Em um ponto da rua Osvaldo Aranha, no Centro, tubo de concreto virou lixeira e ponto de descarte incorreto

COMUNIDADe cobra Prefeitura Municipal, mas falta de consciência da população é evidente

Têm sido recorrentes as reclamações da população com problemas relacionados à coleta e descarte incorreto do lixo em Montenegro. Longe do Centro, cenas de pilhas de desejos são comuns e as queixas por falta de atenção com a gestão dos resíduos se multiplicam na cidade, revelando a dimensão do problema.

No bairro Estação, próximo à linha férrea, a quantidade de lixo assusta

Para facilitar o trabalhado dos coletores, muitos retiram os dejetos de determinadas residências da rua e os amontoam em um lugar só, a fim de agilizar o recolhimento. Apesar de representar certa praticidade para os trabalhadores, a prática gera algumas queixas por parte dos moradores. Na rua Porto Belo, no bairro Centenário, o aposentado Luis Carlos Hommerding conta que já teve o lixo esquecido. “Na nossa rua, o caminhão da seletiva só consegue entrar de ré, então é comum ele ficar na esquina enquanto os funcionários passam recolhendo os sacos, mas acontece que muitas vezes algumas casas são deixadas para trás”, explica Hommerding.

Preocupado com a situação, o aposentado entrou em contato com a empresa para relatar o ocorrido e uma informação o deixou ainda mais revoltado. “Quando liguei, falaram sobre algumas mudanças na instituição e que quase tudo do que é recolhido vai direito para o transbordo, sem a necessidade de fazer a separação”, detalha o morador, que ficou indignado. “Eu separo todo o meu lixo acreditando que ele só vai para o transbordo após a triagem”, completou.

Em outra parte da cidade o problema com o lixo é quase crônico. No fim da rua Osvaldo Aranha, no trecho bastante utilizado para práticas esportivas pelos montenegrinos, os dejetos estão acumulados em vários pontos. São sacos com lixos secos e orgânicos, além de restos de móveis e materiais para construção. Para lidar com o problema, a população improvisou uma caixa d’água e um tubo de concreto que servem como uma espécie de “lixeira comunitária”.

“Esse problema é antigo, infelizmente”, disse a moradora Cleonice Barbosa da Cunha”. “Muita gente joga o lixo nesses pontos, sem se preocupar com as consequências que isso pode ter para todo mundo que mora aqui” acrescenta, afirmando que nada parece sensibilizar quem joga lixo no local.
Se por um lado, alguns moradores tentam buscar alternativas para a questão do lixo, por outro, há aqueles que simplesmente abriram mão dessa preocupação e, aos poucos, transformam uma parte do bairro Estação em um verdadeiro lixão a céu aberto, com descarte incorreto de resíduos sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública.

De acordo com o barbeiro Marcos Antônio Prado, que reside na rua Alamandas há cerca de seis anos, o problema é antigo e preocupa toda comunidade. “A pessoas não têm onde jogar esse lixo e então descartam tudo no mesmo lugar”, explica Prado. O local citado pelo morador é um barranco que dá acesso aos trilhos que passam próximo desse ponto do bairro, e que atualmente acumula pilhas de dejetos. “Com toda essa sujeira, além do cheio ruim, tem a questão dos bichos e mosquitos que são atraídos”, lamenta o morador.

Para conscientizar, moradores instalam placas com mensagens sobre a importância de preservar a natureza

Conscientização da população é urgente
Apesar das queixas dos moradores em relação à falta de investimento da Prefeitura Municipal, é evidente que a solução do problema começa em casa, com a educação ambiental e conscientização da população, como destaca o morador Marcos Antônio Prado. “As pessoas têm que entender que todo o lixo descartado de maneira incorreta vai gerar uma consequência. Isso é fato”, observa o morador. “Eu tenho certeza que, mesmo a Prefeitura colocando lixeiras aqui, tem gente que vai insistir em jogar no barranco. É uma questão educação”, completa.

Na rua Osvaldo Aranha, nem mesmo as placas colocadas no local com dizeres “Preserve a Natureza” e “Gerações futuras agradecem” foram suficientes para sensibilizar os moradores e evitar o descarte irregular. “Parece que ninguém se preocupa com as consequências disso, sendo que os mais prejudicados somos nós mesmos”, lamenta Cleonice Barbosa da Cunha.

Na casa do seu Luis Carlos Hommerding, a separação e descarte correto do lixo são regras. “Desde o momento que eu vou ao mercado até a hora de jogar o lixo fora, tenho toda a preocupação de separar e cuidar ao máximo para o destino correto de tudo aquilo que consumo”, revela o morador. “São essas atitudes que fazem total diferença para o meio ambiente”, acrescenta.

Segundo a Komac, usina de reciclagem de Montenegro não está operando desde o início de dezembro. A Prefeitura, no entanto, nega esta informação

O que diz a empresa Komac Rental sobre o assunto
De acordo com a empresa Komac Rental, responsável pela coleta de lixo em Montenegro, sobre a reclamação referente à rua Porto Belo o fato ocorreu uma única vez, quando houve a troca de vários colaboradores da instituição ainda no mês de dezembro. “Neste dia, estava um diárista para teste de motorista, que não fez corretamente a coleta, e com a reclamação do contribuinte conseguimos constatar o erro e desde então não ocorreu mais”, explica Maroá Rocha, a gerente da concessionária. “Todos os caminhões são rastreados por GPS no qual informa a velocidade e o tempo de parada, relatórios e etc.”, completa a gerente.

Maroá também detalha que os caminhões saem para a coleta e após, a seletiva deveria ir para a triagem e os demais para o transbordo, no entanto, no último ano, metade das cargas da coleta seletiva vai para a usina e a maioria vai direto para o transbordo e, de lá, para o aterro (sem triagem). “Desde a primeira semana de dezembro, todo o lixo da coleta seletiva vai direto para o transbordo, pois a usina do município não está operando [não sabemos se por falta de maquinário ou pessoas para operar]”, afirma a gerente, acrescentando que no último ano foram coletados em media 1080 toneladas, mas somente cerca de 30 toneladas chegam a ser recicladas por mês.

População se vira como pode, e até caixa d’água vira lixeira na hora de descartar o resíduo doméstico

Há conflitos de informações entre a Prefeitura e a Komac
De acordo o secretário municipal de Meio Ambiente, Adriano Campos Chagas, devido aos feriados de Natal e Ano Novo, a cooperativa de reciclagem de resíduos entrou em recesso no dia 23/12 até o dia 10/01, período que também coincidiu com a poda dos arvoredos de plantação de cítricos, que paga mais por dia e causou a evasão dos cooperados. “Por estes dois motivos é que o resíduo reciclável não estava sendo enviado à estação de reciclagem de lixo, mas a situação se normalizou no dia de hoje, 23 de janeiro”, afirma o secretário, contestando a informação de que a usina não está operando atualmente, como foi dito pela gerente da Komac Rental.

Na tarde de ontem, a reportagem do Jornal Ibiá esteve na usina de reciclagem do município e, como foi informado pela Prefeitura, as atividades seguem normalmente no setor. Sobre os pontos de descarte incorreto de lixo na rua Osvaldo Aranha, o secretário disse: “Esta caixa d’água foi substituída por um coletor que atende uma servidão que fica antes da antiga Ambev, que por ser estreita e não ter espaço para manobrar, o caminhão não entra”, no entanto, o local citado fica em uma altura da rua que possui quatro pistas. No que diz respeito ao tubo de concreto que virou lixeira e tem sido alvo de reclamações dos moradores há mais de dois anos, ele revela desconhecer o fato.

No bairro Estação, a secretaria afirma que o caminhão recolhe normalmente. “O que acontece é que na área verde, próxima à linha da antiga via férrea, existe invasões de catadores avulsos que utilizam a área para reciclar resíduos e o rejeito eles descartam no barranco que desce para o arroio”, detalha Chagas, acrescentando que já foram realizadas várias limpezas local.

Frente às queixas da população em relação à gestão do lixo no município, o secretário destaca a melhora no Plano de Trabalho para a coleta de resíduos sólidos urbanos, além dos vários programas de educação ambiental junto a condomínios, zeladorias, associações de bairro, escolas e creches no sentido de distribuir o cronograma de coleta, além de palestras e treinamentos conscientizar sobre a separação dos resíduos.

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