errada, falei pro João na sexta.

JOSÉ: Não é pra fazer nada, é pra me esperar.

CAMILA: Tá, só que ele tem que passar pra frente, ele não podia ficar com o processo pra ele…

JOSÉ: (Fala sobreposta).

CAMILA: …aí ele passou pro Prefeito. Ele não mandou pra Procuradoria, ele entregou direto na mão do Prefeito.

JOSÉ: Certo.

CAMILA: Tá? Daí assim, ó: “é porque eu falei…” ele disse pra mim: “Camila, eu não posso ficar com isso sentado em cima, depois vão me cobrar”. Eu disse: “não, então faz o seguinte, entrega pro prefeito”.

JOSÉ: Sim, mas quem vai cobrar? Quem vai cobrar isso? Quem? Ninguém cobra.

CAMILA: Ah, ele vai… (ininteligível) vão cobrar dele, porque eles [pedem] aqui no… porque olha só, aqui tem que pedir resposta de três dias, né.

JOSÉ: Tu não tem prazo? (Ininteligível).

CAMILA: Tá, mas aí como é que o guri vai ficar com o processo na mão dele?

JOSÉ: Não, beleza. Tá lá com ele, então? Tá lá com ele? Beleza.

CAMILA: (Fala sobreposta). No prefeito.

JOSÉ: Tá. Não, tranquilo, é isso.

CAMILA: Ele entregou pro Prefeito. E daí ele me disse o seguinte hoje, ó, eu falei com ele, tá, e eu pedi pra ele assim, ó, quando… que daí assim, o Prefeito vai entregar alguma coisa pra ele, né, pra que ele responda o que tiver que ser respondido. Aí, o que que eu combinei com ele? Que quando o Prefeito entregar pra ele, ele vai (fala sobreposta).

JOSÉ: Ah, mas ele não vai entregar sem falar comigo, ele já me ligou.

CAMILA: Ah, ótimo.

JOSÉ: É.

CAMILA: Melhor ainda.

JOSÉ: Então tá.

CAMILA: Mas eu achei, né, já que ele tinha que fazer alguma coisa, que fosse pro prefeito então, né…

JOSÉ: Não, não. Tranquilo, então.

CAMILA: …e não pro Marcelo ou coisa parecida, né.

JOSÉ: Não, não é pra ir pra lugar nenhum, é pra resolver internamente lá em cima (ininteligível).

CAMILA: Tá, mas com o Prefeito, no caso.

JOSÉ: Sim, sim. Então tá.

CAMILA: [Isso, porque] ele entregou na mesa do Prefeito. Tá?

JOSÉ: Show de bola.

CAMILA: Foi o que eu combinei com ele, pra ele não entregar na mão de mais ninguém, [na mesa] do Prefeito. Aí, tanto é que eu pedi pra ele não mandar por malote, nem nada, ele foi hoje de manhã e entregou em mão pro Prefeito.

JOSÉ: Sim. Então tá joia.

CAMILA: Que daí, né, aí (fala sobreposta).

JOSÉ: A hora que eles me ligarem (ininteligível) ligarem, daí… isso que eu queria saber.

CAMILA: É, não, mas tá com o prefeito.

JOSÉ: Tá joia, então.

No dia 7 de dezembro, D’Ávila conversa com o ex-diretor de Licitações, José Francisco Teixeira da Silva:

Data: 07/12/2015 Hora inicial: 14h08min46s

JOÃO: (Ininteligível), desculpe, eu só vi agora a ligação.

JOSÉ: Não, tranquilo, tu tá meio surdo, eu acho, mas tudo bem. Vou lavar tuas oreia. Tu tá meio surdo, eu vou mandar lavar tuas oreia.

JOÃO: (Ininteligível) desculpe (Risos).

JOSÉ: (Risos). Ô, nego véio, assim, ó, eu só te liguei pelo seguinte, eu tô indo amanhã de tarde pra resolver aquele problema lá direto com o Prefeito. Tá?

JOÃO: Aquele que eu deixei na mão dele?

JOSÉ: É, aquele que tu deixou lá. Eu tô indo amanhã de tarde pra lá.

JOÃO: Tá.

JOSÉ: Qualquer dúvida, nós vamos te chamar.

JOÃO: Tá, não, sem problema.

JOSÉ: E eu preciso que tu já ache uma solução. Agora é tu que é o responsável.

JOÃO: Tá.

JOSÉ: Certo?

JOÃO: Não… é… dos… dos valores? Dos valores é fácil (fala sobreposta)…

JOSÉ: (Fala sobreposta) eu quero ouvir a tua voz aí amanhã.

JOÃO: Tá.

JOSÉ: Tá, [fio]?

JOÃO: Então tá.

JOSÉ: Já busca algum material, [quer dizer], eu tenho, mas tu busca o material, já, pra não ter problema.

JOÃO: Tá, não, deixa… deixa… deixa pra nós.

JOSÉ: Beleza, então.

Em 22 de dezembro de 2015, ocorreu este diálogo entre Valmir D’Ávila, Camila Dutra Bueno e o servidor Ricardo de Albuquerque Mello.

Data: 22/12/2015 Hora: 16h11min14s

VALMIR: Monta pra nós, o Robalo pediu pra montar o modelinho, do atestado de visita do Escolar.

RICARDO MELLO: Tá.

VALMIR: “Como tu faz os teus, sabe? Mas daí tu vai colocar a empresa tal… deixa em aberto… CNPJ tal… tu deixa em aberto, que esteve nesta diretoria (de trânsito) e fez a vistoria técnica referente ao edital número tal… e pede pra Camila aqui… do Transporte Escolar…

RICARDO MELLO: E o órgão?

VALMIR: Prefeitura de Montenegro, em cima e depois Diretoria de Trânsito, ai

RICARDO MELLO: é um modelinho, que eles não sabem lá…

VALMIR: Porque o Robalo quer mandar o modelinho lá pro Airton, que ele não tem.modelo

RICARDO MELLO: E tomada de preço?

VALMIR: É concorrência. E passa na mão do Robalo! …só um pouquinho, eu vou te passar a Camila.

CAMILA: Precisa do número da Concorrência 09 de 2015.

RICARDO MELLO: Atestamos que…

CAMILA: Coloca assim oh, que o representante da empresa tal…

RICARDO MELLO: …esteve nesta data visitando o local em que a Diretoria de Trânsito irá realizar serviços de transporte escolar, conforme edital de concorrência 09/15. Com data pra quando?

CAMILA: É amanhã, 23 de dezembro. Valeu, tchau!

Aqui, outro diálogo entre Valter Robalo e Valmir D’Ávila, em 22 de dezembro de 2015:

Data: 22/12/2015 Hora: 16h16min49s

VALMIR: Oh meu chefe. Só pra te relembrar, o negócio da visita amanhã às nove horas, né.

VALTER: Sim, liguei pro cara do …(DTT) lá.

VALMIR: Assim oh, o Ricardo tá te entregando na tua mão o modelinho pra ti entregar pro… pro… entrega pro Airton, que o Airton que vai assinar. É o diretor de Trânsito que assina, tá no edital, e o Airton é o Diretor de Trânsito, né.

VALTER: Ele vai me trazer aqui?

VALMIR: Vai trazer pra ti, na tua mão ai, daqui a cinco minutos, o modelinho.

VALTER: Tá bom.

VALMIR: É aquilo ali e nada mais.

VALTER: Fechado.

VALMIR: Dominado.

Em 23 de dezembro de 2015, foi interceptado este diálogo entre o chefe de gabinete, Valter Robalo, e o empreiteiro.

Data: 23/12/2015 Hora: 16h55min59s

VALMIR: Fala chefe.

VALTER: Tive aquela conversa.

VALMIR: cem por cento

VALTER: Hein, apareceu mais um mesmo…

VALMIR: E aí?

VALTER: Tá.. ele quis me dar nó, né.

VALMIR: Hã hã…

VALTER: Não, faz o que tá aqui oh, tá escrito, o Prefeito mandou fazer isso e se aparecer mais alguém tudo bem. “Há mas é que não é liminar”. Não interessa habilita igual, que é o Valtair aquele né, que… eu acho que é os magrão… (…) que tinham táxi no Pólo… tu sabe qual é que é…

VALMIR: Ah tá, mas assim… Só tem que ver uma coisa….hann…

VALTER: Não parar o processo…

VALMIR: Não tudo bem, mas daí assim, mas daí não é Juiz, só vale o que o Juiz manda e só referente aquela, né.

VALTER: Ele, ele, eu disse: Oh, o Prefeito não quer que pare, o que tá escrito aqui tu interpreta, as liminares que chegarem é pra ti colocar.

VALMIR: Só liminar, os outros é pra negar tudo…

VALTER: Processo simples não, né.

VALMIR: Não. Simples tem que indeferir.

VALTER: Só a liminar.

VALMIR: A liminar tem que cumprir o que o Juiz determinou. É aquilo ali e terminou. Mas assim oh, tu não deixa esse cara fazer nada sem tu olha, tu não deixa ele mandar nada pra frente sem tu olhar.

…MAIS ADIANTE:

VALTER: Aquele do processo… só o processo então ele não…

VALMIR: Tem que indeferir aquele, aquele é pra indeferir que nem foi indeferido pro outro. Se vier uma liminar com o Juiz determinando de novo. O Juiz que manda. O juiz só dá pra quem pede. E colocou aquilo de parâmetro e terminou… mas pra aquele caso.

VALTER: Tá, han han. Tranquilo.

VALMIR: Se eu fosse tu eu falava com o João, pra não andar nada do que chegar sem mostrar pra ti. Porque o João que vai mandar. Deixa ele bem claro, porque esse outro nós já sabia e o João já ia indeferir.

VALTER: Ahn, então tá, né.

VALMIR: Tranquilo.

VALTER: Só, só pelo teu presentinho de natal aí!

VALMIR: Amanhã de manhã nós temo aí.

VALTER: Só um presentinho de natal aí e tá tudo certo!

VALMIR: Isso. Tá bom guri.

Em 2 de setembro do ano passado, Valter conversa com Ricardo Mello.

Data: 02/09/2016 Hora: 14h48min37s

VALTER: Ricardo?!

RICARDO MELLO: Oi.

VALTER: O Ricardo, o negócio da planilha do (…) transporte. Que tu mandou uma justificativa que não fecha, e o Prefeito vai tomar uma multa de R$ 600.000,00 do bolso dele.

RICARDO MELLO: E o que que eu faço?

VALTER: Eu preciso que tu venha aqui, tu vai ter que vir aqui falar com o Prefeito. Olha aqui oh… Tribunal de Contas… tu lembra que tu mandou isso dia quinze?

RICARDO MELLO: Lembro.

VALTER: Tu botou aqui… neste caso realmente… me corrige. Os números não fecham… óleo de motor.

RICARDO MELLO: Tu sabe que isso ai não fui eu né.

VALTER: Quem é que fez?

RICARDO MELLO: A JLV. Eu pus o que eles me mandaram pôr.

VALTER: Mas tá errado isso aqui.

RICARDO MELLO: É? O que que eu vou fazer?

VALTER: E essa justificativa que tu botou.

RICARDO MELLO: Foi eles que mandaram eu fazer, liga pro Valmir e você vai ver, que ele vai te falar a mesma coisa.

VALTER: E essa justificativa pífia pro Tribunal de Contas?

RICARDO MELLO: Foi essa que eles mandaram eu fazer. Eu não tinha o que falar… eu não sei o que falar.

VALTER: Mas como tu não teve acesso a planilha que integra?

RICARDO MELLO: Eu nem tava ai na época o Robalo. Na primeira eu nem tava ai, eu nem trabalhava ai, e na segunda nem foi eu que fiz, né.

VALTER: Na segunda, a nove, nove, meia (se referindo ao processo 996/2015 – Transporte Escolar).

RICARDO MELLO: Na segunda, é a que os índices estão diferentes da primeira, e o que eles me orientaram, me basear nos índices que eu fiz ali, mas não sabia que tinha a primeira. Mandaram eu fazer.

VALTER: Mas o que que tu te equivocou, por exemplo aqui: – “Neste caso realmente me equivoquei entre as distância mensal de dezoito mil, mas acredito que em parte…”

RICARDO MELLO: Não, mas isso não influenciou em nada, os dezoito mil da quilometragem é ridículo, foi um erro de digitação da JLV e ai eles mandaram eu falar que eu realmente errei. Agora, nos índices coeficientes aqueles, eles falaram que como a primeira eu não fiz, que eu me baseei nos estudos do (…)

VALTER: Na segunda tu não tinha que repetir os números?

RICARDO MELLO: Não porque não fui eu quem fiz a primeira.

VALTER: Assim, no nove, nove, meia (996), por exemplo o óleo do motor, aqui tem zero vírgula três zeros, oitocentos.

RICARDO MELLO: Sim e tem um zero a menos depois.

VALTER: Não tem zero, zero e oito mil dai. Isso é a mais ou a menos.

RICARDO MELLO: Na segunda é a mais.

VALTER: Tá (…) é muita diferença não é?

RICARDO MELLO: Eu não sei porque eu não fiz nada entendeu. Quem fez as duas foram eles, né. Acho que nem a primeira foi eles. O que eles me falaram, que o segundo coeficiente é que esta certo, mas e o primeiro? Não fui eu que fiz. Eu não posso botar um negócio que eu não fiz, ah mas eu me equivoquei no segundo índice.

VALTER: Acontece que tu botou aqui: -“não tive acesso…” Tu não montou uma planilha?

RICARDO MELLO: A planilha que eu montei, eu montei do jeito que eu achei, entendeu, eu não preciso da primeira para fazer uma planilha, entendeu?.

VALTER: E onde é que estão essas planilhas?

RICARDO MELLO: Tão com a JLV. Tu liga lá e eles te dão na hora. Eu nem mexi nisso ai, por isso que , bom o que que eu vou falar, se não fui eu quem fiz eu vou perguntar pra eles o que que eles acham que eu devo falar. Na justificativa eu botei letra por letra o que eles mandaram eu por.

VALTER: Isso tá nesse processo nove, nove, meia?

RICARDO MELLO: O último processo é o que tá assinado por mim. Então me baseei nos índices que teoricamente, entre aspas, eu que calculei né, que são os coeficientes aqueles com um zero a menos (…inaudível)

VALTER: O coeficiente que vale é o teu?

RICARDO MELLO: O coeficiente que vale é o meu. O primeiro tá equivocado.

VALTER: É isso que eu preciso que tu justifique.

RICARDO MELLO: Mas o que eu fiz. Como eu não sabia primeiro eu não pude falar que estava errado porque não tive acesso. Foi isso que eles mandaram eu pôr.

VALTER: É simples de resolver, eu preciso que tu faça uma justificativa dizendo que a primeira, como tu não teve acesso o que vale é a segunda e que a distância correta é tal… tal.. entendeu … não pode dizer que tu te equivocou.

RICARDO MELLO: Não, a distância tá errada mesmo, a distância não dá pra mudar, não tem erro, ela é tal e tal distância e tu não pode botar menos ou mais, e segundo a JLV, eles erraram a digitação… não sei se erraram mesmo. To falando como eles me falaram. Só que como esse erro não foi significativo para o preço final, que é ridículo e irrisório…

VALTER: Não, mas como irrisório, se é dezoito mil pra noventa e um mil?

RICARDO MELLO: Não digo no valor final, isso não vai influenciar em nada, e sim os coeficientes. Entendeu?!

VALTER: Tá, mas é isso que eu preciso que tu bote no papel.

RICARDO MELLO: Isso eu botei. Do erro tá coerente, mas do outro eu não botei que a minha planilha tava certa e a primeira tava errada.

VALTER: O que eu preciso é que tu embase melhor a tua justificativa, que é isto que não tá fechando.

RICARDO MELLO: Não. Tá bom.

VALTER: Quando volta de férias?

RICARDO MELLO: Semana que vem.

VALTER: Vem segunda então.

RICARDO MELLO: Tá.

No mesmo dia, Valmir D’Ávila e Camila Dutra Bueno tiveram outra conversa gravada.

Data: 02/09/2016 Hora: 16h11min05s

CAMILA: Oi

VALMIR: Já que tu não me liga eu te ligo, né.

CAMILA: Ah, tu tá assim?

VALMIR: Tô, tô desse jeito.

CAMILA: E aí.

VALMIR: Tranquilo. Me diz uma coisa. Tu tem algum material, devemo ter né, a anulação daquela licitação do escolar, de 2015?

CAMILA: Licitações 2015.

VALMIR: Foi anulada lembra, tinha erro na planilha. De repente até descobrir o número do processo lá na Prefeitura. Porque assim, segunda-feira nós vamos lá na Prefeitura dar uma luz pra eles. Me ligaram sobre a história da planilha de novo agora.

CAMILA: Han han.

VALMIR: Pra provar… que eles não podem se basear naquela pra julgar a outra, porque aquela tava errada entendeu. Duas planilhas davam dois valores diferentes, era isso que eu precisava .que tu visse pra nos com calma, tudo o que tu tiver sobre isso para gente levar segunda-feira

CAMILA: Eu vou ver se eu acho o número do processo.

VALMIR: O que tu tiver de material tu leva, pra nós dar uma assessoria. O Tribunal não aceitou a explicação do Ricardo (Ricardo de Albuquerque Mello), de que ele não participou, que ele não teve acesso a outra, entendeu.

CAMILA: Mas ele não teve mesmo, eles querem que ele diga o que?

VALMIR: Não… tudo bem, ele não teve… mas (pensando)… entendeu. Só que tem que provar que a outra tava errada, e não tem como ter um parâmetro numa coisa que tava errada. (…)

Quatro dias depois, Valter conversa com a procuradora geral do Município, Juliana Steigleder Becker:

Data: 06/09/2016 Hora: 16h33min02s

JULIANA: Oi.

VALTER: Oi Juliana, tu tá na PGM?

JULIANA: Não, to indo pra Montenegro, o que tu precisa?

VALTER: Não, é que tem um processo lá, quarenta e três, oitenta e cinco (4385), que tá contigo desde nove de junho e eu já estou com a justificativa do transporte, e com outro.

JULIANA: Escuta, me diz uma coisa, o que é esse processo quarenta e três?

VALTER: É aquele que os caras falsificaram documentos, de nove de junho.

JULIANA: Ah tá.

VALTER: Isso não foi mandado junto pra justificar no Tribunal? Tá contigo lá, e o (processo) sete quatro, quatro nove. (7449).

JULIANA: Tá comigo, mas quem tem poder pra verificar essa documentação é a comissão de licitação.

VALTER: Não. Isso ai tu tem que mandar junto pro TCE, juntar tudo num processo com o que eu tenho aqui agora de justificativa, que tá pronto, e mandar tudo pro TCE.

JULIANA: O Prefeito já recebeu?

VALTER: Não precisa. Tá ali no controle interno o número do processo.

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