TODA a forma de opressão e preconceito pode gerar traumas na pessoa que os recebe. Foto: reprodução internet

Psicólogo explica que o termo é mais uma das tantas “roupagens para o velho e conhecido preconceito” no dia a dia

Ser julgado pela aparência física em uma sociedade que impõe padrões de beleza é algo comum – infelizmente. Mas quando o julgamento passa a prejudicar a vida de outra pessoa, ele se torna violência, além de ser uma forma de preconceito.

A gordofobia se encaixa nesse tipo de comportamento abusivo. Cada vez mais em destaque, o tema ganhou novo debate essa semana, quando a atriz Carolina Dieckmann passou a ser acusada de gordofobia ao, em entrevista ao programa Altas Horas, da TV Globo, afirmar que casou pela segunda vez grávida e com 20 quilos a mais, sentindo-se uma obesa.

“E aí, enfim, aquele vestido de noiva… Uma pessoa branca, gorda, de branco, piorou tudo. Eu vivo falando: ‘Thiago, você precisa me dar a chance de ser uma noiva gata, por favor, magra…Porque toda noiva não tenta emagrecer? Eu não podia tentar emagrecer, porque eu estava grávida. Então, eu ainda quero ter esse sonho de noiva, de emagrecer para ficar gata”, disse ela, causando muitos comentários negativos.

De acordo com psicólogo Márcio Hoffmeister, “por mais nomes que possam ser criados para velhas questões, a “gordofobia” é uma das tantas roupagens para o velho e conhecido preconceito”.
“Há várias formas de violência, desde a agressão física às agressões mais sutis como piadas e frases capciosas do tipo: “Que rosto lindo você tem, imagina se ficasse mais magra”, explica.

O profissional alerta que toda a forma de opressão e preconceito pode gerar traumas na pessoa que os recebe. “Mas isto depende da intensidade dos ataques e da resiliência de cada um”, afirma.
“Outras consequências podem ser uma autoimagem equivocada (precisar se tornar aquilo que não é apenas para se enquadrar a um padrão); a pessoa passar a fazer dietas malucas ou mesmo realizar cirurgias para ter um corpo aceito socialmente. Em casos mais extremos, até desenvolver bulimia e fobia social”, informa.

Márcio ainda salienta que a questão principal do agressor é a egóica, referente ao ego. “Ao julgar como correto apenas aquilo que sou, toda diferença será vista como algo a ser corrigido. Penso que esta questão, vista em relação ao agressor, traz à tona questões como falta de empatia e aceitação às diferenças”, conclui.

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