Em janeiro, policiais lideraram investigação contra golpes de falsos aluguéis no litoral. Foto: Arquivo PC

Um caso recente, repercutido pela mídia, na Capital do Estado, revela que uma mulher fingiu ser uma advogada de Montenegro para conseguir dados de donos de um imóvel no litoral. Posteriormente, a farsante se fez passar por dona da casa para “alugar” a outras pessoas. Pelo menos quatro grupos de veranistas caíram na conversa da estelionatária.

Conforme reportagem do Jornal Zero Hora, há um ano, como pretendia viajar nas férias, o casal decidiu colocar a residência onde mora para alugar por temporada pelo site OLX. Uma semana depois, identificando-se como advogada de Montenegro, e esposa de um juiz, uma pessoa fez contato por WhatsApp. Demonstrou interesse em locar a casa por 15 dias — por R$ 1 mil a diária.

Como forma de convencer a vítima, a falsa locatária usou uma estratégia: disse que já havia sido vítima de golpe. Alegou que estava com receio de ser novamente enganada. Por isso, pediu que a dona da casa encaminhasse documentos onde comprovasse ser a proprietária da residência. E assim foi feito.

A partir dali, os contatos foram encerrados, mas, mesmo assim, o casal não suspeitou do golpe. Cerca de um mês depois, chegou o primeiro contato de um interessado, contando que havia encontrado dois anúncios da moradia, com valores diferentes. Os golpistas tinham anunciado a moradia do casal por R$ 600 a diária.

A aposentada explicou que o seu anúncio era outro e procurou a Polícia Civil. Retirou a “oferta” dela do portal e passou a notificar diariamente pelo site os que apareciam na página. Mas, naquele momento, outras pessoas já haviam sido enganadas. Todos dias, de manhã e à noite, o casal rastreia no site anúncios que podem ser do seu imóvel. Precisam procurar com cuidado, já que muitas vezes os golpistas usam fotos da praia na capa e dificultam a identificação. Sempre que localizam o anúncio, eles denunciam ao site para que seja removido.

A assessoria de imprensa da OLX informou que, com base nos dados do casal, deletou todos os anúncios, bloqueou as contas do usuário e está à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário para a apuração dos fatos.

A Polícia Civil está de olho neste tipo de golpe. Em janeiro deste ano, uma ação desarticulou três quadrilhas especializadas em aplicar golpes de falsos aluguéis no Litoral Norte gaúcho. A investigação da Delegacia de Capão da Canoa foi realizada pelos comissários montenegrinos Alisson Castilhos e Wellington Camargo, ambos estavam cedidos para a Operação Verão.

Durante a operação denominada Vigário, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, além de quatro de condução coercitiva em Capão Novo, Taquara e Porto Alegre, sendo recolhido material como documentos falsificados, cartões de débito e celulares, pelos quais foi possível identificar todos os participantes do crime, inclusive um indivíduo foragido por homicídio cometido no Vale dos Sinos e que usava o nome de um “laranja” para aplicar os golpes. Somente um dos estelionatários possui, aproximadamente, dez registros.

A orientação da PC é para que locador e locatário tenham o máximo de cuidado ao firmar negociações.

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